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“Não foi sexo”: 20 anos do escândalo Clinton-Lewinsky

Há 20 anos, Bill Clinton, admitia ter tido uma "relação física imprópria" com a estagiária Monica Lewinsky. Após dizer não ter havido sexo. Levando a um escândalo que marcou uma época

sexta 17 agosto, 2018
Bill Clinton e Monica Lewinsky
Bill Clinton e Monica Lewinsky Foto:Reprodução

Era 26 de janeiro de 1998, quando uma movimentação incomum tomou conta da Casa Branca, nos Estados Unidos. Na sala da conferência de imprensa, todos esperavam por Bill Clinton, democrata, 42º presidente do país.

Durante a coletiva Reprodução/ Youtube

Ao lado de sua esposa, Hillary, o dirigente não anunciaria novos planos de governo. Ele estava prestes a emitir um comunicado sobre o escândalo que veio à tona cinco dias antes: Clinton havia sido acusado de ter relações sexuais com Monica Lewinsky, de 22 anos, estagiária da Casa Branca. O que negou diante da corte. 

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O que ele tinha a dizer? Sim, tivera “relações impróprias” com a estagiária. Era o auge de um dos maiores escândalos da história dos EUA.

Um homem com um passado

O presidente conheceu Lewinsky em novembro de 1995. Mantiveram relações sexuais em nove ocasiões, que duraram até março de 1997. Mais exatamente, sexo oral dela para ele. Como passavam muito tempo juntos, os supervisores optaram por transferi-la para outro setor.

Mas Bill tinha um passado. Em 1994, Paula Jones, uma ex-funcionária do estado de Arkansas, no sudoeste dos EUA, iniciara um processo por assédio sexual contra Clinton. Jones alegou que o assédio aconteceu em 1991 — mas manteve sigilo até o fim do vencimento do prazo de prescrição do processo. Ela pediu US$750 mil (US$ 1.258.816 em valores atuais) por danos morais.

A princípio, a ação foi recusada por falta de provas. Mas isso mudou quando Linda Tripp, funcionária do Estado, a quem Lewinsky havia revelado sobre o relacionamento com Clinton, resolveu se envolver.

Ao lado de Lewinsky Wikimedia Commons

Tripp instruiu Lewinsky a guardar os objetos que Bill havia lhe presenteado. Um deles, a peça mais famosa do caso: um vestido azul com manchas de sêmen, que Tripp convenceu Monica a não lavar a seco, como pretendia. Tripp também gravou conversas secretas do presidente.

Monica dividida

No começo, Levinsky não jogou no lado da acusação. Convocada a depor no caso de Jones, declarou que não tivera envolvimento sexual com Clinton.

O presidente, perguntando se tivera relações sexuais com Monica, recebeu uma definição bem precisa do que isso queria dizer: “uma pessoa engaja em relações sexuais quando a pessoa conscientemente se engaja ou causa contato com a genitália, ânus, virilha, seios, coxa interna ou nádegas de qualquer outra pessoa com a intenção de excitar ou gratificar o desejo sexual de qualquer pessoa”. A resposta foi: não.  

Em janeiro de 1998, a estagiária tentou persuadir Linda Tripp a cometer perjúrio em favor do presidente, negando o que sabia. Foi em vão: as fitas acabaram nas mãos de Kenneth Starr, advogado que investigava outra investigação sob Clinton, por especulação imobiliária. Reveladas, deixavam claro que Monica e Bill estavam mentindo. 

Paula Jones após a revelação do assédio Reprodução/ Youtube

Lewinski, assim, passou de testemunha a acusada. Poderia ser presa por perjúrio. Em julho, foi informada que receberia imunidade em troca de depoimentos e provas verdadeiras. E mudou de lado. O vestido com a mancha de sêmen do presidente foi entregue aos investigadores. Com as provas, Bill Clinton admitiu em 17 de agosto que se envolveu numa "relação física imprópria" com a estagiária. Mantendo que seu testemunho anterior fora sincero. A revelação foi feita em rede nacional.

O governante foi julgado pela juíza Susan Webber Wright. Estava sendo acusado de prestar depoimentos falsos sobre o seu envolvimento com Lewinsky e acabou multado em US$ 90 mil (US$ 138,473 em valores atuais). Em dezembro, o Congresso votou a favor do início de um processo de impeachment, por perjúrio e obstrução da justiça. O caso foi ao senado e, mesmo com a maioria da oposição republicana, acabou não sendo aprovado. 

O custo da mentira

Clinton governaria até o fim do mandato, em 20 de janeiro de 2001, deixano a cadeira para o republicano George W. Bush, que, ao menos em parte, foi ajudado pelo escândalo.

Sua esposa, Hillary Clinton, o defendeu em todo o processo, denunciando uma “vasta conspiração de direita”. E talvez tenha pago por isso. Nas eleições de 2016, que perderia para trump, o caso voltou a assombrá-la, com acusações de crueldade, conivência ou uma certa falta de sentimentos estratégica em seu comportamento em 1998. (Hillary venceu a maioria dos votos, mas perdeu no colégio eleitoral).

Quanto à Monica, foi talvez a única real “condenada”. Foi alvo de inúmeras piadinhas machistas e sua reputação vedou a ela uma carreira normal. A partir daí, fez um pouco de tudo: lançou um livro (e ganhou bastante com isso), tentou ser garota propaganda de dietas, depois teve uma grife, ameaçou se retornar como personalidade de TV, formou-se em psicologia aos 41 anos e hoje é uma ativista anti-cyberbullying. 

Thiago Lincolins


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