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Assassino do Biquíni: Como um dos maiores criminosos da Ásia foi capturado

Um dos poucos detalhes deixados pelo criminoso chamou a atenção de um diplomata, que seguiu sozinho a investigação

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 28/04/2021, às 18h01

Charles Sobhraj (esq.) e Herman Knippenberg (dir.) em montagem
Charles Sobhraj (esq.) e Herman Knippenberg (dir.) em montagem - Divulgação / ITV

O serial killer Charles Sobhraj teve uma trajetória baseada em lesar aos outros; cometeu estelionatos e furtos, desde roubo de carros até de pessoas à mão armada. Porém, seu principal título dá-se aos crimes que o nomearam como "Assassino de Biquíni" por confessar pelo menos 12 assassinatos entre os anos de 1972 e 1976 entre a Europa e Ásia.

Também recebeu o apelido de "Charles Manson asiático" em decorrência da capacidade de persuasão e convencimento com seu charme e cultura, criando diversas testemunhas de peças chaves que dificultavam qualquer trabalho para relacionar o criminoso aos crimes.

Das poucas vezes que foi pego, conseguiu se safar em fugas ou, simplesmente, aproveitando de descuidos de autoridades carcerárias, tendo uma vida relativamente confortável em penitenciárias — conforme reportamos anteriormente.

Apesar de estar blindado pela legião de pessoas que persuadiu, uma pessoa foi capaz de desconfiar de um dos pontos, como revelou a CNN em uma reportagem especial.

Investigação paralela

O diplomata holandês Herman Knippenberg estava na Tailândia em 6 de fevereiro de 1976 e desconfiou do fato de que dois estrangeiros, identificados como Henricus Bintanja e Cornelia Hemker, não enviavam cartas aos familiares para fora do país há semanas.

Coincidentemente, dois corpos foram encontrados 80 quilômetros ao norte da capital Bangkok. Chamou então uma dentista para avaliar as arcadas, descobrindo a relação compatível dos cadáveres.

Era a primeira possibilidade de investigação, passando a refazer a trajetória de ambos nas semanas anteriores, chegando a um tal de Alain Gautier — que posteriormente, foi descoberto como um dos nomes usados por Sobhraj.

Com tal identificação, o criminoso se passava por negociador de pedras preciosas. O diplomata fez contato com uma moradora do prédio onde o tal Alain esteve instalado, por via um amigo.

Descobriu que o criminoso acumulava vários passaportes no apartamento — dentre eles o das duas vítimas fatais — conforme relatou uma das pessoas que o visitou. Foi suficiente para avisar a polícia.

Esperto até certo ponto

Ele foi levado pela polícia, mas conseguiu enganar as autoridades colando sua foto em um dos passaportes recolhidos. Ciente disso, Herman tentou sua tacada final; convencer a moradora a visitar o vizinho para confirmar as pistas. Mesmo com medo, a moradora foi recebida pela namorada do criminoso, a canadense Marie-Andrée Leclerc.

Em um momento de descuido, colocou fotos de passaporte no sutiã, posteriormente entregando ao holandês. Contudo, sabendo da marcação policial, o assassino voou para a Malásia, frustrando a investigação — mas adicionando a namorada como uma possível linha de cumplicidade para o rastreio.

Relatos dos assassinatos na primeira página do “Bangkok Post” / Crédito: Divulgação/Herman Knippenberg

 

O cruzamento de dados possibilitou o contato com a família da jovem, no Canadá, que ingenuamente passou o telefone que a jovem tinha deixado de emergência aos policiais.

Para a clareza da situação, o número foi identificado como da mãe de Sobhraj, dando a certeza de que o culpado pelas mortes era o criminoso. Com a confirmação, pôde reunir uma equipe para invadir o apartamento deixado em Bankok e coletar as evidências necessárias.

Com as informações reunidas, Knippenberg passou o material para a imprensa, que deu destaque nacional a rede de crimes no início de maio de 1976. Dessa maneira, um inquérito foi aberto por autoridades tailandesas, posteriormente emitindo um aviso para a Interpol, resultando em seu status de foragido. Sobhraj foi encontrado na Índia, dois meses depois da publicação.


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