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Cangaceiro aos 11 anos de idade: conheça Volta Seca, o homem do bando de Lampião

A violenta figura do sertão nordestino entrou no crime ainda criança e chegou a brigar com um famoso escritor brasileiro

André Nogueira Publicado em 20/06/2020, às 08h00

Volta Seca em imagem rara
Volta Seca em imagem rara - Divulgação/Youtube

O cangaceiro Volta Seca, um dos integrantes do bando de Lampião, ficou famoso por embates com algumas figuras famosas de sua época e, ainda, por imortalizar as canções dos bandoleiros em um LP, em 1957. Nascido no ano de 1918, em Saco Torto, com o nome de Antônio dos Santos, ele é um dos mais conhecidos entre os cangaceiros.

Volta Seca era o mais jovem do bando, ingressando o grupo com apenas 11 anos. A principal motivação da criança foi uma série de brigas que tinha com a madrasta e o desconforto da vida cotidiana, marcada inclusive pela violência física. Era responsável pelos cavalos do grupo e também pela limpeza de roupas e louças.

Às vezes, também ficava de tocaia na espionagem das cidades para localizar as rondas da polícia. Como era criança, aprontava brincadeiras que o levavam a ser punido por Lampião. Nunca foi plenamente alfabetizado, mas sabia o mínimo para conseguir escrever versos de canções que ficavam conhecidos por todo o bando, sendo a mais famosa Mulher Rendeira.

Volta Seca / Crédito: Divulgação/YouTube

 

Volta Seca era uma pessoa bastante astuta e corajosa, apesar da intensidade. Em mais de uma ocasião, foi levado por impulso a criar atritos com personalidades, nunca dando para trás. Uma das mais curiosas situações ocorreu em 1937, quando Jorge Amado publicou Capitães da Areia.

Na obra, o romancista retrata Volta Seca, na época já preso e fora do cangaço, como uma figura menor e não importante no bando. Na situação, ele jurou a um veículo de imprensa que faria Amado “engolir as páginas do jornal”. No entanto, a possível resposta de Amado é um mistério.

Volta Seca foi preso três vezes, sendo que nas duas primeiras ele conseguiu fugir e retornou às fileiras do crime. Porém, numa ocasião em Bonfim, ele foi pego por populares e acabou sendo preso novamente. Em julgamento, foi sentenciado a 145 anos de regime fechado por seus crimes no cangaço. Porém, com o tempo, sua pena foi sendo reduzida até chegar a 20 anos.

O cangaceiro na prisão / Crédito: Divulgação/YouTube

 

Cumpriu à sentença no presídio de Bonfim-Ba, sendo transferido para Bahia, em 1936. Na prisão, aprendeu a ler perfeitamente e a trabalhar como alfaiate. No local era conhecido pelo bom comportando e pelas canções que criava.

Com isso, nos anos 1950, ele recebeu um indulto presidencial de Getúlio Vargas e foi solto. Pouco depois, colaborou na produção do filme O Cangaceiro, de Lima Barreto, com informações do estilo de vida dos bandoleiros.

Em 1957, finalmente, ele lançou o LP As cantigas de Lampião, com músicas famosas do mundo cangaceiro, muitas delas criadas por ele, como Mulher Rendeira e Acorda Maria Bonita. Na época, também passou a viver tranquilamente, em busca de trabalho, chegando a casar. Em 1982, acabou se mudando para Minas Gerais.

Volta Seca em Estrela Dalva / Crédito: Divulgação/YouTube

 

Em 1995, o antigo cangaceiro concedeu uma entrevista a Globo. Durante o episódio, revelou viver “modestamente numa casinha do centro da cidade”, com uma aposentadoria de 300 reais. Entre a pesca e as brigas de galo, Volta Seca viveu até os 78 anos, quando foi vítima de um enfisema pulmonar e morreu em 1997, em Estrela Dalva, Minas Gerais.


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