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Bunkers e refúgio na floresta: a saga dos Bielski, os guerrilheiros judeus da Segunda Guerra

Escondido na floresta, o grupo foi capaz de salvar centenas de judeus das tropas do Führer

Caio Tortamano Publicado em 17/06/2020, às 17h57

Membros de guerrilha judaica
Membros de guerrilha judaica - Wikimedia Commons

Durante os horrores da Segunda Guerra, a família Bielski, judaico-polonesa, foi levada para os guetos da cidade de Nowogródek. Os irmãos Tuvia, Alexander, Asael e Aron fugiram para a floresta depois que seus pais foram brutalmente assassinados pelas forças nazistas e se refugiaram no local com outras 13 famílias de vizinhos que também haviam sido alvo das tropas de Hitler.

Atuando no exército polonês de 1927 a 1929, o irmão Bielski mais velho, Tuvia, decidiu que não era mais o momento de apenas se esconderem, eles deveriam se armar e preparar uma ofensiva contra forças alemães.

Na primavera de 1942, pouco depois de terem seus familiares executados, os Bielski reuniram inicialmente 40 pessoas, crescendo consideravelmente com o tempo. Tuvia tinha um fascínio pelo movimento sionista, que defendia a criação de um estado judaico e se aprofundou em alguns elementos dos ideais do movimento para isso.

O guerrilheiro Tuvia Bielski / Crédito: Wikimedia Commons

 

Agentes da guerrilha eram enviados para se infiltrar nos guetos próximos e recrutar novos membros para a facção que encontrou refúgio na floresta de Naliboki. No auge dos Bielski, mais de 1.200 pessoas viviam em função do local, sendo que 150 delas participavam das operações armadas, enquanto 70% do acampamento era formado de crianças, mulheres e idosos.

Vida escondida

Para dificultar a localização, os Bielski organizavam suas moradias em verdadeiros bunkers, equipados com cozinhas, moinhos padarias, banheiros, enfermarias — uma verdadeira cidade construída em cabanas discretas e esconderijos subterrâneos em plena floresta.

Os artesãos confeccionavam mercadorias e realizavam reparos em equipamentos para que os guerrilheiros usassem, tais como os soviéticos que combatiam os nazistas e sabiam das ações dos Bielski. As manufaturas contavam com 125 trabalhadores manuais, sapateiros, alfaiates e ferreiros, todos voltados para a resistência judaica — que contava também com uma sinagoga.

Obstáculos perigosos

Deu certo por um tempo, no entanto, os camponeses que moravam aos arredores da guerrilha — e também contribuíam para que continuasse de pé — eram notoriamente menos privilegiados que os fundadores e o círculo social primário da comunidade. Aliás, alguns abusos eram cometidos pelos Bielski como o fato de obrigarem as mulheres que que entravam no acampamento a se despir, e deixar a calcinha como pagamento.

Esses problemas todos acabaram caindo na mão do grande líder da guerrilha, Tuvia, que era reconhecido pelo seu método autoritário de liderança e constantemente se envolvia em conflitos de interesse com outros membros do local.

Como resposta, Israel Kessler,um dos membros da liderança, escreveu uma carta para oficiais soviéticos avisando que Tuvia aguardava a entrega de ouro e joias em benefício próprio. De acordo com o combatente, o líder não usaria os artefatos para ajudar a comunidade.

O comando soviético local iniciou uma investigação contra Tuvia e uma suposta rede de proteção que estaria criando, entretanto, acabou escapando da mira dos oficiais. Uma vez com a situação controlada, o líder judaico condenou Kessler por traição e o executou imediatamente.

Ações de guerrilha

Devido aos poucos equipamentos que dispunham e falta de renda, a preocupação primária do grupo era a subsistência dos moradores do acampamento. Como consequência, trabalhavam nas cozinhas, hospitais e padarias dos soldados soviéticos como forma de proteção e remuneração em alimentos e suprimentos para a população.

Tuvia não pensava duas vezes antes de falar da missão principal dos Bielski: salvar judeus. Para isso, as ações que realizavam tinham como alvo os alemães e simpatizantes nazistas que teriam traído ou matado prisioneiros de guerra.

Certa vez, a guerrilha matou 12 bielorrussos de uma mesma família que entregaram duas garotas judias para os alemães, bem como foram atrás de nomes que constavam em uma lista de colaboradores do partido nazista.

Em 1943, aviões do Führer sobrevoaram os arredores da floresta de Naliboki  jogando folhetos com o rosto de Tuvia e uma recompensa que em pouco tempo teria dobrado de valor. Destinado a população cristã do local, alguns judeus tiveram acesso a esses panfletos e se sentiram motivados a aderir a causa do guerrilheiro, aumentando o número de participantes.

Trecho da floresta de Naliboki dá ideia de como a mata é fechada / Crédito: Wikimedia Commons

 

Operação Hermann

Com o tiro na culatra, os alemães organizaram uma grande missão de reconhecimento nos arredores da floresta a procura de dissidentes e simpatizantes da guerrilha. As comunidades que estavam ao redor do acampamento foram devastadas, obrigando os moradores não judeus da região a se mudarem para a Alemanha e realizarem trabalhos forçados.

Os nazistas não tiveram resultados positivos com a Operação Hermann, e ainda por cima fortaleceram os judeus. Nas cidadelas abandonadas, muitos materiais de construção ficaram para trás e foram utilizados pelos Bielski, que também passaram a cuidar das plantações, então abandonadas.

Foto do grupo Bielski / Crédito: Wikimedia Commons

 

Eventualmente, a força dos guerrilheiros foi reconhecida pelos aliados soviéticos, que queriam ter os judeus ao seu lado. Assim, se tornaram combatentes ao lado do General Platon. O militar ordenou que o grupo fosse dividido, com uma parte sendo nomeada de Ordzhonikidze (um soviético nascido na Geórgia).

O outro grupo foi denominado de Kalinin, com cerca de 800 pessoas, estabelecidas em Naliboki e que prestavam serviços aos demais acampamentos da floresta, assim como participando de sabotagem e ações militares.


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