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Black Mambas: a saga das mulheres que lutam para impedir a caça ilegal na África do Sul

O intenso trabalho das mulheres é capaz de reverter o atual cenário da caça no continente

Victória Gearini Publicado em 10/01/2021, às 09h00

Black Mambas, as heroínas da África
Black Mambas, as heroínas da África - Divulgação /Adrienne Pitts/Site Black Mambas

No continente africano, a guerra por causa da venda ilegal de chifres de rinocerontes é travada há anos. De um lado, caçadores matam animais para retirar seus membros que valem mais do que ouro. Do outro lado, o Black Mambas, grupo composto por mulheres e homens (em matéria de 2018, o site Condé Nast Traveler relata que apenas dois homens trabalhavam no projeto) que lutam contra a caça ilegal.

O trabalho é crucial quando analisamos as estatísticas. Estima-se que a África do Sul seja o lar de cerca de 80% da população mundial de rinocerontes.

No entanto, somente em 2017, 1.028 animais dessa espécie foram mortos, contabilizando a caça de três rinocerontes por dia, como apontam as pesquisas do Departamento de Assuntos Ambientais da África do Sul. Em 2018, pesquisas constataram uma redução de 25%, contudo, os dados ainda são alarmantes. 

Parte dessa redução pode ser assimilada às patrulhas das Black Mambas, uma unidade anti-caça composta principalmente por mulheres desde 2013.

"Os objetivos do projeto Black Mamba não são apenas a proteção dos rinocerontes através do pé no chão, mas também por ser um modelo em suas comunidades. Esses 23 jovens guardas florestais e 7 monitores ambientais querem que suas comunidades entendam que os benefícios são maiores por meio da conservação de rinocerontes ao invés da caça furtiva, abordando a decadência social e moral que é um produto da caça furtiva de rinoceronte em suas comunidades", explica o site do grupo na introdução.

Heroínas 

Com base na Reserva Natural Balule, no Parque Nacional Grande Kruger da África do Sul, o grupo conta com pessoas que atuam na proteção de rinocerontes. Lutando contra a extinção dessa espécie, as guerreiras fazem do possível ao impossível para impedir a morte dos animais.

Diferente de outras unidades anti-caça furtiva, o Black Mambas é composto por mulheres, que não utilizam armas. Geralmente, os grupos que lutam contra a caça ilegal são integrados por militares fortemente armados.

No entanto, as Black Mambas acreditam que esta guerra não precisa ser travada com balas, pois, para elas o objetivo não é matar outras pessoas, mas sim salvar a vida de rinocerontes e protegê-los da ganância humana. 

Retrato de rinocerente na reserva / Crédito: Divulgação / Amy's Wildlife Photograph

 

“Quero proteger a natureza e garantir que meus filhos e as gerações futuras possam ver rinocerontes e todos os outros animais selvagens na vida real, não apenas com imagens em livros”, disse a integrante Collet Ngobeni em entrevista ao Condé Nast Traveler, em 2018. 

Os desafios 

Na mata, as defensoras precisam enfrentar animais perigosos, o cansaço e as emboscadas dos inimigos. Durante boa parte do dia elas procuram caçadores. Por meio de monitoramento e patrulhas diárias, reúnem informações sobre esquemas de venda ilegal dos chifres de rinocerontes.

Elas seus dias, ainda, em desfazer armadilhas e procurar por alojamentos de caçadores. Caso sejam apanhadas pelo inimigo, possuem walkie talkies para chamar por reforços.

Fato é que durante oito horas por dia, as guerreiras cruzam as planícies da reserva, onde as temperaturas atingem níveis elevados. Além disso, precisam enfrentar durante o trajeto, riscos de ataques de elefantes, búfalos e leões.

O legado 

Considerado modelo para essa geração, o grupo possui programas em que trabalham com crianças entre 12 e 15 anos. Desde 2015 o Bush Babies, por exemplo, foi introduzido em dez escolas ao redor do Parque Nacional Greater Kruger.

A atividade consiste em ensinar aos jovens a importância da vida selvagem e explicar como protege-lá. "O Programa Bush Babies está agora em 10 escolas nas comunidades que fazem fronteira com o oeste do Parque Nacional Kruger. Atualmente, atingindo 870 crianças com idades entre 12/15 anos, pretendemos criar uma comunidade ambientalmente alfabetizada", relata o site do grupo.

Em um segundo momento, os alunos também são levados à reserva, onde são apresentados aos animais que estudaram. O objetivo da atividade é conectá-los à natureza, a fim de compreenderem a sua importância para preservação do meio ambiente. 

Desde que começaram os trabalhos de preservação, as Black Mambas tornaram-se heroínas em suas comunidades, provando a importância da luta feminina em diferentes setores da sociedade. 


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