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Caos na corte: a conturbada relação de aceitação entre Diana e Elizabeth II

A jovem chegou a ter a rainha como sua confidente, mas atrapalhava o cronograma da família real

Wallacy Ferrari Publicado em 24/03/2020, às 09h57

Príncipe Charles, rainha Elizabeth II e princesa Diana no Palácio de Buckingham em 1981
Príncipe Charles, rainha Elizabeth II e princesa Diana no Palácio de Buckingham em 1981 - Getty Images

Dentro da família real, Diana exercia uma função importante para a rainha Elizabeth II. Seu relacionamento com o príncipe Charles pôde favorecer a imagem da família real quando a loira exercia seus atos de caridade ou, acompanhada de um belíssimo vestido, exercia uma elegância ao nível que o Palácio de Buckingham merecia.

Por outro lado, a mecanização de seu casamento, marcado por protocolos e procedimentos desgastantes em uma agenda cheia, além da relação de altos e baixos com a rainha, que em certas situações parecia uma segunda mãe — para o bem e para o mal — resultaram em um intenso esgotamento emocional de Diana.

Esgotamento

Porém, o desgaste era completamente previsto: o casal só pode se unir com o aval da rainha. Não foi arranjado como, uma vez perguntado para Diana, que reagiu com fúria, mas a proposta de noivado só pôde ser autorizada após passar por Elizabeth, sem nunca deixar claro se aprovava a companheira do filho. Charles, por sua vez, manifestava o medo de se arrepender da união e desonrar a família.

A jovem Diana em um de seus compromissos reais / Créditos: Getty Images

 

Quando o noivado ocorreu, a rainha já acreditava que a jovem não iria se adaptar com facilidade. Em uma carta enviada a um amigo, em 1981, Elizabeth manifestou: “Confio que Diana irá morar aqui menos do que o esperado”. E de fato, o deslumbre de Diana a bestificou nos primeiros meses — que chegou a nadar todos os dias na piscina do palácio — mas, com o tempo, somente a entediou e estressou com os compromissos indesejados.

Sem o amparo do marido, Diana desenvolveu bulimia, se alimentando certas vezes com cubos de gelo. Além disso, seu psicológico, cada vez mais instável, inicialmente foi ignorado pelos funcionários do Palácio e pela rainha, que acreditavam que a jovem apenas precisava de tempo para se instalar e se adaptar.

Em certa ocasião, dentro do noivado, chegou a fugir de retornar aos compromissos reais, quando, após comparecer ao aniversário do príncipe Andrew, voltou a casa de sua família, dizendo que a pressão estava a motivando a cancelar o noivado. Após uma longa conversa, apareceu no palácio como se nada houvesse acontecido, na noite seguinte.

Momentos de pânico

Em lua de mel, Diana e Charles fizeram um cruzeiro no Mediterrâneo, onde, após 15 dias repletos de brigas, a jovem ficou gravemente debilitada. A pedido do príncipe, um médico foi convocado, registrando que Diana sofria de mudanças de humor que apresentavam sintomas como medo de abandono, comportamento histriônico e necessidade de adoração. Elizabeth foi empática com a loira, visto que, apesar de Charles estar adaptado a esse modo de vida, Diana não tinha experiência em romance, muito menos na realeza.

Com o nascimento de William, em 1982, e de Harry, em 1984, a rainha esperava que as tensões se aliviassem, porém, sua aproximação com a jovem somente serviu de prova para Elizabeth presenciar os momentos de pânico de Diana, que telefonava e visitava diversas vezes a sogra em busca de amparo psicológico. As visitas não programadas, entretanto, atrapalhavam a rotina regrada da rainha, que ficava de mãos atadas com o desespero da nora.

Quando Diana descobriu a traição de Charles com Camilla Parker Bowles, a rainha Elizabeth foi avisada, tentando amparar ambos os lados, optando por blindar o filho. Chegou a comparar a loira com um "cavalo de corrida nervoso", que precisava de tratamento cuidadoso, mas também acreditava que Diana precisava exercer a independência que almejava. A relação entre ambas, até a ocasião, era de confiança.

Quando o processo de separação iniciou, o livro Diana: Sua verdadeira história, do jornalista Andrew Morton, recheado de declarações sobre os infernos vividos em seu casamento, foi o estopim para o início de uma relação conturbada com a família real, que passou a manifestar desprezo pela descrição de uma família suja e sem compaixão, enquanto Diana mantinha uma imagem polida.

Diana no carro tentando se esconder dos paparazzi, momentos antes do acidente / Crédito: Divulgação

 

Com o divórcio concluído em 1996, a notícia de que, em 31 de agosto de 1997, Diana havia se acidentado durante a madrugada chegou rápido em Balmoral, onde a rainha se instalava em sua casa de campo. Despertada logo no início de dia, Elizabeth vestiu seu roupão com a notícia de que Dodi Fayed, companheiro da ex-nora, havia falecido, mas sem a confirmação de Diana, que estava apenas gravemente ferida.

Quando a imprensa confirmou sua morte, uma multidão se deslocou para as ruas de Londres, prestando condolências a uma das pessoas mais admiradas do Reino Unido. Em meio à tristeza pública, a família real se viu de mãos atadas sobre como posicionar a imagem do reinado sem se contradizer com a postura de oposição nos anos anteriores. Elizabeth, pela primeira vez em sua vida, não seguiu um protocolo; manifestou indecisão e calou-se.


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