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Briga em show e estupro: A luta de Kurt Cobain contra o machismo no rock

O vocalista do Nirvana chegou a criticar publicamente o Aerosmith e Led Zeppelin sobre o excesso de sexismo nas obras

Wallacy Ferrari Publicado em 02/05/2021, às 08h00

Kurt Cobain durante gravação do MTV Unplugged
Kurt Cobain durante gravação do MTV Unplugged - Divulgação / MTV

Um dos maiores expoentes da história do rock não apenas chamou atenção pelos riffs carregados de distorção e composições impactantes, mas liderou o movimento grunge — considerado, além de um gênero musical, um estilo de comportamento; Kurt Cobain, vocalista do Nirvana, rediou uma geração abusando de influências do punk.

Porém, engana-se quem acredita que o tom pesado reverberava nas ações. O tal movimento de Seattle fazia questão de enaltecer causas sociais em suas canções e apresentações, inclusive em suas principais bandas.

Layne Staley, vocalista do Alice in Chains, chegou a dar um soco em um apoiador de nazismo que estava na plateia de um show; Eddie Vedder, líder do Pearl Jam, conseguiu transformar um caso de bullying na premiada canção 'Jeremy', dando destaque ao debate sobre armamento civil.

No caso de Kurt, a luta contra o machismo, diversas criações buscaram dar visibilidade as causas sociais aproveitando o destaque de sua banda no cenário internacional fonográfico. Contudo, o ato não era comum em uma indústria tomada por medalhões do rock.

Kurt Cobain durante transmissão da rádio WFNX em 1991 / Créditos: Wikimedia Commons / Julie Kramer

 

Contra o machismo

A revista Far Out divulgou uma entrevista com Cobain, realizada em 1992, onde ele explicou como notou a presença do machismo nas letras de conjuntos consagrados: "Ainda que eu escutasse o Aerosmith e o Led Zeppelin, e eu de fato realmente curtia algumas das melodias que eles escreveram, eu levei muitos anos para perceber que muito delas tinha a ver com sexismo. A forma como eles simplesmente escreviam sobre seus pintos e sobre fazer sexo".

Na ocasião, ele explicou que, ao conhecer o punk rock, pôde compreender a música como uma ferramenta sociocultural e política e liberar a raiva que sentia do que chamou de “alienação”. Foi suficiente para mudar a vida do músico — e influenciar diretamente em suas obras até o caminho do sucesso, como contou o empresário do Nirvana, Danny Goldberg, em entrevista a Forbes no ano de 2019.

“Primeiramente, eu concordava com ele sobre isso. Segundamente, eu acho que ele ficava dividido: eu acho que ele gostava da música. Ele gostava da música do Led Zeppelin — e do AC/DC. Mas as letras o deixavam desconfortável, exatamente pela razão já dita”, explicou o agenciador.

Rockstar consciente

Em suas canções, fez polêmica com ‘Rape Me’ (‘Me Estupre’, em tradução livre), no disco In Utero; descrita como uma canção de libertação para vítimas de abusos sexuais, o astro explicou o cunho da composição em entrevista a MTV em 1993: “É uma canção anti — vou repetir — anti-estupro”.

No mesmo álbum, compôs “Frances Farmer Will Have Her Revenge On Seattle" ("Frances Farmer terá sua vingança em Seattle", em tradução livre), dando visibilidade ao caso da atriz homônima, que foi oprimida por produtores de Hollywood.

A luta contra o machismo também reverberou em recusas na indústria musical; Axl Rose, vocalista do Guns N’ Roses tentou conhecer o cantor durante a divulgação do álbum Nevermind, mas foi recusado por não corresponder com os comportamentos misóginos corroborados por sua banda, resultando em uma briga pública entre os astros.

Ainda teve de interromper uma canção durante um show na Califórnia para impedir um homem que infortunar uma garota da plateia, em 1993. O baixista Krist Novoselic comprou a defesa, estimulando os outros membros e espectadores a apontarem e darem risada do agressor: "Que legal hein, cara! Como se sente? Olhem para ele! [risadas irônicas]", apontou o músico.


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