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Budismo Tibetano: conheça características da religião dos Lamas

Se espalhando pelo Ocidente ano após ano, o budismo tibetano traz consigo ensinamentos milenares

Joseane Pereira Publicado em 28/03/2019, às 12h54

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Reprodução

"E assim o Iluminado despertou para o Caminho do Meio, que faz surgir a visão, que faz surgir a sabedoria, que conduz à paz, ao conhecimento direto, à cessação de sofrimento, ao Nirvana." Tais palavras, registradas na antiga língua Páli em um dos vários Sutras, textos indianos que registram a vida e ensinamentos do Buda, marcam o início do que viria a ser o Budismo, uma das filosofias espirituais mais disseminadas no mundo. 

Segundo registros históricos, aquele que atingiu o estado de Iluminação foi o príncipe de um reino localizado no norte da Índia, chamado Sidarta Gautama, que viveu no século 5 a.C.. Renunciando à vida mundana e buscando compreender a verdadeira natureza do sofrimento, Sidarta deixou com 29 anos seu castelo e partiu para uma vida simplista, buscando o ensinamento de gurus no interior da Índia.

Atingindo estágios avançados de concentração e tendo esgotado os ensinamentos de seus mestres espirituais, Sidarta, aos 35 anos, se senta sob a árvore Boddhi com a firme determinação de só se levantar quando totalmente iluminado - o que ocorre 49 dias depois, em uma clara noite de luar.

Os ensinamentos de Buda, que se espalharam pelo norte da Índia durante sua longa vida (Sidarta faleceu aos 80 anos de idade, tendo ensinado o caminho da iluminação até os últimos momentos de vida), foram levados por seus discípulos a outros territórios, se espalhando em países como China, Birmânia e Tibete -- constituindo diversas linhas e tradições.

Monges no Tibet / Reprodução

 

Ao chegar no Tibete, o budismo sofreu várias modificações, relacionadas às crenças xamânicas que já existiam no território. Religiões antigas como Bonpo e tradições espirituais de cunho animista, que se utilizavam tradicionalmente de cores brilhantes como vermelho e amarelo, se mesclaram ao budismo vindo da Índia para formar o Budismo Tibetano ou Vajrayana, cujas práticas meditativas se utilizam de rituais, textos litúrgicos e visualizações.

Os mestres que ensinam a prática, denominados Lamas, tiveram papel histórico na constituição política do país, sendo seu principal representante o Dalai Lama, ou Professor Supremo: todos os líderes oficiais do governo tibetano são tidos como a reencarnação do primeiro Dalai Lama, Gedun Truppa, que viveu no século 15 d.C..

Com a invasão chinesa do Tibete em 1950, o regime liderado por Mao Tse Tung levou vários lamas tibetanos a fugir de seu país buscando refúgio em outros locais, o que causou a disseminação dessa linha do Budismo em países ocidentais como o Brasil.