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A brutal morte de Judith Barsi, o episódio que abalou Hollywood

Com abusos parentais frequentes, a adorável atriz mirim sofreu com os tratamentos submetidos para se adaptar ao cinema

Wallacy Ferrari Publicado em 02/07/2020, às 11h21

Imagem ilustrativa de boneca destruída
Imagem ilustrativa de boneca destruída - Pixabay

Filha de imigrantes húngaros, a pequena Judith Eva Barsi nasceu em 6 de junho de 1978, em Los Angeles, na Califórnia, e cresceu no polo cinematográfico de Hollywood, chamando atenção desde pequena. Seus pais, fugidos da República Popular da Hungria durante a revolta de 1956, viram uma oportunidade para monetizar a beleza e inteligência da adorável garotinha.

Com esse projeto, Maria Barsi, mãe de Judith, passou a preparar a filha para tornar-se atriz, ensaiando textos e alfabetizando a garota antes mesmo de sua entrada no jardim de infância. Com o treino mostrando resultado, a garota passou a ser levada para diversos testes em filmes e publicidade, sendo aprovada em diversos comerciais da rede de fast food McDonald’s até ser escalada para a minissérie Fatal Vision em 1984.

Ao longo de sua infância, o sucesso na televisão e nos cinemas foi refletido em participações campeãs de audiência e bilheteria, como no filme Tubarão IV – A Vingança e Em Busca do Vale Encantado, além das participações em Punky, A Levada da Breca e The Twilight Zone, se tornando uma das atrizes mirins mais bem posicionadas do cinema americano. Por outro lado, dentro de casa, o sucesso era um contraste.

Trecho da apareção de Judith na série "Punky, A Levada da Breca" / Crédito: Divulgação/Youtube/NBC/09.02.1986

 

Os abusos

Os lucros obtidos com o trabalho de Judith agradavam os pais com os altos valores. Quando a garota iniciou a quarta série, aos 9 anos de idade, já recebia cerca de US$ 100 mil por ano, o que garantiu a mudança de imóvel dos pais em uma casa de três dormitórios em um bairro de classe alta em Los Angeles. Com a chegada da puberdade, no entanto, os papéis televisivos diminuíram, sobrando apenas as dublagens, que pagavam uma quantia menor.

De acordo com o agente Ruth Hansen, a atriz aparentava ter cerca de 3 anos a menos, competindo por papéis que não correspondiam com sua dicção ou complexidade. Para tentar adequar a filha ao mercado, seus pais iniciaram um tratamento hormonal no hospital universitário da UCLA para estimular seu crescimento. O tratamento resultou em uma série de problemas e dores pelo desenvolvimento acelerado.

Para piorar, em maio de 1988, Judith desmaiou em frente ao agente após um colapso nervoso, pouco antes de completar 10 anos de idade. Ao ser levada a uma psicopedagoga, diversos abusos físicos e emocionais foram identificados e informados aos serviços de proteção à criança do condado, o que resultou em uma extensa investigação social.

Lápide dedicada a Judith Barsi no cemitério Forest Lawn / Crédito: Wikimedia Commons

 

Assassinato trágico

A investigação acarretou em duas descobertas desconhecidas pelos agentes de Hollywood; József, o pai da atriz, já havia sido preso três vezes por dirigir embriagado, além de ter diversas denúncias de agressões contra Maria. A surpresa maior foi relatada por um amigo do colégio de Judith, que alegou ter ouvido a amiga relatando agressões do pai com uma frigideira contra seu rosto. Além de ganhar peso, a jovem desenvolveu tricotilomania, uma mania de arrancar os pelos dos próprios cílios individualmente.

Maria, que garantiu à assistente social que abriria o processo de divórcio, parou de comparecer em suas atividades regulares a partir do dia 25 de julho de 1988. Desconfiados, a polícia de Los Angeles foi até a casa da mesma, no dia 27, e encontrou Maria, József e Judith mortos, todos com tiros na cabeça.

A investigação concluiu que, após uma briga, Jozsef assassinou a esposa enquanto dormia e, em seguida, matou a filha de 10 anos. Ficou na residência por mais dois dias, atirando gasolina dos corpos das vítimas, mas não ateou fogo. Na manhã do dia 27, a vizinha Eunice Daly ouviu um tiro na garagem da residência, sendo o suicídio do pai da atriz.

O caso, inicialmente divulgado pelo Los Angeles Times, apenas relatou em nota curta o duplo assassinato seguido de suicídio, mas não projetou o caso com o nome da jovem. Nos dias seguintes, entretanto, não apenas revelou que tratava-se de Barsi, mas divulgou uma chocante foto dos agentes policiais levando o pequeno corpo da garota em um saco branco com manchas de sangue na cabeça. Judith e a Maria foram enterradas juntas no cemitério Forest Lawn, lado-a-lado, em uma cerimônia privada.


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