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Matérias / Crimes

A autora de 'Como Matar o seu Marido' condenada por matar o marido

Nancy Crampton Brophy publicou um ensaio com instruções de como se livrar de um companheiro indesejado sem ser pega anos antes de ser condenada

Redação Publicado em 28/05/2022, às 08h00

Nancy Crampton Brophy presa em setembro de 2018 e com o marido Daniel Brophy - Divulgação/Portland Police Bureau/MCSO / Arquivo Pessoal
Nancy Crampton Brophy presa em setembro de 2018 e com o marido Daniel Brophy - Divulgação/Portland Police Bureau/MCSO / Arquivo Pessoal

Em 2011, uma autora decidiu publicar de forma independente, em um blog, o ensaio "How to Murder Your Husband" (Como matar seu marido, em tradução livre), considerado um tratado de instruções.

Na obra, estão descritos inúmeros métodos de como cometer um assassinato que não seja rastreável e os motivos para se livrar de um companheiro indesejado. Claro, tudo isso levando em conta que se trata de literatura.

Uma das razões para o homicídio, apontada pela romancista, é a possibilidade de obter ganhos financeiros e uma das opções para executá-lo é o uso de armas de fogo, ainda que as considere "barulhentas, sujas e exigem alguma habilidade".

"Mas o que eu sei sobre assassinato é que cada um de nós o carrega dentro de si quando pressionado com força suficiente", escreveu ela no ensaio.

Sobre a possibilidade de ser pega pelo crime, dissertou: “Afinal, se o assassinato deve me libertar, certamente não quero passar nenhum tempo na prisão. Eu não gosto de macacões e laranja não é minha cor.”

Um assassinato real

No último mês, a autora do livro de pouco alcance se tornou manchete mundialmente, mas não por sua obra. Nancy Crampton Brophy, de 71 anos, havia sido acusada no começo de maio e, na última quinta-feira, 26, condenada pelo assassinato do próprio marido.

Daniel Brophy, de 63 anos, era chef de cozinha e estava se preparando para trabalhar no Oregon Culinary Institute, no sudoeste de Portland, nos Estados Unidos, em 2 de junho de 2018, quando foi morto a tiros em uma sala de aula.

A autora Nancy Crampton Brophy / Crédito: Divulgação/Youtube

Segundo investigadores, não foi possível identificar sinais de resistência e luta, assim como de roubo. O marido de Nancy ainda estava com carteira, celular e chaves do carro no momento em que seu corpo foi encontrado por alunos.

A escritora está sob custódia desde que foi presa dois meses após o crime. O julgamento sobre o caso foi retomado no começo de maio deste ano e ela deve receber sua sentença em 13 de junho, segundo o The Guardian.

O julgamento

Promotores afirmam que a mulher foi motivada por problemas financeiros e uma apólice de seguro de vida, o que ela nega. "Não foi apenas sobre dinheiro. Foi sobre o estilo de vida que Nancy queria e que Dan não podia dar a ela", afirmou o promotor Shawn Overstreet.

A romancista, no entanto, afirmou que havia resolvido seus impasses com dinheiro há muito tempo. "Estava melhor financeiramente com Dan vivo do que com Dan morto. Se perguntassem qual é a motivação? Um editor riria e diria 'você precisa trabalhar mais na história, tem um grande buraco nela'", ironizou no julgamento.

Nancy foi gravada por câmeras de vigilância no instituto em que aconteceu o assassinato e possuía uma arma da mesma marca e modelo daquela usada no crime. Ainda assim, tentou se defender de todas as acusações.

Ela afirmou também que estar perto do local do crime naquele dia foi mera coincidência e que estava trabalhando em sua escrita na região enquanto havia estacionado nas proximidades, já que fazia visitas para se inspirar em suas próximas obras.

Também afirmou que a arma, que está desaparecida, foi comprada na internet para ser usada como investigação para um livro. Ela é acusada de ter trocado o o cano da arma usada do assassinato, que teria sido descartada logo após a morte do marido.

Condenação no caso

O júri levou oito horas para divulgar o veredicto de condenação por assassinato em segundo grau. Nancy foi considerada culpada por atirar no marido pelas costas e depois quando ele estava no chão.

A escritora nega as acusações e sua defesa afirmou que deve recorrer da decisão do julgamento, segundo o jornal The Oregonian. "Estávamos esperando que [o júri] pudesse ver isso como 'poderia ter sido, deveria ter sido, teria sido’. Mas não foi assim", disse a advogada Lisa Maxfield.