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Bebidas feitas com maçãs de Chernobyl foram apreendidas, mas não pelo motivo que você imagina

A vodka artesanal feita com ingredientes cultivados em solo radioativo estava prestes a chegar às prateleiras dos supermercados quando um imprevisto ocorreu

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 12/05/2021, às 16h49

Garrafa da bebida excêntrica
Garrafa da bebida excêntrica - Divulgação/ University of Portsmouth

Em 2019, um grupo de cientistas ucranianos e britânicos que estavam estudando a Zona de Exclusão de Chernobyl, região que continua sendo afetada pela radioatividade liberada pelo acidente nuclear de 1986, decidiram usar grãos semeados no solo dali para criar bebidas destiladas

Eles terminaram descobrindo que, embora os grãos, após colhidos, contivessem traços de radioatividade, o processo de destilação fazia com que os materiais tóxicos fossem separados, e o produto final fosse apropriado para consumo. A questão foi esclarecida por uma matéria da época do LiveScience. 

Foi criada a partir deste conceito a Chernobyl Spirit Company, que produz vodka artesanal a partir de maçãs plantadas nos territórios abandonados da cidade ucraniana (a certo ponto, o grupo decidiu trocar os grãos de centeio pela fruta, mas a eficácia da destilação para remover a radioatividade continua a mesma). 

Fotografia de parque de diversões na hoje cidade fantasma de Pripiat, que é vizinha de Chernobyl/ Crédito: Wikimedia Commons

 

Três anos depois, todavia, após a companhia fabricar seu primeiro lote de garrafas da bebida alcoólica excêntrica - que foi nomeada como Atomik - todas as 1.500 unidades acabaram sendo apreendidas pela polícia da Ucrânia e impedidas de serem comercializadas. 

Reviravolta sem lógica 

"Parece que eles estão nos acusando de usar selos fiscais ucranianos falsificados, mas isso não faz sentido, já que as garrafas são para o mercado do Reino Unido e estão claramente rotuladas com selos fiscais válidos do Reino Unido", relatou o fundador da Chernobyl Spirit Company, o professor Jim Smith, em um comunicado publicado no site da empresa. 

O profissional ainda explicou que o principal objetivo por trás do projeto é revitalizar o comércio da região, utilizando para tanto os recursos naturais que ela ainda tem a oferecer. “Estamos trabalhando muito para abrir um negócio para ajudar a trazer empregos e investimentos para as áreas afetadas de Chernobyl na Ucrânia”, comentou Smith

Um dado relevante sobre a companhia é que ela pretende redirecionar 75% de todos os seus lucros com a venda das bebidas Atomik para a comunidade que vive no distrito de Narodychi, que é o local dentro da Zona de Exclusão onde eles plantaram suas maçãs, e também um que, apesar do perigo residual da radioatividade, possui hoje uma população de quase 10 mil pessoas de acordo com um artigo recente do LiveScience. 

Fotografia mostrando uma das entradas da Zona de Exclusão / Crédito: Wikimedia Commons

 

Caso as garrafas tivessem chegado a ser comercializadas, elas seriam ainda o primeiro produto originado da região desde o ano do desastre nuclear. As boas intenções dos fabricantes, contudo, não puderam impedir a sua ordem de apreensão por promotores da cidade de Kiev, de forma que agora a questão será debatida em tribunal. 

A advogada da Chernobyl Spirit Company, Elina Smirnova, também se manifestou no comunicado publicado no site, apontando que a atitude das autoridades locais havia sido prejudicial não apenas para a companhia, mas para eles mesmos. 

“Este caso é um exemplo claro de violação da Lei ucraniana pelos promotores de Kiev. Eles têm como alvo uma empresa estrangeira que tentou estabelecer um negócio ético para, em primeiro lugar, ajudar a Ucrânia. As ações das autoridades ucranianas de aplicação da lei estão prejudicando a reputação da Ucrânia como um país aberto para fazer negócios. Ainda acreditamos que a verdade vencerá”, afirmou ela. 


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