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Aventura fatal: Alain Bombard, o homem que ficou à deriva no Atlântico para provar teorias

O biólogo decidiu arriscar a própria vida e testar os seus limites em nome de um estudo

Penélope Coelho Publicado em 12/07/2020, às 09h00

Alain Bombard, em 1981
Alain Bombard, em 1981 - Wikimedia Commons

“Eu havia lutado em nome do homem contra o mar, mas percebi que havia se tornado mais urgente lutar em nome do mar contra os homens”, essa frase foi dita pelo biólogo, médico e político francês Alain Bombard — que desafiou a ciência em uma missão quase impossível. Nessa aventura, Alain acabou colaborando com a história da navegação e  aprendeu mais sobre si mesmo.

Nascido em 27 de outubro de 1924, em Paris, na França, Bombard foi um homem idealista, fascinado por técnicas de sobrevivência. Ele acreditava que poderia salvar a vida de muitas pessoas que por alguma desventura do destino, estivessem perdidas no oceano.

Para Bombard era possível sobreviver somente com os mantimentos encontrados no mar. A fim de provar suas crenças, o cientista decidiu se voluntariar em uma perigosa expedição solitária no Oceano Atlântico.

A ideia inicial era de que a arriscada viagem seria feita em parceria com um amigo, Jack Palmer, mas, o homem desistiu de navegar de última hora. Isso não representou um obstáculo para que Alain continuasse.

Depois de se despedir de sua filha recém-nascida, o homem iniciou uma aventura sem precedentes em 19 de outubro de 1952, nas Ilhas Canárias. Bombard decidiu, por conta própria, ficar à deriva no Oceano Atlântico, em um bote inflável e quase sem nenhum mantimento.

A jornada

Mesmo que essa não fossa e primeira experiência do biólogo com navegação, nessa ocasião tudo estaria diferente, já que ele estava sozinho. Atravessar o Oceano por si só já não é uma tarefa fácil, sem alimentação, ou, um meio de transporte próprio para isso, seria quase impossível realizar a missão.

Solitário em seu bote inflável de 4,5 metros de comprimento, o homem utilizou um arpão e anzol feitos por ele para pescar e conseguir se alimentar, além disso, também costumava colher plâncton da superfície com uma rede pequena. Ao longo da viagem, para se hidratar, o aventureiro acabou bebendo uma pequena quantidade diária de água do mar estipulada por ele.

Em 23 de outubro, o aventureiro destemido completou quatro dias nessa grande empreitada. O dia começou de maneira conturbada quando ele precisou arrumar uma vela de última hora — a original acabou sendo levada pelas condições do oceano.

Por não ser tão experiente, em suas constatações a viagem fluía rapidamente, o que fez com que o homem pudesse respirar um pouco. Entretanto, foi uma doce ilusão — ele seguia em um ritmo comum e não tão rápido quando pensava.

Depois de um mês e meio nas águas, o aventureiro cruzou com um navio. Os tripulantes informaram para Bombard que ele ainda estava longe de concluir o objetivo de atravessar o oceano, com longos quilômetros pela frente. O navegante ficou inicialmente preocupado, mas, depois que a equipe ofereceu para ele uma refeição, Alain decidiu continuar a viagem.

Alain Bombard em entrevista coletiva / Crédito: Divulgação/Youtube/Pathé Gaumont/1952

 

Conclusões peculiares

Em 23 de dezembro de 1952, após percorrer 4.400 mil quilômetros, e passar 65 dias à deriva, o homem chegou ao seu destino final: Barbados. Sem forças, o biólogo havia perdido 25 quilos e assim que chegou a terra firme, foi hospitalizado de imediato.

Depois de algum tempo internado, Bombard conseguiu se recuperar. No ano seguinte, o francês decidiu publicar suas conclusões em um livro intitulado Naufragé Volontaire (Náufrago Voluntário, em tradução literal para o português).

Na obra, o profissional concluiu, por exemplo, que se uma pessoa perdida no oceano beber quantidades limitadas de água do mar e se alimentar de plânctons e peixes é possível sobreviver. A partir disso, o biólogo se tornou uma espécie de herói na França, iniciando até uma vida política, tornando-se secretário do Meio Ambiente, em 1981.

Suas teorias deixaram o médico e marinheiro alemão Hannes Lindemann fascinado. Por isso, o homem decidiu repetir a viagem feita por Alain, ampliando a nova expedição para 134 dias. Lindemann concluiu que também era importante coletar água da chuva para sobreviver.

As pesquisas de Hannes e Bombard foram de extrema importância para a história da marinha; as observações feitas por eles entraram posteriormente para as recomendações de navegação da Organização Mundial da Saúde.

Alain Bombard faleceu em um hospital na cidade de Toulon, na França, em 19 de julho 2005, aos 80 anos de idade. Até o momento, as causas da morte não foram divulgadas pela família do biólogo.


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