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Ausência de indígenas em filmes de Hollywood fez Marlon Brando recusar o Oscar há 46 anos. Entenda o caso!

O eterno Vito Corleone venceu com o personagem na cerimônia de 1973, mas foi outra pessoa que subiu no palco

André Nogueira Publicado em 27/03/2019, às 06h00

Ativista apache recebe o prêmio e discursa no Oscar
Divulgação

Hollywood tem um longo histórico de polêmicas e a cerimônia do Oscar muitas vezes é utilizada como palanque para a exposição de diversas questões políticas e culturais. Em um desses casos, Marlon Brando entrou para a história com uma importante denúncia à indústria do cinema.

Na década de 1970, o ator se destacou por sua singular atuação como Vito Corleone, eixo do primeiro filme da obra prima de Coppola O Poderoso Chefão. Por esse papel, ganhou o Oscar de melhor ator no dia 27 de março de 1973. Porém, na cerimônia, as coisas não correram como planejado. O ator foi chamado ao palco, mas quem levantou e se dirigiu ao microfone foi Sacheen Littlefeather. A mulher, de origem Apache, uma importante ativista da causa indígena na época, subiu ao palco para denunciar a falta de representatividade das comunidades originárias no cinema.

Ao saber do 'contratempo', a direção da Academia decidiu que a ativista só poderia falar por 45 segundos. Mas acabado o discurso, Littlefeather se dirigiu aos fundos do palco para apresentar a carta completa de Marlon Brando aos jornalistas.

A denúncia não se resumia à falta de atores indígenas nos filmes. A produção de Hollywood também apresenta uma visão negativa desses povos. São famosos os filmes de western em que os vilões costumam ser Cherokees, Apaches ou Sioux. Ou a imagem retratada em outros filmes, em que os índios são burros, arrogantes, bêbados ou trapaceiros.