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Bem antes do Natal: nossos ancestrais davam presentes há 33 mil anos

Apesar de não ter nenhuma relação com a tradição cristã, a prática tinha objetivos semelhantes

Fabio Previdelli Publicado em 15/12/2020, às 15h20

Imagem ilustrativa de presentes
Imagem ilustrativa de presentes - Pixabay

Em época de Natal, a troca de presentes já virou uma rotina no mundo inteiro. O costume, religiosamente falando, surgiu no nascimento de Jesus, quando os reis magos lhe regalaram ouro, mirra e incenso.  

Apesar disso, a prática só passou a ser uma tradição natalina, de fato, no ano de 354, quando o Papa Libério a oficializou. Além dos três reis magos, a distribuição de presentes também se popularizou através da história de São Nicolau, bispo que viveu na Turquia no século 4 e era conhecido por ajudar pessoas, sobretudo, crianças. 

Hoje em dia, essa tradição já é bem mais difundida, se tornando uma importante data para o calendário varejista. Para se ter uma ideia, segundo dados da Associação Brasileira de Shopping Center (Abrasce), no ano de 2019 houve um crescimento de 3,1% nas vendas de Natal, o que significa que as vendas acumuladas bateram a exorbitante quantia de 192 bilhões de reais.  

Porém, fora da tradição cristã, o ato já acontecia, sendo, inclusive, muito mais antigo do que a passagem relatada na Bíblia.

Pelo menos é isso que explica um estudo publicado em março deste ano no PNAS, que diz que a prática já era comum há 33 mil anos.  

O estudo 

De acordo com os pesquisadores, na pré-história da África, a troca de presentes entre membros de diferentes grupos já era comum, com uns dando aos outros pingentes feitos de casca de ovo de avestruz

O ato, conforme explicam os estudiosos, eram praticados por caçadores-coletores que vivam no deserto de Kalahari, no sul da África.

O estudo diz que esses presentes eram ofertados para pessoas de outros grupos que estavam passando por dificuldades, o que, de certa forma, era uma maneira de cimentar laços, como se fosse a confirmação simbólica de que existia uma confiança mútua entre eles quando fosse necessário.  

Graças a descoberta desses pingentes em Lesoto, os pesquisadores concluíram que a pratica já era bastante fundamentada no sul da África há 33 mil anos, no mínimo. Tornando-a muito mais antiga e ampla do que se imaginava.   

Pingente feito fr casca de ovo de avestruz / Crédito: Divulgação/ Brian Stewart/ PNAS

 

A descoberta, segundo Brian Stewart, professor assistente da Universidade de Michigan e coautor do estudo, só mostra o quão os seres humanos são totalmente seres sociáveis. 

"As contas de casca de ovo de avestruz e as joias feitas a partir delas agiram basicamente como versões da Idade da Pedra das 'curtidas' no Facebook ou no Twitter, simultaneamente reafirmando as conexões entre pessoas e mostrando aos outros o status desses relacionamentos", declarou em comunicado

Um fato que corrobora e torna isso muito mais importante e encantador é que naquela região não existia avestruzes, o que leva a crer que esses ornamentos não eram feitos por lá.

Pelo contrário, eles eram oriundos de regiões muito mais distantes, o que levantou a suspeita de que esses objetos fossem repassados entre grupos, formando uma verdadeira “rede de presentes”.  

A conclusão

Para chegarem à conclusão, os pesquisadores analisaram a composição química das cascas dos ovos. Segundo explicam, quando um avestruz se alimenta, ele também acaba ingerindo diversos detritos, que acabam se tornando parte das cascas de seus ovos.

Assim, a identificação desses elementos permite que seja feita uma relação com diferentes solos de distintas regiões, o que possibilita determinar de onde eles vieram.  

Sendo assim, as análises constataram que quase 80% dos presentes encontrados no Lesoto não vieram de avestruzes que viveram naquela região. "Esses ornamentos vieram consistentemente de longas distâncias", explicou Stewart

Conforme o estudo indica, os detritos presentes na casaca dos ovos dos avestruzes só poderiam ser revelados a mil quilômetros de distância do local em que foram encontrados, algo que os cientistas classificaram como notável.  

Além disso, também foi estabelecido que esses pingentes acabaram sendo dados em um período climático turbulento, entre 59 e 25 mil anos atrás. "Essas redes de intercâmbio poderiam ser usadas para obter informações sobre recursos, condições de paisagens, animais, alimentos vegetais, outras pessoas e talvez parceiros no casamento", concluiu Stewart


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