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Canibalismo e tortura: o bizarro caso de Barbora Skrlová, que inspirou o filme A Órfã

Barbora era uma mulher adulta que se passava por pré-adolescente, e manipulava, além da sua idade, as mentes de Katerina e Klara Mauerova

Isabela Barreiros Publicado em 03/09/2019, às 15h00

Vida real vs. filme
Vida real vs. filme - Reprodução

Barbora Skrlová tinha uma doença glandular que a deixava com uma aparência mais juvenil do que sua verdadeira idade. Ao longo de sua vida, a mulher fingiu inúmeras vezes que era, na verdade, uma adolescente — até mesmo um adolescente do gênero masculino.

Durante seus estudos na faculdade, ela conheceu Katerina Mauerova e sua irmã Klara. As duas eram muito religiosas e extremamente ligadas ao misticismo, chegando até a acreditar que estavam destinadas a cumprir uma missão de deus.

Barbora Skrlová / Crédito: Reprodução

 

Barbora passou muito tempo fazendo tratamentos psiquiátricos, — segundo alguns médicos, ela tinha uma grave perturbação de identidade, além do caráter violento, — mas conseguiu fugir em um desses episódios. Livre das internações, foi morar com as irmãs e a partir desse momento as coisas passam a desandar completamente.

A manipulação de Barbora ganhou vida na cidade de Kurim, na República Checa, em 2007. As Mauerova foram incitadas a participar de uma seita religiosa chamada Movimento Graal. Em teoria, eles afirmavam que o ser humano poderia chegar ao céu fazendo o bem sobre a terra, mas o horror praticado pelas mulheres passava longe disso.

Katerina tinha dois filhos: Ondrej e Jakub. Eles foram o alvo de torturas terríveis cometidas pelas três. Colocados dentro de gaiolas, os meninos ficavam despidos o tempo todo, passavam fome, levavam choques, eram queimados com cigarro e passaram por várias sessões de afogamento.

Katerina e os filhos antes das torturas / Crédito: Reprodução

 

Mesmo assim, elas ainda não estavam satisfeitas. Um dia, Klara pediu para que um dos garotos colocasse uma perna para fora das grades. Com uma faca afiada, as torturadoras começaram a cortar o membro. Depois de tirar alguns pedaços, elas comeram a carne ali mesmo na frente das crianças.

Para ter mais controle sobre os irmãos, Barbora decidiu que iria colocar uma câmera, como uma babá eletrônica, para vigiá-los e também para observar quando alguma delas estivesse torturando-os. Mas o que ela não imaginava que seus novos vizinhos instalariam um equipamento parecido para observar seu bebê.

Em vez de ver imagens de seu filho, a câmera dos vizinhos captou dois meninos sendo torturados em uma jaula. Assim, decidiram chamar a polícia.

Quando os policiais chegaram na residência das irmãs, Barbora foi rápida e fingiu ser uma menina de 12 anos adotada por Klara, passando-se por uma das crianças torturadas. Ela conseguiu fugir, sendo descoberta na Noruega alguns anos depois, simulando um menino de 13 anos chamado Adam, que foi adotado por um casal norueguês.

Barbora quando foi encontrada na Noruega / Crédito: Reprodução

 

Barbora foi extraditada para a República Checa, onde foi julgada com Klara e Katerina. As duas irmãs foram condenadas a longos anos de prisão: Katerina a 10 e Klara a 9 anos. Atualmente, as crianças vivem com os avós maternos.