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Benders: A sanguinária família de assassinos dos EUA

Usando a simpatia e um martelo, mãe, pai e filhos mataram dezenas de pessoas em apenas um ano de vivência numa pousada localizada no Kansas

André Nogueira Publicado em 11/08/2019, às 08h00

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- Domínio Público

No Kansas, EUA, em uma sigela pousada, vivia uma família pouco tradicional. Marido, esposa, um filho e um caçula compartilhavam uma rotina pacata. No entanto, por trás da máscara de normalidade e amor, escondia-se uma realidade perversa: John e Marli Bender, junto aos filhos John Jr. e Kate, eram assassinos em série que faziam suas vítimas na mesa do jantar entre 1872 e 1873.

Antes de começar, precisamos destacar que esses nem eram os nomes reais da família. Diferentemente do que eles afirmavam aos habitantes da região, moravam naquela pousada um homem chamado John Flickinger (provavelmente um europeu), junto a Almira Meik, mulher que abandonara 12 filhos que tivera.

O método da família era baseado em dois elementos: a sedução e a surpresa. Basicamente, os crimes da família Bender ocorriam num mesmo cenário, que era uma sala grande com uma cortina entrecortando o cômodo.

Casinha onde os crimes aconteciam / Crédito: Reprodução

 

Quando um hospede com cara de rico chegava ao local, ele era colocado numa espécie de lugar de honra, de costas para a cortina. Enquanto Kate, a mais jovem e bonita, enrolava ou seduzia o visitante, John e o filho chegavam por trás e acertavam a vítima com um martelo na cabeça.

Depois de apagado, o infeliz hóspede tinha sua garganta cortada. Mas ele não foi o único a ter uma morte brutal. A família arrastava os defuntos para um alçapão que existia do outro lado da cortina e jogavam as vítimas em um porão. Em seguida, a família se reunia no local, despia o corpo e, em algum momento, enterrava o cadáver em sua propriedade, sendo a maioria no pomar do quintal.

O reinado de marteladas dos Bender durou praticamente um ano, mas logo acabou com a chegada de William York na pousada dos horrores. Ele havia passado rapidamente no local durante sua ida a Fort Scott e, no retorno, parou para descansar. William nunca mais voltou para casa, mas havia comentado com o irmão, Ed, sobre a estalagem. O familiar foi até a pousada e perguntou à família sobre o paradeiro do irmão.

Gravura dos membros da família / Crédito: Wikimedia Commons

 

John se fez de desentendido e disse que era possível que William tivesse arrumado problemas com os nativos da região. Não se levantou muita suspeita até que, no final do jantar que teve na casa, Ed encontrou um amuleto de ouro com fotos da esposa e da filha do irmão, debaixo de uma cama. Ele foi embora, e retornou no dia seguinte com o xerife.

Naquele momento, os Bender já tinham fugido. Os policiais, incrédulos, investigaram o local e encontraram, logo de cara, doze corpos enterrados. Entre eles, o corpo de William York. Ed, que era coronel do exército, usou sua posição para fazer uma profunda busca pelos fugitivos, mas os Bender nunca foram encontrados.

Há muitas lendas de como eles morreram, incluindo histórias de grupos de justiceiros, sentenças sumárias, esquartejamentos públicos e até carbonização em vida por fogueira. Mas ninguém realmente sabe como os assassinos encontraram seu fim.