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Bagunça cubista: Pablo Picasso acumulava milhares de objetos inúteis em sua oficina

Encontrados na rua, doados ou pegos no lixo, o artista gostava de ter por perto coisas que o sentisse integrado ao mundo real

Wallacy Ferrari Publicado em 02/03/2020, às 12h00

Pablo em seu desorganizado ateliê
Pablo em seu desorganizado ateliê - Getty Images

As influências de um renomado artista podem vir de diversas inspirações; desde momentos vividos, trabalhos admiráveis ou de histórias de terceiros. Em casos mais pomposos, a necessidade de ter uma referência próxima se torna uma espécie de objeto de estudo para transcrever uma obra. O problema é quando há milhares de objetos de estudo.

Pablo Picasso gostava de ter referências provenientes da natureza e do urbanismo, porém, colecionava tantas figuras para se inspirar que seu comportamento acumulador chegava a ser prejudicial. Destoando dos ateliês com o mínimo de coisas que possam desviar a atenção de um artista, Picasso preenchia seus espaços com tudo que pudesse ser guardado e lhe remetesse a algo que, um dia, lhe floresceu criatividade.

Desde coisas mais plausíveis, como tintas e pinceis, até mesmo jornais velhos, guardanapos usados, embalagens de cigarros e passagens de ônibus. Em entrevista, disse certa vez que “somos o que guardamos”, associando aquilo que é importante com o que queremos ter a segurança de sempre estar perto dessa representação.

Não somente acumulava como, em certas ocasiões, abria mão de seu espaço pessoal para guardar objetos de procedência duvidosa. As revistas, documentos e outros papéis coletados por Picasso, quando formavam pilhas, eram amarrados e pendurados com grampos no teto de sua oficina de arte, como lustres.

Pablo junto a Daniel-Henry Kahnweiler, o homem que negociava o valor de suas artes -  Créditos: Getty Images

 

Em suas obras, a aplicação dessa zona se transcrevia em suas inspirações para elementos de intervenção. Usando um pedaço de toalha de mesa, fez o assento da cadeira de sua obra “Still Life with Chair Caning”, de 1912. Em “Femmes à leur Toilette”, de 1938, fez uma colagem de mais de 4 metros de largura com pedaços de papel de parede pintados com guache.

Antes de morrer, aos 91 anos, as tranqueiras artísticas de Picasso já chegavam na casa dos milhares de objetos. Talvez, as palavras bonitas para justificarem os acúmulos de sujeira e desorganização podem ser postas em prova, mas uma certeza é tirada como lição: Pablo Picasso era um bagunceiro de primeira.


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