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Bastão da pressão: A gangue de mulheres anti-machismo da Índia

A chamada Gulabi Gang estima ter cerca de 270 mil mulheres afiliadas por todo o país asiático

Wallacy Ferrari, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 24/07/2021, às 09h00

Mulheres do Gulabi Gang reunidas com Sampat ao centro
Mulheres do Gulabi Gang reunidas com Sampat ao centro - Divulgação / Torstein Grude / Piraya Films

Durante a década de 1980, uma mulher identificada como Sampat Pal Devi resolveu que não iria aceitar calada os abusos vividos por uma colega. Moradoras do distrito de Bandha, no sul de Uttar Pradesh, um dos maiores estados da Índia, ela presenciou a moça sendo espancada pelo marido e, aos gritos, pedindo para que ele parasse, sem sucesso. 

Ciente da gravidade do caso, decidiu executar um plano para replicar o ataque na mesma moeda. No dia seguinte, chamou amigas e reuniu um grande grupo de mulheres, armadas com tacos e bastões, para vingar a agressão, espancando o homem. Era o início do grupo Gulabi Gang, cuja tradução direta seria "Gangue de Rosa". 

Nele, mulheres acompanham a liderança de Sampat, sempre vestidas de saris na cor rosa e, armadas de bastões de madeira personalizados, mediam conflitos maritais no segundo país mais populoso do mundo, como revelou o portal Opera Mundi em reportagem.

Mulheres do Gulabi Gang treinando técnicas de luta armada / Crédito: Divulgação / Youtube / Luís Ferraz

 

Presença feminista

Apesar de seu um movimento acusado de fazer justiça com as próprias mãos, a argumentação é de que a luta contra o machismo se dá pelo desamparo de leis e cultural faz com que o grupo ganhe força entre as mulheres de Uttah Pradesh, onde as taxas de feminicídio estão entre as mais altas do país. Com isso, as participantes se auxiliam com doações, abrigo e aprendizado, como incentivo ao estudo e técnicas de luta.

No site da instituição, Sampat explica que a pressão em grupo é suficiente para pressionar os casos de machismo relatados pelas colegas, acrescentando que o uso dos bastões serve, majoritariamente, para a intimidação.

“Normalmente prefiro usar a razão. É melhor convencê-los a fazer o correto. Quase nunca tivemos de chegar a usar a violência”.

O trabalho impactou a comunidade mundial do feminismo, sendo transformado em livro por Amana Fontanella-Khan na obra "Pink Sari Revolution", posteriormente cinebiografado no documentário britânico "Pink Saris", pelo cineasta Kim Longinotto.

A chefe do bando

A presença sociocultural do grupo é bastante amplificada na figura de sua líder, que faz questão de ser porta-voz e acompanhar as inúmeras afiliadas nos principais eventos. É ela quem divulga o movimento internacionalmente, inclusive em inglês, e responde pela gangue, inclusive em situações jurídicas.

Uma dessas ocasiões chamou atenção em 2010, quando Purushottam Naresh, um ex-deputado nacional, foi acusado de estupro por uma denúncia apresentada pelo grupo de Sampat — cujas evidências foram recebidas pela líder quando a mesma concorria a um cargo político com ele. Apesar de perder a eleição, conseguiu provar os episódios sórdidos do político na justiça, sendo sentenciado a 10 anos de reclusão.

Porém, engana-se que a divulgação se dá por meio da pressão unicamente; em 2012, Sapat foi convidada a participar do Bigg Boss 6, formato indiano do reality show conhecido pelos brasileiros como Big Brother. Por lá, conseguiu divulgar ainda mais a causa e encorajar participantes a participarem de causas feministas em rede nacional, mas não saiu vencedora.


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