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Beate e Serge Klarsfeld: os caçadores de nazistas

Responsáveis pela prisão de criminosos da SS como Klaus Barbie, o casal persegue essas figuras há meio século

Isabela Barreiros Publicado em 22/01/2020, às 15h45

Beate e Serge Klarsfeld
Beate e Serge Klarsfeld - Domínio Público

Em 2018, Beate e Serge Klarsfeld foram condecorados pelo governo francês por seus serviços prestados para a humanidade. Conhecidos como “caçadores de nazistas”, os dois foram responsáveis por levar muitos dos mais terríveis personagens da história do nazismo para a justiça.

O casal se conheceu em um vagão de metrô em Paris em 1960. Por mais romântico que isso possa parecer, o que se segue depois do casamento dos dois é uma perseguição ferrenha a criminosos que tenham atuado durante o governo de Adolf Hitler na Alemanha.

Crédito: Getty Images

 

Serge é judeu. Sua família partiu em direção ao território francês ainda antes da Segunda Guerra. Mesmo assim, sofreram com o regime antissemita. Em 1943, seu pai foi detido pela SS (Schutzstaffel) e deportado para o campo de concentração de Auschwitz, um dos mais terríveis. Lá, ele foi assassinado. 

Mesmo não tendo uma história tão próxima desses horrores como seu marido, Beate cresceu na Alemanha Nazista. Ela alega que seus pais até mesmo votaram em Hitler, mesmo que não se considerassem seguidores da ideologia de ódio. 

Foi assim que a indignação dos dois se juntou e fez com que eles procurassem pelo paradeiro de homens que tiveram papéis importantes no regime autoritário durante a Segunda Guerra. Com documentos e investigações aprofundadas, o casal conseguiu encontrar e levar para a justiça inúmeros nazistas. 

Crédito: Getty Images

 

“Pouquíssimos daqueles monstros foram conduzidos a um tribunal. Figuravam tranquilamente com seus nomes na lista telefônica. Para quem tinha perdido seus pais ou irmãos nos campos de concentração, aquilo era insuportável…, mas para muitos alemães era o normal”, disse Beate Klarsfeld em entrevista ao jornal El País.

Entre os “monstros” que levaram aos tribunais estavam Kurt Lischka, Alois Brunner, Ernst Ehlers, Kurt Asche, entre outros, — mas também um dos mais terríveis: Klaus Barbie. Extremamente cruéis, assassinos sem nenhum remorso e assustadoramente frios e calculistas. É assim que os agentes da Gestapo eram conhecidos, e com Barbie a história poderia ser ainda pior.  

“Lutamos toda a vida para processar gente que tenha assinado algum documento, gente cujas ordens ou ações criminais estivessem demonstradas com provas”, explicou Serge.

Crédito: Getty Images

 

Apelidado de O Açougueiro de Lyon, devido ao seu reinado de terror na cidade francesa ocupada pelos nazistas, Barbie não apenas enviou judeus para os campos de concentração como também torturou franceses e combatentes da Resistência.

Ele foi responsável por diversas torturas com chicotes e cassetetes. Muitas de suas vítimas eram mordidas por cães e frequentemente tinham ossos dos braços e das pernas quebrados. Foi essa extrema brutalidade que lhe rendeu o notório epíteto de O Açougueiro de Lyon.

Em julho de 1987, o casal Klarsfeld conseguiu levá-lo para julgamento. Na cidade de Lyon, na França, ele foi acusado de 177 crimes contra a humanidade, além de responsabilizado pela deportação de quase 100 pessoas. Por isso, foi condenado à prisão perpétua.

Barbie durante seu julgamento / Crédito: Getty Images

 

“A indiferença é um perigo. Os jovens europeus às vezes não se dão conta de tudo isto, porque desde o final da Segunda Guerra Mundial vivem na riqueza e no conforto, e não lhes interessa a história. É preciso que permaneçamos vigilantes. Os extremos se mobilizam com facilidade, mas as pessoas moderadas, não”, alegou Serge.


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