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Aurelien Hayman: a insólita saga do britânico que nunca esquece de nada

A síndrome rara, conhecida como 'memória autobiográfica superdesenvolvida', permite que o portador se lembre de detalhes específicos de todos os dias de sua vida

Alana Sousa Publicado em 25/07/2021, às 11h00

Aurelien Hayman no documentário 'The Boy Who Can't Forget'
Aurelien Hayman no documentário 'The Boy Who Can't Forget' - Divulgação/YouTube/Only Human

Imagine conseguir lembrar da sua vida com uma riqueza extrema de detalhes: o que fez em um determinado dia, o que comeu, qual música ouviu, como estava o clima ao ar livre. Para quase todo mundo, esta tarefa parece impossível.

Muitos sentem dificuldade de lembrar até mesmo coisas que fizeram no dia anterior, é comum também o famoso ‘branco’ na hora das provas escolares ou em momentos com uma pressão extra.

Este, no entanto, não é o caso do britânicoAurelien Hayman, de 29 anos. O inglês consegue se lembrar de sua vida inteira, tudo que fez e como sentiu. Essa síndrome raríssima é conhecida como hipertimesia — ou memória autobiográfica superdesenvolvida.

Uma memória extraordinária

Hayman teve sua história contada no documentário ‘The Boy who Can't Forget’ (O garoto que não consegue esquecer, em tradução livre para o português); a produção foi transmitida pelo Channel 4, em 2012.

O britânico / Crédito: Divulgação/YouTube/Only Human

 

Na obra, Aurelien afirma não saber ao certo como tudo começou, mas consegue relembrar detalhes específicos de qualquer dia ou evento que tenha vivido. Basta lhe dizer uma data e ele poderá relatar tudo com impressionável precisão.

O britânico conta no documentário que no dia 1 de outubro de 2006 ouviu a música ‘When You Were Young’, da banda The Killers e vestiu uma blusa azul. O tempo estava nublado e sua casa sofreu com falta de energia elétrica por algumas horas, afirmou ele, conforme repercutiu a BBC.

"É como se eu estivesse acessando rapidamente uma pasta arquivada (no meu cérebro)", contou Hayman ao Daily Mail. "Todas as datas têm fotos. É um processo visual, vejo uma sequência de imagens".

Aurelien faz questão de enfatizar que não existe um método preciso, nem ao menos uma técnica que ele utiliza para facilitar sua memória. O processo ocorre de maneira natural e automática.

Apesar de lhe permitir acessar suas lembranças com maior facilidade, o inglês conta que a memória autobiográfica não ajuda nada no curso de literatura inglesa, o qual frequentava na época.

"Tenho uma boa memória em geral. Mas por ser uma memória autobiográfica, ela não me ajuda com um trabalho acadêmico universitário", revelou.

O britânico Hayman / Crédito: Divulgação/YouTube/Only Human

 

A memória é exclusiva para momentos da sua vida. Acontecimentos cotidianos passam geralmente despercebidos para os portadores dessa síndrome.

Entenda a hipertimesia

A síndrome da memória autobiográfica superdesenvolvida é extremamente rara e recente para a medicina. Apenas 20 pessoas foram diagnosticadas com a doença ao redor do mundo. Além disso, a condição foi registrada pela primeira vez em 2006, algo bastante novo para os cientistas.

A hipertimesia é responsável por fazer o portador "passar uma quantidade anormal de tempo pensando no passado" e ainda permite que o indivíduo se lembre "de eventos específicos do próprio passado".

Hayman em cena do documentário / Crédito: Divulgação/YouTube/Only Human

 

No ano de 2006, um caso semelhante foi registrado em uma americana, identificada como Jill Price, relatada como paciente AJ. Os sintomas da mulher incluíam uma memória “incessante, incontrolável e automática”.

Em seu relato oficial, ela disse: “Enquanto falo com vocês estou pensando no que aconteceu comigo em 17 de dezembro de 1982, uma sexta-feira, quando eu comecei a trabalhar em uma loja. É uma questão de datas. Ouço uma data e sou capaz de vê-la; vejo o mês, o ano”.

Os especialistas analisaram na época que Price não conseguia se lembrar de coisas simples: “Ela contou que tem cinco chaves em seu chaveiro e nunca lembra para que elas servem. Tem que fazer listas para se lembrar de suas tarefas. E disse que sofria para se lembrar de poemas ou datas históricas”.


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