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Briga criativa e eternas saudades: A turbulenta amizade de John Lennon e Paul McCartney

Juntos, foram responsáveis por formar a banda que mais vendeu álbuns na história

Wallacy Ferrari Publicado em 17/12/2020, às 17h06

Paul e John juntos após show
Paul e John juntos após show - Wikimedia Commons

Os dois primeiros membros do Beatles se conheceram ainda na adolescência. Paul McCartney era mais tímido que John Lennon, tendo o primeiro encontro em uma festa onde o jovem se sentia deslocado, e John, por sua vez, era o “descolado do rolê”, conforme retratado no filme de 2009, 'O Garoto de Liverpool'.

Paul recusa uma cerveja oferecida pelo rapaz, mas o conquista tocando Twenty Flight Rock, de Eddie Cochran. Assim se iniciava uma das mais notáveis uniões da história da música, pouco tempo depois iniciando o conjunto musical ‘The Quarry Men’, que posteriormente teve George Harrison integrado nas guitarras e, por fim, tornou-se 'The Beatles'.

Contudo, se engana quem pensa que a parceria — que rendeu 13 álbuns de estúdio, 5 discos ao vivo e o status de banda com mais cópias vendidas, com cerca de 1 bilhão — foi completamente amistosa.

As intrigas da dupla começaram antes mesmo do fim oficial da banda, em 1970, e se estenderam através das carreiras longe do grupo.

O grupo reunido nos anos iniciais da banda, ainda sem Ringo / Crédito: Domínio Público

 

Turbulência

As primeiras brigas conhecidas foram por motivos criativos. No auge da banda, Lennon e McCartney tinham prioridade para que suas composições fizessem parte dos álbuns, com George Harrison tendo uma cota de apenas duas composições por álbum, segundo a revista Super Interessante.

Ambos começaram a se desentender com os constantes sucessos do grupo, que eram justificativas para um aumento individual. Com isso a dupla parou de compor músicas e chegava a passar o som em faixas separadas, evitando o contato em estúdio. No meio dessa briga toda, Ringo Starr ainda fazia as baixas de percussão com o elenco rachado.

Quando o grupo anunciou o fim, Paul ainda seria vítima de provocações de Lennon, que convidou os outros dois membros para gravar algumas faixas em seu álbum solo, incluindo 'Imagine'.

Ele chegou a afirmar que, ao gravar ‘Yesterday’ sem os outros membros quando ainda estava nos Beatles — conforme sugerido pelo produtor George MartinPaul já teria iniciado sua carreira solo.

George, Paul e John reunidos durante apresentação televisiva com os Beatles / Crédito: Wikimedia Commons

 

Legado 

Apesar das pazes pouco antes do assassinato de Lennon, em 1980, os amigos nunca mais entraram em estúdio para produzir juntos. A mágoa de Paul só foi revelada em entrevista ao radialista Howard Stern, no início de 2020. A música “How Do You Sleep?”, lançada por Lennon em 1971, continha um verso provocativo, onde afirmava que 'a única coisa que você fez foi ‘ontem’ [Yesterday]'.

McCartney manifestou chateação, afirmando que não tinha como se defender sem parecer um arrogante: “Acho que era tristeza, principalmente. O que eu poderia fazer? Sair e dizer, ‘Ah não, espere um minuto, eu não fiz ‘She’s Leaving Home’, ‘Eleanor Rigby’ e ‘Lady Madonna’? Vamos lá, temos algumas outras. Escrevi ‘Let It Be’. Eu sabia que não faria isso”.

No entanto, ele acrescentou que o tempo foi capaz de mudar sua mentalidade após assistir o documentário Get Back, de Peter Jackson: "Eu meio que comprei essa ideia de que eu e o John éramos rivais e não gostávamos um do outro. Mas você vê o filme e é tipo, ‘Graças a Deus, isso não é verdade.’ Nós obviamente estávamos nos divertindo juntos. Você pode ver que respeitamos um ao outro e estamos fazendo música juntos, e é uma alegria ver isso acontecer".

Vale ressaltar que os capítulos turbulentos do passado já não ocupam a mente de Paul.  No começo do mês, a morte de John Lennon completou 40 anos. Porém, mesmo após todos esses anos, a perda do ex-vocalista dos Beatles ainda não foi superada.

Em entrevista ao The New York Times, que foi repercutida pela Rolling Stones, o artista ainda revelou que é muito “difícil” pensar em Lennon e em tudo que aconteceu com ele. “Repassei o cenário na minha cabeça”. 

“Muito emocional. Tanto é que não consigo pensar sobre isso. Meio que implode. O que pode vir além de raiva, tristeza? Como qualquer luto, a única saída é lembrar de como John era bom. Porque eu não consigo superar o ato sem sentido”, diz. 

McCartney continua: “Não consigo pensar sobre isso. Tenho certeza que é alguma forma de negação. Mas a negação é a única maneira de lidar com isso”. O ex-Beatle ainda diz que, ao longo dos anos, sempre buscou encontrar algo que o ajudasse a superar a perda.  

Uma dessas coisas que o ajudou, segundo explica, foi a recente entrevista que teve com o filho de John, Sean Lennon. “Isso foi bom. Falar sobre como John era legal e preencher algumas lacunas”. 

 “São pequenas coisas que eu posso fazer (…) Mas, sabe, depois que ele foi morto, levaram-no para a funerária de Frank Campbell, em Nova York. Não passo por lá sem dizer: ‘Oi, John. Tudo bem, John? Olá, John’”, concluiu.   


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