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Bruxas de Jundiaí: A insólita saga das mulheres que foram acusadas de feitiçaria no século 18

Documentos analisados revelam como duas mulheres foram acusadas de feitiçaria em Jundiaí, no século 18

Giovanna de Matteo Publicado em 08/10/2020, às 16h13

Ilustração mostra caça às bruxas
Ilustração mostra caça às bruxas - Reprodução

No ano de 1754 em Jundiaí, Thereza Leyte (mãe) e Escolástica Pinta da Silva (filha) foram acusadas pelo tribunal do Santo Ofício da Justiça Eclesiástica de terem feito um pacto com o diabo, que teria acabado na morte do primeiro marido da filha, Manoel Garcia. O óbito seria resultado de feitiçarias realizadas pela dupla.

A Inquisição - um movimento da Pontifícia Católica, a fim de combater ameaças ao Cristianismo - apesar de ter tido seu epicentro na Europa desde o século 12, também conseguiu chegar ao Brasil no começo do período colonial.

A atividade no Brasil se consolidou depois do estabelecimento do Tribunal do Santo Ofício, que recebia visitas exclusivas de portugueses inquisitores, responsáveis por investigar comportamentos e práticas que se desviavam dos estabelecidos pelo catolicismo.

Esta história foi resgatada pela pesquisadora e filóloga Narayan Porto durante a pesquisa de mestrado Feitiçaria paulista: transcrição de processo-crime da Justiça Eclesiástica na América portuguesa do século 18, comentada no Jornal USP.

A pesquisa teve como base manuscritos originais da Cúria Metropolitana de São Paulo, que traziam um processo criminal que envolvia as duas mulheres, revelando a história das supostas feiticeiras. O trabalho também buscou esclarecer como o Tribunal do Santo Ofício agia na América portuguesa, focalizando a sua atuação no Brasil Colônia.

A perseguição

As conspirações contra essas mulheres começaram quando Manoel Garcia voltou adoecido de uma viagem para Goiás. Desse modo, os parentes do homem incriminaram a esposa e a sogra de terem conjurado a doença através de bruxarias, a fim de pegaram alguns bens dele que estavam em disputa com os familiares, segundo o que foi registrado no processo, que data de 1754, oito anos depois da morte de Garcia

O estudo explicou como a bruxaria era vista naquela época, sendo repudiada e as acusações, quase sempre, usadas como forma de vingar alguma pessoa. A intenção dos parentes de Manoel Garcia seria assumir a posse de seus escravos após sua morte.

Para isso, eles bolaram um plano com um escravo negro conhecido como feiticeiro para espalhar os boatos de que Thereza e Escolástica estavam envolvidas em técnicas de feitiçaria para morte do homem, que, na verdade, teria sofrido de lepra.

As práticas mencionadas nos documentos acusaram a esposa desse homem de causar feridas em suas pernas e cegueira apenas ao tocá-lo. A mulher também teria causado dores estomacais após mexer com as mãos em um prato de comida dele.

Além disso, o tribunal considerou que a mulher teria feito um "feitiço enterrado", como era chamado na época, após encontrarem os sapatos e as vestimentas de Garcia enterrados em frente à porta de sua casa.

Através desses registros, foi colocado à mesa a situação fragilizada em que as mulheres da época enfrentavam, ao terem todos os seus atos perseguidos e facilmente podendo serem comparados com técnicas demoníacas. Neste caso, as provas não foram  suficientes para condenar as duas mulheres, que foram absolvidas do caso.


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