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Big Nose Kate: a rebelde prostituta do Velho Oeste e amante do temido pistoleiro Doc Holliday

Lendas dizem que, certa vez, a húngara ateou fogo em um antigo galpão e, com uma pistola em cada mão, salvou seu companheiro da lei

Isabela Barreiros Publicado em 18/04/2020, às 10h00

A prostituta Big Nose Kate
A prostituta Big Nose Kate - Wikimedia Commons

São muitas as lendas sobre pistoleiros, cowboys e xerifes do Velho Oeste americano. Essas pessoas se tornaram parte do imaginário sobre o período vivido nos Estados Unidos entre o século 19 e início do século 20. O papel das mulheres na época, no entanto, permaneceu durante muito tempo apagado da História, o que não quer dizer que elas não tenham tido ativa participação.

Mary Katherine Horony, também conhecida como Big Nose Kate, foi uma dessas mulheres. Nascida em Budapeste, na Hungria, em novembro de 1850 e em uma família rica, teve sua vida mudada quando, em 1860, seu pai, médico renomado, foi convidado pelo monarca Maximiliano do México para ser seu cirurgião particular. Aceitada a convocação, a família se deslocou ao continente americano.

Quando o governo caiu no México, no entanto, eles tiveram de fugir para os Estados Unidos, em 1865. Chegando lá, se instalaram em uma cidade predominantemente alemã, Davenport, no estado americano de Iowa. Mas isso não duraria muito: pouco tempo depois, o pai, Michael Haroney, faleceu e, poucos meses depois, sua esposa também, deixando seus filhos órfãos.

Separados dos pais, cada um foi para uma casa diferente. Katherine, aos seus 14 anos, foi deixada na casa do advogado Otto Smith, que se tornou seu lar adotivo. Ela, porém, não permaneceu no local por muitos anos. Existem suspeitas de que a insatisfação da menina estaria relacionada com abusos físicos e sexuais sofridos na residência, mas não há comprovação histórica para a tese.

Kate, à esquerda, e sua irmã mais nova Wilhelmina, por volta de 1865 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assim, aos 16 anos, Kate, como passou a ficar conhecida, fugiu da casa de Smith e se infiltrou em um barco com destino à cidade de San Louis, no Missouri. Naquele momento, sua história estava apenas começando.

Já em 1869, a moça foi registrada como prostituta da senhora Blanch Tribole, ainda no mesmo local. No entanto, cinco anos depois, seu nome apareceu nos registros da cidade de Dodge City, no Kansas, em uma multa aplicada por ela ter trabalhado como prostituta em um bordel na região administrado por Nellie Bessie Earp. Mas isso não era tudo, ela se mudaria mais uma vez, agora para Fort Griffin, no Texas, onde conheceria uma das figuras mais icônicas do faroeste americano.

Em 1877, em um salão da cidade, Kate conheceu Doc Holliday, dentista, apostador e pistoleiro estadunidense. A sintonia entre os dois foi instantânea, e o que poderia ser apenas um caso tornou-se um relacionamento de longa data, pelo menos é o que acreditam diversos historiadores. O mais difícil de estudar períodos antigos é que são poucos os recursos históricos que comprovam detalhes da história de vida de pessoas em específico.

Kate por volta dos seus 50 anos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um episódio muito interessante marcou essa relação. A moça ajudou Doc a fugir de um grupo de vigilantes que queriam vingança depois que o pistoleiro matou um homem durante briga de bar. Para realizar tal ato, Kate ateou fogo em um antigo galpão, que ameaçava acabar com toda a cidade. Enquanto as pessoas estavam ocupadas tentando apagar o fogo, a prostituta, com uma pistola em cada mão, como diz a lenda, enfrentou o policial que vigiava Doc, desarmando-o e fugindo com seu amante.

No entanto, um dia Kate bebeu demais e, se aproveitando da situação, um grupo de pessoas a levou para assinar um depoimento que atestava os assassinatos cometidos por Doc. Ao firmar sua assinatura, a traição estava posta. Quando foi liberto, o dentista abandonou Kate.

Cada um dos dois seguiu a vida normalmente. Em 1880, a mulher ficou conhecida por administrar um próspero bordel na cidade de Tombstone, no Arizona. Mas quando Doc morreu, em 1887, Kate se casou novamente. Com o ferreiro irlandês George Cummings, começou a ter uma vida normal e acredita-se que eles tenham tido uma padaria enquanto moravam em Bisbee, no Arizona.

Os dois se separaram com o tempo, ao que Cummings se tornou um alcoólatra. Em 1931, Kate, com 80 anos, solicitou a entrada no asilo Casa dos Pioneiros do Arizona. Durante seus anos no local, deu várias entrevistas contando sobre sua vida no faroeste ao lado do pistoleiro. Há um mito de que ela teria morrido por uma bala perdida disparada no salão Brewery Gulch em Bisbee, Arizona, mas a versão mais aceita é que Kate faleceu devido a uma insuficiência aguda do miocárdio, sete dias antes do seu aniversário de 91 anos.


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