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Bette Davis x Joan Crawford: A maior rivalidade da História de Hollywood

Os bastidores da longa e icônica briga das duas maiores estrelas da época de ouro do cinema hollywoodiano

Paola Churchill Publicado em 08/03/2020, às 11h00

Bette Davis e Joan Crawford
Bette Davis e Joan Crawford - Divulgação

O meio artístico sempre foi competitivo. Joan Crawford já tinha uma carreira consolidada no cinema americano, quando uma novata chamou sua atenção: Bette Davis começou a ganhar vários papéis em produções de Hollywood, assim começou uma das maiores rivalidades da cultura americana.

Quem foi Bette Davis?

Bette começou sua jornada em pequenos papéis na Broadway, mas logo chamou a atenção dos estúdios de Los Angeles, devido ao seu talento. Não demorou muito para que protagonizasse diversos filmes que eram aclamados pela crítica e pelo público. Ficou conhecida como Bette Davis eyes.

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Bette Davis no início da carreira/ divulgação 

Apesar de ser muito reconhecida pelo seu talento em frente a câmera, era zombada por ser fora dos padrões de beleza. Contudo, nunca se importou com isso, pois queria ser reconhecida pela sua atuação. Seus filmes de maior sucesso São O Homem de Deus (1932) e Jezebel, a Perigosa (1938) filme que ganhou o sonhado Oscar de Melhor atriz.

Quem foi Joan Crawford?

Diferente de Davis, o maior sonho de Crawford era de ser bailarina. Após um tempo trabalhando com a dança em companhia de teatros independente, conseguiu um emprego como dançarina da Broadway.

Em 1925, teve sua grande chance ao estrelato ao assinar com a Metro-Goldwyn Mayer. Ganhou reconhecimento pelo seu talento, mas também pela sua beleza, e trabalhava com isso a seu favor se tornando uma das maiores divas de sua geração. Ganhou o Oscar por sua atuação em Mildred Pierce (1945).

Como a briga das duas começou?

Na década de 40, ambas eram as queridinhas da grande tela. Joan era conhecida por ser uma diva nas personagens que interpretava mas também em sua vida pessoal. Era lembrada por seus relacionamentos fora das câmeras, assumidamente bissexual, Crawford tinha uma lista de casos famosos que se relacionava, entre os nomes estavam Audrey Hepburn e Clarke Glabe.

Na contramão, Bette sempre foi conhecida por ser uma atriz mais séria, focando em papéis dramáticos, muitas vezes vilanescos. Quando foi perguntada sobre a rival disse: “Por que eu sou boa interpretando megeras? Pois acredito não ser uma. Talvez seja esse o motivo da senhorita Crawford sempre atuar como a mocinha”.

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Joan Crawford era a diva do cinema hollywoodiano/ Créditos: Wikimedia Commons 

A rivalidade entre as duas sempre foi algo questionado, mas não passava de um rumor, o culpado de tudo isso vir à tona, foi o ator Franchot Tone.

Tone e Davis faziam um par amoroso em Jezebel, a Perigosa.

A atriz logo se apaixonou pelo playboy, mas não foi a única. recém-divorciada de Douglas Fairbanks Jr, Crawford se interessou pelo ator. Segundo boatos da época, a atriz o convidou para um jantar e ao abrir a porta de casa estava completamente nua. Não demorou muito para os dois se casarem, para infelicidade de Bette.

Crawford ganhou o amor do homem, mas foi Davis que ganhou a estatueta de melhor atriz pelo seu papel no filme. Quando foi pegar seu prêmio, com um simples vestido azul, Crawford, que sempre aparecia deslumbrante em todas as suas aparições públicas tratou de dizer “Mas que bela camisola, Bette”, causando ainda mais tensão na briga das duas.

O que terá acontecido com Baby Jane?

Quanto mais velhas ficavam, menos trabalhos apareciam para ambas. Davis querendo brincar com a situação postou um anúncio na Hollywood Reporter “Mãe de três filhos, divorciada, norte-americana. 30 anos de experiência como atriz de cinema. Ainda em atividade e mais fácil de lidar do que os rumores dizem. Gostaria de um emprego em Hollywood (já trabalhou na Broadway)”.

O que a veterana não esperava é que sua rival fosse até ela para fazer uma proposta: que as duas protagonizassem a adaptação do livro “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”.

A história gira em torno da rivalidade de duas irmãs ex atrizes de cinema, Baby Jane (Bette Davis) ex estrela mirim alcoólatra, que tortura sua irmã Joan (Joan Crawford) que conseguiu o estrelato na vida adulta, mas que a carreira foi interrompida devido um acidente.

Cena do filme "O que terá acontecido com a baby Jane?/ Divulgação 

 

Deixaram a rivalidade de lado, pois sabiam que aquela seria a chance de voltarem a ter sucesso. A trégua durou pouco tempo, porque logo começaram as brigas na tela e nos bastidores da produção.

Em uma das cenas do longa, podendo ser acidente ou não, Bette chutou a cabeça de Joan com força. Enquanto a colega teve que ser levada as pressas para a enfermaria para levar alguns pontos, Davis afirmava com calma que mal a havia tocado.

A vingança de Joan veio em seguida, ela sabia dos problemas na coluna que sua rival possuia e, em uma das cenas que ela precisava ser carregada por Davis, providenciou uma cinta ergométrica cheia de pedras para usar e ficar um esforço excruciante ser levada pelas escadas.

O filme foi um sucesso de bilheteria, e as duas além de fazerem uma fortuna (pois tinham porcentagem nos lucros), fizeram seu tão esperado retorno. Pelo seu papel como a irmã insana, Bette Davis recebeu sua décima e última indicação ao Oscar e Joan, não recebendo nenhuma, ficou furiosa e decidiu se vingar — novamente.

Procurou todas as artistas que concorriam a mesma categoria e perguntava se não poderia receber o prêmio no lugar delas. Todos esperavam a vitória de Davis, mas a ganhadora daquele ano foi Anne Bancroft. Quando Crawford subiu ao palco deslumbrante e aceitando o prêmio da amiga, Davis ficou chocada com tal atitude “Eu quase caí morta! Fiquei paralisada com a atitude dela – aquele comportamento foi desprezível”.

Elas nunca mais trabalharam juntas. Joan morreu aos 73 anos, por decorrência a um câncer no fígado. Muitos afirmam que após a morte da colega, Bette teria dito  “Você não deve nunca dizer coisas ruins sobre os mortos, apenas dizer coisas boas. Joan Crawford está morta. Que bom!”. Bette morreu, aos 81 anos, por conta de um câncer de mama.


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