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Barba Negra x Francois L'Ollonais: as principais diferenças entre os maiores piratas da História

Ambos têm fama pela atividade na pirataria, mas algumas diferenças substanciais separam as duas figuras icônicas dos mares

Caio Tortamano Publicado em 11/03/2020, às 08h00

Barba Negra (esq.) e François L'Ollonais (dir.)
Barba Negra (esq.) e François L'Ollonais (dir.) - Wikimedia Commons

Piratas ainda são figuras que impressionam e alimentam a imaginação das pessoas devido a imagem de pessoas amedrontadoras e destemidas. Mas afinal, o que seriam os piratas? 

Os mais antigos registros vêm dos gregos: em 730 a.C., eles já pilhavam navios fenícios e assírios, segundo relatos de Homero na Odisséia. Porém, a imagem que temos dos piratas é a dos bandidos europeus dos séculos 17 e 18. Nessa época, a exploração das colônias na América e na África havia se tornado a principal atividade econômica mundial. Uma fortuna em ouro, prata, madeira, escravos e marfim, entre outras coisas, atravessava o Atlântico todos os anos.

Dentre eles, dois nomes se destacam entre os demais: Barba Negra e François L’Olonnais. Barba é, de longe, o mais famoso, muito pela imagem que conseguiu criar de si mesmo. De alta estatura, Edward Teach (seu nome verdadeiro) cultivava um olhar amedrontador, e usava de sua forte retórica para convencer seus subordinados de seus ideais.

Já L’Olonnais fez bem menos sucesso na posteridade. Porém, durante o seu período de atuação (cerca de 1650 até 1667) foi reconhecido pela crueldade. Principalmente quando se tratava do modo como estavam seus prisioneiros e reféns, utilizando diversas vezes de tortura para aterrorizar os inimigos.

Barba Negra, apesar da fama de sádico, não possui, até hoje, nenhum registro de que tenha matado, ou até mesmo, maltratado qualquer um de seus prisioneiros. Muito pelo contrário, relatos descrevem que ele não era cruel de nenhuma forma, e mesmo as decisões em relação ao destino da tripulação era passada para eles da forma mais clara possível.

François nasceu na França, em 1630. Aos 20 anos, foi levado ao Caribe como um escravo para trabalhar no cultivo de cana de açúcar e tabaco. Depois que comprou a sua liberdade, se juntou com os bucaneiros — piratas franceses que aportaram no Haiti.

Em apenas dois anos de pirataria, o francês naufragou na costa mexicana. Atacados por uma esquadra espanhola, L’Olonnais fingiu que estava morto se cobrindo de sangue e terra de seus amigos falecidos. Em uma astuta ação, o pirata se passou por espanhol quando conseguiu escapar, e, chegando a Tortuga, no Haiti, fez um refém e pediu um resgate aos governantes espanhóis de lá.

O governador de Havana, em Cuba (ilha vizinha) mandou um navio para matar o pirata. Entretanto, a maestria do francês em combates se fez valer, e ele capturou e decapitou toda a tripulação. Apenas um dos tripulantes foi poupado para que contasse o que havia acontecido durante o episódio.

Em 1667, L’Olonnais realizou sua mais famosa ação, que foi o cerco a cidade de Maracaibo, na Venezuela. Partindo de Tortuga, no Caribe, com oito navios e seiscentos piratas, as tropas do pirata saquearam um navio carregado de tesouros espanhóis.

Protegida com uma fortaleza em seu lado marítimo, Maracaibo era muito frágil em seu flanco terrestre, e foi por esse lado que o francês tomou a cidade. Os espanhóis tiveram uma baixa de quinhentos soldados, enquanto os piratas apenas trinta.

Plano da cidade de Maracaibo / Crédito: Wikimedia Commons

 

Entretanto, os habitantes da cidade já tinham fugido de lá com seus pertences, e pouco havia para roubar. Mas L’Olonnais não se deu por vencido, e foi atrás dos habitantes e os torturou até conseguir os bens. Ao voltar pra cidade, ordenou que derrubassem o muro que protegia o lado marítimo para que pudessem fugir mais rápido.

Durante dois meses, os homens do francês mataram, estupraram e torturaram a cidade venezuelana. A destruição foi tamanha que, um dia capital exportadora de cacau, chegou perto da extinção em 1680.

Suas torturas foram amplamente divulgadas, como forma de perpetuar sua imagem sanguinária. A Desgraça dos Espanhóis (como ficou conhecido) cortava pedaços de carne de suas vítimas com uma espada e os queimava vivos. Outro método bastante utilizado era o brutal woolding, que consistia em amarrar e torcer uma corda ao redor da cabeça do torturado até que os olhos saltassem pra fora da cabeça.

Por mais que tenha agido por mais tempo que Barba Negra — que pirateou durante o prolífico período de dois anos (1716-1718) —, o francês ficou muito tempo na ativa até a sua morte curiosa.

Depois de ter sido encurralado por espanhóis, L’Olonnais venceu eles por pouco, e capturou dois espanhóis, do qual um, supostamente, ele comeu o coração em frente ao outro, para que lhe contasse onde estaria a melhor rota de fuga.

Ironicamente, depois de fugirem para o Panamá, a frota do francês encalhou e foram capturados pela tribo Kuna. Pelas mãos dos nativos, François conheceu um fim tão horrendo quanto o que promoveu ao longo de sua carreira.

Nos relatos de Alexander Exquemelin, um livro sobre os bucaneiros da América conta com detalhes a morte do francês: "rasgaram-no em pedaços ainda vivo, jogando seu corpo, membro por membro no fogo e suas cinzas no ar, com a intenção de que nenhum vestígio nem memória poderiam permanecer de tal criatura, infame desumana".

Já Barba também teve uma morte sangrenta, como não poderia deixar de ser devido a sua astúcia. Pego de surpresa pela Marinha Britânica, o inglês se encontrava em desvantagem devido à inexperiência de sua tripulação e sua insistência em lutar.

Representação da Última Batalha de Barba Negra / Crédito: Wikimedia Commons

 

O resultado: cinco ferimentos de bala e vinte de espada. Após sua morte, seu corpo foi jogado ao mar, e sua cabeça colocada como prêmio na proa do navio britânico.


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