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"Beatles da Irlanda": O terrível massacre da Miami Showband

Era um dia comum na vida dos músicos, que estavam voltando para casa após uma apresentação, quando um encontro com uma milícia local mudou tudo

Ingredi Brunato Publicado em 17/11/2020, às 18h00

Fotografia do The Miami Showband
Fotografia do The Miami Showband - Wikimedia Commons

The Miami Showband era uma banda de cabaré tão popular na Irlanda do Norte dos anos 60 e 70 que ficaram até mesmo conhecidos pelo apelido de “Beatles da Irlanda”. Para um grupo ser comparado com uma das boy bands de mais importância no mundo da música até hoje, dá para perceber que não faltava talento ou sucesso para eles.  

Embora a banda irlandesa tenha continuado ativa até 1982, já fazia então sete anos que três dos membros originais tiveram suas vidas perdidas em um episódio caótico e violento, que nada tinha a ver com os integrantes do grupo e tampouco com música, mas com uma milícia local. 

O massacre 

Em uma noite de julho de 1975, cinco dos seis membros da The Miami Showband estavam na estrada em seu micro-ônibus — uma cena rotineira na vida de músicos —, voltando para casa após mais uma apresentação, quando foram interceptados por o que foi interpretado por eles como um posto militar. 

Não havia porquê desconfiarem de que algo suspeito ocorria ali: os homens armados que os pararam vestiam os uniformes do exército militar britânico, e quatro desses inclusive eram realmente da organização militar. 

Todavia, além do exército, aqueles homens em especial faziam parte de uma milícia local chamada Ulster Volunteer Force (UVF), e estavam ali para colocar uma bomba-relógio no veículo da banda. Foi então que aconteceu algo inesperado: a bomba explodiu precocemente, quando dois militares do UVF estavam tentando instalá-la no micro-ônibus. 

O restante dos milicianos reagiu atirando nos integrantes do The Miami Showband, que não faziam a menor ideia do que estava acontecendo. Três deles morreram bem ali. Os outros dois ficaram feridos, mas sobreviveram para contar a história. 

Repercussão na justiça  

A primeira dúvida que esse evento desperta é porque essa organização miliciana teria como alvo uma simples banda de cabaré? Segundo uma das interpretações mais aceitas, não teria nada a ver com os músicos em si, e sim com a patrulha da fronteira irlandesa. 

Ao implantarem a bomba naquele veículo, os milicianos teriam como objetivo pintar o The Miami Showband como contrabandistas de bombas, e poderiam aprovar leis de segurança mais rígidas. 

O tribunal que julgou o caso deu sentenças perpétuas para os dois soldados do exército britânico e um ex-soldado que estavam envolvidos no atentado. 

Repercussão na memória dos irlandeses

O massacre foi, inegavelmente, um abalo para a Irlanda do Norte, e um dos fatos que demonstra isso foi a inauguração em 2007 de um monumento em homenagem aos três integrantes do The Miami Showband que foram mortos durante o massacre, O'Toole, McCoy e Geraghty.

Fotografia do monumento / Crédito: Wikimedia Commons

 

A cerimônia onde foi revelado o monumento contou até mesmo com um discurso do primeiro ministro da época, Bertie Ahern, segundo foi relatado em um comunicado oficial do governo local. 

"O assassinato deles foi uma atrocidade que teve um impacto profundo em todos nesta ilha. É lembrado com tristeza até hoje. Nós nos lembramos da afeição que as pessoas de toda a Irlanda tinham por eles. Sua popularidade ultrapassou todas as fronteiras e todas as tradições. Eles simplesmente queriam entreter todos que amavam a música. Em uma época sombria, eles foram uma luz brilhante para muitos.", declarou Ahern

A história da banda de cabaré irlandesa que foi comparada com os Beatles, assim como a terrível narrativa miliciana em que foi envolvida sem seu consentimento, foram contadas em um documentário da Netflix chamado “Remastered: O massacre da The Miami Showband”.


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