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Matérias / Atol de Bikini

As 23 bombas lançadas no Atol de Bikini durante testes dos EUA

No Oceano Pacífico, o Atol de Bikini foi alvo de testes realizados pelos Estados Unidos a partir de 1946

Éric Moreira, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 19/07/2022, às 19h37

Praia do Atol de Bikini, ilha radioativa no Oceano Pacífico - Divulgação/UNESCO/Ron Van Oers
Praia do Atol de Bikini, ilha radioativa no Oceano Pacífico - Divulgação/UNESCO/Ron Van Oers

Um pequeno anel de ilhas de corais no Oceano Pacífico, conhecidas como Atol de Bikini, é famoso e intriga as pessoas pelo fato de ser completamente inabitável — além de teorias relacionarem o lugar à 'Fenda do Bikini', do desenho 'Bob Esponja'.

O local pode oferecer riscos para qualquer um que queira viver ali devido a testes de armas nucleares ali realizados, sendo assim considerada uma das ilhas mais radioativa do mundo.

Depois que os Estados Unidos dispararam duas bombas atômicas nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki, ao fim da Segunda Guerra Mundial, os líderes militares do país começaram, então, a planejar novos testes de armas nucleares.

Para isso, escolheram o Atol de Bikini, uma ilha que faz parte das Ilhas Marshall — país da Micronésia — e atendia a todos os critérios militares necessários: estava sob controle dos EUA e longe das rotas de navegação.

A região possui uma massa de terra equivalente a apenas duas milhas quadradas — equivalente a cerca de 5 quilômetros quadrados — e também se encontrava a apenas 1600 quilômetros de distância de uma base da qual os bombardeiros poderiam decolar.

Além disso, a lagoa que o atol circulava oferecia um porto seguro para os navios da Marinha dos Estados Unidos, além das embarcações que serviriam como alvos.

Imagem de satélite colorida artificialmente do Atol de Bikini
Imagem de satélite colorida artificialmente do Atol de Bikini / Foto por NASA pelo Wikimedia Commons

Vale acrescentar ainda, um atol consiste em uma ilha oceânica em forma de anel, cuja formação começa por um recife costeiro de corais ao redor de uma ilha vulcânica. Em seu centro, existe um grande lago.

Início dos testes

Quando o governo dos Estados Unidos iniciou os testes de armas nucleares no Atol de Bikini, sua pequena população local — com apenas 167 pessoas — foi realocada pelos militares, com a justificativa de que os testes eram necessários para que futuras guerras fossem evitadas.

Entre os anos de 1946 e 1958, 23 dispositivos nucleares foram detonados na região pelo governo estadunidense — incluindo 20 bombas de hidrogênio. Entre as bombas detonadas, inclusive, estava a H Castle Bravo, que foi testada no dia 1° de março de 1954, e alcançou um rendimento de 15 megatons — sendo assim mais poderosa que a bomba que destruiu Nagasaki em 1945.

Fotografia da ilha do Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall
Fotografia da ilha do Atol de Bikini, nas Ilhas Marshall / Foto por Ron Van Oers pelo Wikimedia Commons

No entanto, quando os habitantes do Atol de Bikini foram realocados, o governo dos Estados Unidos os prometeu que eventualmente poderiam voltar à região — a verdade era outra: eles foram realocados em outros locais das Ilhas Marshall.

Retorno dos nativos

A partir do final da década de 1960, a Comissão de Energia Atômica dos EUA declarou que o Atol do Bikini finalmente era seguro e habitável para quem quisesse voltar. Com isso, alguns dos antigos residentes logo voltaram ao local, mas a ação foi interrompida décadas depois, quando um estudo mostrou que o nível de césio-137 nos corpos dos que retornaram aumentou em 75%.

Fotografia aérea de ilha do Atol de Bikini
Fotografia aérea de ilha do Atol de Bikini / Foto por Ron Van Oers pelo Wikimedia Commons

Os habitantes do Atol de Bikini foram realocados mais uma vez, dessa vez para a Ilha Kili, localizada a mais de 700 quilômetros de distância. "Isso é baseado nos níveis de césio-137 nos alimentos, radiação gama de fundo e presença de vários isótopos no solo e nos sedimentos oceânicos", disse Ivana Nikolic Hughes, professora sênior de química na Universidade de Columbia e diretora do Centro de Projeto K-1 para Estudos Nucleares, que teve a fala repercutida pelo Mirror. 

Em 2010, por sua vez, a UNESCO — Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura — declarou o Atol de Bikini como Patrimônio da Humanidade, como um lembrete do temível poder das armas nucleares e sua influência na civilização moderna.


*Com informações do Mirror;