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Caçado pelo comunismo: A perturbadora história do padre Jerzy Popieluszko

Crítico ferrenho da ideologia política que governava a Polônia, o sacerdote incentivava a população a protestar... caiu em desgraça

Fabio Previdelli Publicado em 14/12/2020, às 16h52

O padre Jerzy Popieluszko
O padre Jerzy Popieluszko - Wikimedia Commons

Reconhecido como mártir da Igreja Católica Romana, Jerzy Popieluszko foi um sacerdote carismático e comumente conhecido por seus trabalhos frente ao movimento Solidariedade, além de ser um forte opositor do regime comunista da Polônia na década de 1980. 

Com suas críticas ferrenhas, incentivava os populares a protestarem, porém, isso não era muito bem visto pela Służba Bezpieczeństwa, o Ministério de Segurança pública do país. Conforme relatado pelo The Guardian, ele passou a ser caçado pelos comunistas, que o assassinaram de maneira brutal em 19 de outubro de 1984, quando ele tinha 37 anos. 

Vida de sacerdote 

Popieluszko nasceu em 14 de setembro de 1947 em Okopy, perto de Suchowola, no nordeste da Polônia. Ainda jovem, descobriu o sacerdócio depois de terminar a escola, quando passou a frequentar o seminário sacerdotal de Varsóvia.  

O padre Jerzy Popieluszko / Crédito: Wikimedia Commons

 

Porém, ele teve uma breve interrupção em suas atividades religiosas quando passou a servir o Exército, fazendo parte de uma força especial que tinha como objetivo impedir que os jovens se tornassem padres.  

Apesar disso tudo, ele não desistiu de sua vida dentro da Igreja e continuou seus estudos após terminar o serviço militar. Com isso, passou a ministrar em diversas paróquias de Varsóvia. Em 1981, Jerzy se juntou a um grupo de trabalhadores para participar da greve da Siderúrgica de Varsóvia.  

Na ocasião, vários membros da Solidariedade — primeiro sindicato livre independente e antiburocrático que usava da resistência civil não-violenta nas lutas dos direitos dos trabalhadores e da mudança social —, entidade da qual Popieluszko passou a fazer parte, se uniram para protestar contra a violência que vários de seus membros, incluindo Jan Rulewski , Mariusz Łabentowicz e Roman Bartoszcze, tinham sofrido de milícias paramilitares. 

A greve foi planejada para acontecer na terça-feira, dia 31 de março de 1981. Desde então, Popieluszko passou a ser observado mais de perto pelo regime. Ferrenho anticomunista, aproveitava seus sermões para mesclar exortações espirituais com mensagens políticas que criticavam o governo e motivava as pessoas a se unirem para protestar.  

Durante o período de vigência da lei marcial, entre 13 de dezembro de 1981 a 22 de julho de 1983, quando o governo da Polônia restringiu drasticamente a vida dos cidadãos, o que visava esmagar a oposição política dos comunistas, a Igreja Católica foi a única força que manteve uma voz ativa de protesto, com a celebração regular de missas.  

Normalmente, os sermões de Jerzy eram transmitidos pela Rádio Free Europe, o que os deixaram famosos por toda a Polônia. Com isso, o Służba Bezpieczeństwa encarregou-se de silenciá-lo ou intimá-lo.  

A perseguição 

Quando isso não foi bem sucedido, em um primeiro momento, o governo fabricou evidências contra o sacerdote, o que acarretou em sua prisão, em 1983. Porém, com a intervenção do clero, ele foi perdoado por uma anistia.  

No ano seguinte, em 13 de outubro de 1984, um acidente de carro foi armado para matar Popieluszko, mas, por sorte, ele conseguiu escapar. Foi então que o brutal plano alternativo foi posto em prática.  

 Jerzy Popieluszko / Crédito: Wikimedia Commons

 

Conforme documentado pela BBC, em 19 de outubro, ele foi sequestrado e golpeado na cabeça por três oficiais da polícia secreta: o Capitão Grzegorz Piotrowski, Leszek Pękala, Adam Petruszka e Waldemar Chmielewski. Eles fingiram ter problemas com o carro e sinalizaram para o carro de Jerzy pedindo ajuda. Quando saiu de seu veículo, o sacerdote foi brutalmente espancado, amarrado e jogado no porta-malas do carro.  

Os oficiais, ainda, envolveram seu corpo em um saco de pedras antes de jogá-lo no reservatório de água do Vístula perto de Włocławek. Os seus restos mortais só foram encontrados pouco mais de uma semana depois, em 30 de outubro.  

O enterro 

A notícia do assassinato político causou alvoroço em toda a Polônia. Os ânimos só esfriaram quando os assassinos e um de seus superiores, o coronel Adam Pietruszka, foram localizados e condenados pelo assassinato.  

No dia 3 de novembro, mais de 250.000 pessoas, entre elas Lech Wałęsa, político e ativista dos Direitos Humanos, participaram do funeral de Jerzy Popieluszko, que foi enterrado na Igreja de Santo Estanislau Kostka, em Varsóvia. 

O assassinato foi amplamente utilizado na propaganda política da oposição polonesa, mas o regime comunista permaneceu no poder até 1989.  

O fúneral de Jerzy Popieluszko / Crédito: Wikimedia Commons

 

Popieluszko foi condecorado postumamente com a Ordem da Águia Branca, a mais alta condecoração da Polônia, em 2009. Anos antes, em 1997, a Igreja Católica iniciou o processo para sua beatificação.

Em 2008, ele foi considerado Servo de Deus e, no ano seguinte, foi anunciada a aprovação da beatificação pelo Papa Bento XVI

Jerzy foi considerado beato em junho de 2010 em uma cerimônia celebrada na Plaza Pilsudski em Varsóvia, que contou com a participação de sua mãe, Marianna Popieluszko, que tinha completado seu 100º aniversário dias antes.


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