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Atitude nota 0: quando um homem rasgou as notas durante uma apuração de Carnaval

Em 2012, Tiago Faria invadiu a área onde ficavam os jurados do desfile das escolas de São Paulo e provocou uma enorme confusão

Giovanna Gomes, sob supervisão de Pamela Malva Publicado em 15/02/2021, às 16h00

Tiago Faria rasgando as notas da apuração em 2012
Tiago Faria rasgando as notas da apuração em 2012 - Divulgação

A apuração dos desfiles das escolas de samba de São Paulo, ocorrida no dia 21 de fevereiro de 2012, foi palco de uma enorme confusão. Durante o evento, integrantes das escolas, inconformados com os resultados, danificaram lixeiras e grades do Anhembi, gerando um prejuízo de 10 mil reais na época.

Mas o que mais chamou atenção, no entanto, foi que um homem chamado Tiago Faria, membro da Império de Casa Verde, pulou as grades e rasgou as notas dos dois últimos jurados antes que elas pudessem ser lidas e a apuração teve de ser interrompida. Na ocasião, os documentos continham avaliações sobre o quesito comissão de frente.

A confusão

Era terça-feira, quando tradicionalmente ocorrem as apurações dos desfiles das escolas de São Paulo. Aquele dia 21 de fevereiro de 2012, no entanto, entraria para a história do Carnaval como um episódio que não deve se repetir. Enquanto, no interior do sambódromo, as notas eram rasgadas, na área externa a confusão era ainda maior.

Um carro alegórico da escola Pérola Negra foi incendiado / Crédito: Divulgação

 

Fora do Anhembi, de acordo com o G1, torcedores que se encontravam na avenida danificaram placas, além de incendiarem um carro alegórico da Pérola Negra. No fim, integrantes da Vai-Vai, Camisa Verde e Branco, Pérola Negra, Império de Casa Verde, Tom Maior e Gaviões da Fiel foram denunciados pelo Ministério público por dano ao patrimônio e supressão de documentos.

Dias após o ocorrido, Tiago Faria deu uma entrevista à Rede Globo, na qual afirmou que rasgou as notas como forma de protesto. Mas havia algo que ninguém consegui entender: como alguém que não fazia parte da diretoria da escola de samba conseguiu uma pulseira para participar do evento? 

Em resposta, o homem declarou que a havia comprado do lado de fora do sambódromo por apenas 70 reais. Sua versão, todavia, não convenceu nem à polícia, nem mesmo ao presidente da Liga das Escola de Samba de São Paulo, Paulo Sérgio Ferreira.

“Impossível que algum presidente vendesse uma pulseira em um valor tão simbólico desse", explicou Sérgio. "Porque ele saberia que o problema maior seria de não ter uma pessoa da diretoria na mesa dele, mas uma pessoa desconhecida."

Tiago Faria exibia carros de luxo em suas redes sociais / Crédito: Divulgação/Instagram

 

Conclusão do caso

Faria, que havia sido preso, acabou solto alguns dias depois. Meses após a confusão, a Justiça decidiu absolver os outros 12 acusados pelo tumulto. No dia 28 de junho de 2013, Edison Tetsuzo Namba, juiz que tratou do caso, declarou que não houve crime e que os “ânimos se exaltam” em desfiles de escolas de samba — ideia que gerou indignações.

Anos depois, uma nova prisão

De acordo com a IstoÉ, TiagoFaria foi novamente preso no dia 11 de setembro de 2020, dessa vez por suspeita participar de ataques a bancos no interior do estado de São Paulo. Segundo a equipe de investigadores, o homem teria atacado agências do Banco do Brasil das cidades de Ourinhos e Botucatu, sendo que o último caso teria ocorrido no dia 30 de julho do mesmo ano.

Além disso, Tiago ainda é suspeito de ter participado de outros crimes, como no caso da explosão de bancos no Rio Grande do Norte, em 2017, e também de Lacanga, no interior paulista, no ano de 2016.


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