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Batalha de Austerlitz, o ponto alto da carreira militar de Napoleão Bonaparte

Realizada no dia 2 de dezembro de 1805, a campanha militar exterminou o Sacro Império Romano-Germânico, que havia durado mil anos

Fabiano Onça Publicado em 02/12/2018, às 14h00

Reprodução

Nada mais foi igual na Europa depois da batalha de Austerlitz, de 2 de dezembro de 1805. A vitória eliminou os principais adversários de Napoleão e marcou o fim do Sacro Império Romano-Germânico, uma congregação de estados que havia sido fundada um milênio antes. Em termos táticos, foi um dos conflitos mais sofisticados de toda a história. Tudo isso começou semanas antes.

Em novembro de 1805, durante seu avanço sobre a Europa central, o imperador francês havia tomado a cidade de Viena. Passara então a perseguir as forças da Rússia e da Áustria, países membros da aliança antinapoleônica que incluía também a Inglaterra. Em 2 de dezembro, perto da cidade de Austerlitz – hoje Slav­kov, no sudeste da República Checa –, Napoleão montou uma armadilha. Organizou seu Exército para dar a impressão de que o flanco direito estava desguarnecido. Os rivais morderam a isca e atacaram exatamente por ali.

Napoleão, porém, tinha uma carta na manga. Secretamente, mandara o marechal Davout trazer 7 mil homens de Viena – que marcharam incríveis 110 quilômetros em 48 horas. Quando os aliados estavam prestes a destroçar a ala direita do Exército francês, deram de cara com Davout, que barrou o ataque. Enquanto isso, Napoleão pegou russos e austríacos no contrapé: ordenou uma ofensiva ao centro da linha inimiga, dividindo-a em duas e arrasando-a. Após a derrota, a Áustria viu-se obrigada a assinar um tratado de paz com a França. Já o czar russo Alexandre I, humilhado, afirmou: “Somos crianças na mão de um gigante”.

Caindo na cilada de Napoleão, os russos atacam o flanco direito dos franceses, mas são contidos pela chegada das tropas do marechal Davout. Num ataque secundário, o general russo Bagration investe contra as forças francesas do norte, mas é barrado pelos homens do marechal Lannes. Aproveitando-se da neblina, o marechal Soult invade as colinas de Pratzen, partindo as forças aliadas ao meio. Russos e austríacos batem em retirada, abandonando 180 canhões.

Napoleão na batalha de Austerlitz Reprodução

Cores da vitória

As bandeiras de cada batalhão eram um troféu nos campos de batalha do início do século 19. Quando uma unidade perdia seu estandarte, caía em vergonha: era sinal de que tinha levado uma surra enorme. Já quem tomava um estandarte inimigo cobria-se de glória. Em Austerlitz, o exército francês capturou 50 estandartes russos e austríacos – perdeu apenas um. ·

Fogo no gelo

Um dos grandes trunfos de Napoleão era sua artilharia. Os canhões do Império Francês, manejados por soldados de elite, eram precisos e se moviam com muito mais agilidade que os dos rivais. Em Austerlitz, a artilharia foi essencial para conter o ataque contra o flanco direito dos franceses, mas também protagonizou uma das maiores crueldades já feitas por Napoleão. Ao ver soldados russos em fuga, correndo sobre um lago congelado, ele ordenou que seus canhões atirassem no gelo. O chão se partiu e centenas de homens morreram afogados – os relatos da época falam em até 2 mil vítimas.

Guerra em paz

Em dezembro de 2005, exatos 200 anos após a batalha, tropas francesas, russas e austríacas voltaram à região, tomando as pacatas cidades de Slavkov, Tvarozna e Brno, na atual República Checa. Mas não houve violência alguma: foi apenas uma reencenação histórica, que é um hobby comum entre os aficionados por guerras da Europa. Cerca de 4 mil pessoas – incluindo 100 cavaleiros – de diversos países vestiram suas roupas de época e participaram do evento. Foi a maior reconstituição de Austerlitz já feita.