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Botas Verdes: o homem que morreu no Everest e virou símbolo

De sua identidade à seu desaparecimento, Botas Verdes prossegue sendo o mistério do Everest

Ingredi Brunato Publicado em 09/08/2020, às 18h00

Corpo do Botas Verdes.
Corpo do Botas Verdes. - Wikimedia Commons

É difícil falar do Monte Everest sem falar de Botas Verdes. Embora a montanha esteja repleta de cadáveres, o motivo deste ter ficado famoso provavelmente se deve à sua localização privilegiada, em uma das principais rotas na porção nordeste do cume. 

Tanto que, com o tempo, Botas Verdes se tornou um ponto de referência para os alpinistas usando essa rota. Outro fator que influencia na fama é a cor vibrante de suas botas de montanhismo da marca Koflach. 

O primeiro vídeo - e registro fotográfico em geral - mostrando Botas Verdes foi feito em 2001 pelo alpinista francês Pierre Paperon. Quando perguntou sobre o corpo a membros de um grupo indígena local, esses responderam que ele pertencia a um alpinista chinês que tentara a escalada seis meses antes. 

Foto do Monte Everest. Crédito: Wikimedia Commons. 

 

Quem é, afinal, Botas Verdes 

Apesar disso, o cadáver de Botas Verdes nunca foi oficialmente identificado, e a versão mais popular da história tampouco é essa dada pelo grupo indígena. Uma das suposições mais repetidas sobre a identidade de Botas Verdes diz que se trata de um alpinista indiano chamado Tsewang Paljor. 

Ele era um chefe de polícia de 28 anos, em expedição com a Polícia de Fronteira Indo-Tibetana. Paljor morreu no Everest em 1996, portanto cinco anos antes de Pierre achar o corpo. 

No dia da morte de Tsewang Paljor, ocorreu uma forte nevasca que acabou tirando a vida não só do indiano, mas também de outros oito alpinistas que estavam escalando a montanha. O estrago foi tanto, que o evento acabou conhecido como Desastre de 1996 do Monte Everest. 

O fato de tantas pessoas terem morrido por conta da mesma nevasca apenas aumenta a dificuldade da identificação de Botas Verdes, inclusive já tendo sido levantada a hipótese de ser um outro membro da equipe de Paljor, Dorje Marup. 

A expedição de onde Botas Verdes não voltou  

Naquele dia de maio, eles começaram a escalada com seis pessoas, porém metade desistiu no caminho. Teriam pressentido a nevasca, talvez? Os três restantes, Paljor incluso,  prosseguiram caminho e foram capazes de chegar ao topo do Everest. 

Os alpinistas realizaram uma oferta de bandeiras de oração, e outros itens simbólicos, e o líder da expedição, Tsewang Smanla, decidiu que ficaria ali por mais alguns minutos. Ele seria o único dos três a se salvar. Tsewang Paljor e Dorje Morup foram pegos pela nevasca assim que iniciavam a volta. 

O mistério do seu desaparecimento 

Independente de quem era Botas Verdes quando vivo, é fato que ele se tornou parte da montanha após sua morte, e por isso foi tão estranho quando seu corpo desapareceu, em 2014. 

É possível que alguém o tenha enterrado, porém é preciso manter em mente que corpos congelados ficam duas vezes mais pesados, sendo preciso de seis a oito guias para fazer o trabalho de remoção do cadáver, cavando o gelo ao redor e então o arrastando para longe. 

Não parece algo que alpinistas casuais fariam em seu caminho para o topo, uma vez que possuem uma quantidade de oxigênio calculada em seus cilindros. Já as autoridades tanto da China quanto do Nepal afirmaram não ter a ver com o desaparecimento do corpo. 

Em 2017, foi avistado um corpo pendurado em um penhasco do Monte Everest, perto de uma tenda e outros destroços, e alguns especularam que podia ser o Botas Verdes, talvez transportado por uma outra nevasca. No entanto, não existe confirmação, de forma que o sumiço do mais famoso ponto de referência do Monte Everest se mantém ainda um mistério.


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