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Ataque de tubarões e suspeita de canibalismo: O que aconteceu com Michael Rockefeller?

O jovem era herdeiro de uma das famílias mais ricas da história, mas iniciou um mistério ao desaparecer de uma expedição antropológica na África

Wallacy Ferrari Publicado em 28/07/2020, às 08h16

Michael no centro de um ritual africano
Michael no centro de um ritual africano - Divulgação / Graveyard Shift

Em 1961, o antropólogo holandês René Wassing acompanhava um jovem entusiasta a bordo de uma canoa em direção a Nova Guiné Holandesa. O garoto era estadunidense e financiava as pesquisas pelo próprio bolso, buscando ter uma compreensão maior do que a obtida na escola sobre a etnologia e a antropologia.

O rapaz era Michael Rockefeller, bisneto de John D. Rockefeller, fundador da petrolífera Standard Oil e um dos homens mais ricos da história. Com o dinheiro da família, o jovem conseguiu uma boa base escolar durante a juventude, chegando a ingressar na Universidade de Harvard, onde concluiu os cursos de História e Economia.

Apesar dos diplomas, a área da biologia bestificava o garoto de 23 anos, que viu uma oportunidade de ampliar o conhecimento do mundo sobre as tribos com o dinheiro da família. Com esse intuito, passou a realizar viagens para a Nova Guiné Holandesa e conhecer os nativos das regiões, registrando suas passagens ao longo das expedições.

Michael, o segundo da direita para a esquerda, em uma das expedições / Crédito: Divulgação

 

Do bote à morte

Junto de Wassing, uma canoa de 12 metros realizava o transporte da equipe até a costa do país africano, a cerca de 5 quilômetros. A base da estrutura acabou naufragando, restando aos dois pesquisadores apenas um pequeno espaço para aguardar resgate, onde ambos ficaram juntos aguardando socorro. Michael, no entanto, não teve tanta paciência.

No segundo dia, preferiu deixar a estrutura e tentar nadar até a costa. De acordo com o holandês, Rockefeller chegou a relatar que tinha preparo para tal feito: “Eu acho que consigo”. Mesmo tentando nadar em um ponto reto, de dia e com segurança, Wassing perdeu o rapaz de vista, sendo a última vez que ele foi visto.

No dia seguinte, um barco realizou o resgate do antropólogo que decidiu ficar, orientando para as buscas por Michael fossem feitas, sem sucesso. Oficialmente, o corpo de Michael nunca foi localizado, mas a equipe passou os anos seguintes estudando cadáveres e ilhas próximas. Ele foi declarado morto legalmente em 1964, com a hipótese de que teria sido atacado por um tubarão ou crocodilo.

Rockefeller manuseia uma câmera em sua primeira viagem à Nova Guiné / Crédito: Divulgação

 

Teoria macabra

A principal hipótese, amplamente discutida por outros antropólogos e jornalistas, seria de que Michael conseguiu chegar até a ilha, porém, desacompanhado do antropólogo, não conseguiu se comunicar corretamente e acabou sendo capturado. Tobias Schneebaum, artista e antropólogo que viveu por anos entre tribos canibais, chegou a relatar que conversou com nativos da tribo Asmat, afirmando que os mesmos admitiram ter sacrificado o estadunidense.

O século 21, as pesquisar tomaram ainda mais força com a contribuição do jornalista americano Carl Hoffman, que chegou a publicar uma extensa obra corroborando a versão de que o jovem teria sido capturado pela tribo. No entanto, ele acrescenta, afirmando que o bilionário teria sido canibalizado pela tribo.

O motivo teria sido sua pele e origem; motivados por um ato de vingança de um ataque holandês na ilha anos antes, o jovem pode ter sido caçado e comido em um ritual privado. Uma epidemia de cólera na comunidade Asmat, no entanto, foi relacionada ao sacrifício de Rockefeller; após acometer boa parte dos membros, os indígenas entenderam como uma resposta divina por terem sacrificado a pessoa errada — visto que o garoto não era holandês.


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