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Caos vermelho, azul e branco: entenda a invasão ao Capitólio que paralisou os Estados Unidos

Na tarde da última quarta-feira, 6, o país passou por um episódio aterrorizante, causado por apoiadores de Donald Trump

Pamela Malva Publicado em 07/01/2021, às 13h19

Manifestante ocupando palco do Capitólio
Manifestante ocupando palco do Capitólio - Divulgação/Globo News

O carpete estava perfeitamente limpo e aspirado, as mesas lustrosas esperavam por seus representantes e as cadeiras estavam prontas para uma longa sessão. Faltavam poucas horas até que a história do país seguisse por um novo caminho.

Após meses aguardando o encerramento das eleições presidenciais, o dia finalmente havia chegado. Na tarde da quarta-feira, dia 6, os parlamentares estavam prontos para declarar a vitória de Joe Biden como novo presidente dos Estados Unidos.

Eles não esperavam, no entanto, que a indignação de apoiadores de Donald Trump se tornaria um verdadeiro tumulto. Munidos com bandeiras do país e dos Estados Confederados e camisetas pró Trump, os manifestantes invadiram o Capitólio.

Manifestantes na frente do Congresso, já em conflito com os seguranças / Crédito: Divulgação/Youtube

 

O caos

Tudo começou no meio da tarde, enquanto parlamentares e congressistas norte-americanos esperavam pela contagem oficial dos votos coletados durante o final de 2020. Presidida por Mike Pence, o atual vice-presidente do país, a sessão validaria a vitória de Joe Biden como novo líder dos Estados Unidos.

De repente, bonés vermelhos com a famosa frase “Make America great again” (“Tornar a América grande novamente”, em tradução livre) passaram pelas portas de madeira. Indignados, os manifestantes republicanos tomaram conta do lugar.

Pouco mais cedo, o grupo conseguiu passar pelos seguranças do Congresso, tendo acesso aos suntuosos ambientes da construção. Assim, as sessões no Senado e na Câmara foram interrompidas e os corredores das duas casas foram bloqueados.

Manifestante com a bandeira dos Estados Confederados / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Angústia

Em sua posição de presidente do Senado, Mike Pence exigiu que os manifestantes recuassem, mas acabou sendo guiado às pressas para um lugar mais seguro. Parlamentares, por sua vez, abrigam-se em seus respectivos gabinetes.

Prontos para enfrentar o pior, os seguranças ordenaram que funcionários e jornalistas colocassem máscaras contra gás lacrimogêneo. Tão rápido como tudo começou, um intenso confronto tomou conta das salas do Congresso.

Receosa, a Prefeitura de Washington DC decretou um repentino toque de recolher. Ao final do episódio violento, foi constatado que quatro pessoas morreram e outras 50 foram presas.

Manifestantes discutindo com policial / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Decepção norte-americana

As cenas dos manifestantes ocupando escadarias, cadeiras de lideranças e arquibancadas do Congresso tomaram conta do país. O claro ataque à democracia norte-americana tornou-se um dos assuntos mais discutidos nas redes sociais.

“A História se lembrará corretamente da violência de hoje no Capitólio como um momento de grande desonra e vergonha para a nossa nação”, escreveu Barack Obama, em seu Twitter. Tão indignado quanto, GeorgeW. Bush afirmou que “é assim que se disputam os resultados eleitorais em uma república das bananas”.

Para muitos, a maior das críticas residia no fato de que, pouco antes da invasão, o próprio Donald Trump teria instigado movimentações de seus apoiadores. "Eu estarei com vocês. Vamos andar até o Capitólio e felicitar nossos bravos senadores e congressistas", disse o republicano, durante discurso anterior ao episódio.

Manifestante sentado na cadeira de um dos gabinetes / Crédito: Divulgação/Youtube

 

O ápice

Interrompida pelo movimento dos manifestantes, a sessão no Capitólio foi retomada por volta das 22h (no horário de Brasília) daquele mesmo dia. Com a volta dos parlamentares, Mike Pence definiu o ocorrido como um "um dia obscuro".

"Protestos pacíficos estão no direito de todo americano, mas este ataque ao nosso Capitólio não vai ser tolerado", afirmou o vice-presidente. Ao fim da sessão, com o objetivo de "defender a Constituição", os congressistas verificaram a vitória de Joe Biden.

Em resposta, o então presidente Donald Trump afirmou hoje, quinta-feira, 7, que "haverá uma transição ordeira em 20 de janeiro", quando Biden assumir o cargo. Ainda assim, o republicano afirmou que continua discordando "totalmente do resultado da eleição".

Cena de tumulto em um dos ambientes do Congresso / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Episódio obscuro

Em meio ao polêmico episódio da invasão, Donald Trump pediu que seus apoiadores fossem para casa. "Precisamos ter paz, precisamos ter lei e ordem e precisamos respeitar nosso grande pessoal de lei e ordem", afirmou, em seu Twitter.

Para diversos políticos, todavia, foi o próprio Trump quem influenciou os manifestantes. Obama, por exemplo, afirmou que a invasão foi "incitada por um presidente em exercício que tem continuamente e sem provas mentido sobre o resultado de uma eleição legal" — Trump, por sua vez, afirma que os números comprovam sua vitória.

Com bandeiras tremulantes, rostos pintados e uma indignação palpável, os manifestantes ficaram para sempre marcados na história dos Estados Unidos. Resta decidir, então, se a invasão foi um ato democrático ou uma cena de terror.


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