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Café: Da proibição a dominação mundial

Antes da fama, ele já foi proibido e podia dar cadeia

Izabel Duva Rapoport Publicado em 21/08/2019, às 06h00

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- Crédito: Pixabay

O primeiro produto anunciado e vendido como estimulante no mundo foi o café. Descoberto na Etiópia por volta de 800 a.C., já naquela época era considerado perigoso – deixava o povo acordado e disposto a discutir. A bebida chegou à Europa séculos depois, impulsionada pelo sucesso do chá. Nos anos 1300, o chá, já bem popular no Oriente, foi “descoberto” pelos portugueses e passou a ser comercializado pelos holandeses. Duzentos anos mais tarde, o café seguiu o mesmo rumo, saindo da Turquia, onde já era bastante consumido.

Antes da fama, porém, ele chegou a ser proibido na Turquia do século 14 pelo alto grau de estímulo e dava cadeia para quem fosse pego bebendo-o: seis meses de prisão. Na Itália, o povo chegou a pedir ao papa Clemente VIII, em 1615, que declarasse que o cafezinho era a bebida do demônio, afinal, era a preferida dos infiéis turcos. Mas, em vez de excomungar o café, o papa acabou virando seu fã de tanto que gostou – chegando até a abençoá-lo.

Em 1714, os holandeses, que já cultivavam café em suas colônias no Pacífico, presentearam o rei da França, Luís XIV, com sementes. E, então, as colônias francesas viraram a maior concorrente do país. Na década seguinte, os grãos chegaram ao Brasil, no estado do Pará.

E foi neste mesmo século que o conceito de café da manhã foi criado. Os antigos europeus acordavam com o nascer do sol e não tinham uma bebida específica para espantar o sono. Antes de conhecerem o café, os mais ricos bebiam leite ordenhado na hora ou vinho quando acordavam. Os pobres encaravam água ou cerveja logo de manhã – inclusive as crianças.