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Até o último suspiro: Fido, o cão da Segunda Guerra que não desistiu de esperar pelo seu dono

Adotado antes do início do conflito, o animal não esperava que seu melhor amigo perderia a vida diante dos horrores da Guerra

Caio Tortamano Publicado em 26/07/2020, às 09h00

O cachorro Fido é levado até sua estátua
O cachorro Fido é levado até sua estátua - Divulgação

Cães não são considerados o melhor amigo do homem à toa. A prova disso pode ser identificada na história de Fido, que teve uma melancólica saga ao lado de seu dono. 

Pouco se sabe sobre sua origem, o mais provável é que ele tenha nascido nas ruas por volta de 1941, no pequeno município de Borgo San Lorenzo, província de Florença. Em novembro do mesmo ano, durante uma fria noite de novembro, o trabalhador Carlo Soriani estava voltando para casa, em direção ao ponto de ônibus, quando se deparou com o pobre cachorro machucado em uma vala.

Sem saber se o bicho tinha um melhor amigo, Carlo socorreu o animal em sua própria casa, e ficou com ele até que se recuperasse. Depois de um tempo juntos, se tornou praticamente impossível Soriani e sua esposa compartilhassem uma vida longe do cão. Assim, adotaram o vira-lata dando o nome de Fido.

Oficialmente da família, Fido acompanhava o dono todos os dias até o ponto de ônibus. Quando o veículo chegava e o italiano embarcava rumo ao seu trabalho, o cachorro pacientemente o esperava até o turno acabar, evitando qualquer outra pessoa que não fosse o seu melhor amigo. Essa foi a rotina do cão todo dia durante dois anos de sua vida, mas tudo mudou com o início da Segunda Guerra.

A guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial, Carlo não havia sido convocado para lutar pela Itália, uma vez que seu trabalho na fábrica de tijolos era fundamental para os mantimentos de guerra necessários durante o confronto. Todavia, esses lugares também eram perfeitos para ataques planejados pelas tropas inimigas.

Em dezembro de 1943, Borgo San Lorenzo foi alvo de um violento ataque aéreo por parte dos inimigos, e muitas fábricas foram atingidas. Como consequência, profissionais acabaram morrendo em decorrência desses episódios caóticos, incluindo Soriani.

Enquanto isso, no ponto de ônibus, Fido estava, como sempre, aguardando o retorno de seu dono que não chegava de jeito nenhum. O cansaço acabou vencendo o cãozinho, que resolveu voltar para casa.

Porém, no dia seguinte lá estava ele mais uma vez farejando o ar para encontrar algum vestígio de Carlo, que não dava sinal de vida. Isso se repetiu por dias e até mesmo anos.

O pobre Fido passou o restante de seus anos finais visitando o ponto de ônibus na esperança de encontrar o seu tão amado dono, todavia, o esforço foi em vão. A história começou a chamar atenção dos moradores, e logo passou a se tornar de interesse da mídia.

Revistas italianas publicaram a triste história de lealdade de Fido, cativando muitos leitores que se impressionaram com a lealdade do cachorrinho, especialmente o prefeito de Borgo San Lorenzo, que presenteou o animal com uma medalha de honra na presença de diversos cidadãos, incluindo a viúva de Carlo, que se emocionou na homenagem.

Não somente a mídia italiana reconheceu a história do companheiro leal, a revista Time,— uma das mais notórias de todos os tempos — publicou a história em um artigo no ano de 1957. No mesmo ano, o prefeito da cidade encomendou do escultor Salvatore Cipolla uma estátua de bronze em nome da personalidade canina, que existe até hoje na cidade.

Estátua em homenagem ao cachorro Fido / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1958, depois de anos indo todo dia até o ponto de ônibus, Fido faleceu em junho, estampando a capa do jornal La Nazione, como se lamentassem a ida de um herói nacional. O cão foi enterrado ao lado de seu dono, sendo esse o único local possível após anos de fidelidade.


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