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Cápsula do Tempo revelará gravações de Stalin, Hitler e Mussolini em 8.113 d.C.

O projeto de Cripta da Humanidade inclui gravações de líderes contemporâneos, objetos domésticos e até bonecos do Pato Donald

André Nogueira Publicado em 03/06/2019, às 13h00 - Atualizado às 18h00

Jacobs admira foto da Cripta da Humanidade
Jacobs admira foto da Cripta da Humanidade - Reprodução

As cápsulas do tempo são a forma mais sofisticada encontrada até hoje pela humanidade em sua tentativa de alcançar a eternidade. Elas servem para depositar itens que são considerados representativos e enterrá-los, para serem encontrados séculos depois, para que esse conteúdo não morra junto a seus produtores.

O objetivo de resistir à passagem do tempo e transmitir as formas de vida do presente às gerações futuras é o propósito do projeto Cripta da Civilização, do professor Thornwell Jacobs, da Universidade de Oglethorpe, no estado americano da Geórgia.

A Cripta é um acervo de obras de arte e registros históricos que foi curado por Jacobs como forma de representação da humanidade. O projeto foi inspirado na lógica do túmulo egípcio, mas sem a pretensão de contato com o além-mundo como aparece na religião. Ao invés disso, os utensílios ofertados na Cripta servem para criar um contato das futuras gerações com a produção dos tempos passados.

Jacobs se considerou o pai da cápsula do tempo moderna, pelo pioneirismo de sua ideia de preservação milenar da cultura material. Sua inspiração, motivada pelo testemunho da abertura de diversos templos, pirâmides e túmulos no Egito nos anos 1920, foi o encontro de um grande arsenal de objetos do mundo antigo ainda preservado. Jacobs queria que, daqui a milhares de anos, uma tumba fosse aberta e a sociedade de sua geração fosse redescoberta como fazemos hoje com os egípcios.

Cripta da Humanidade / Crédito: Wikimedia Commons

 

A câmara da Cripta mede 2.000 metros cúbicos — sua estrutura é feita de granito dos Apalaches revestido por esmalte. Além disso, está coberta por um grosso telhado de pedra e um piso cimentado. Uma porta de aço sela a cápsula.

A escolha dos objetos que seriam conservados na câmara exigiu pensar na própria representação que queria ser feita da humanidade em pleno século XX. Para tanto, Jacobs colocou seu amigo, professor Thomas K. Peters, como arquivista do projeto. Na produção desse acervo, foram elencados elementos icônicos do momento. Veja alguns itens escolhidos:

Livros importantes como Bíblia, Alcorão, Ilíada de Homero e A Divina Comédia, áudios de Stálin, Mussolini, F. D. Roosevelt, Hitler, gravações do desenho Popeye, o marinheiro, uma torradeira, amostras de sementes, um rádio, uma máquina de somar, espelhos, estojo de maquiagem, uma garrafa de Budweiser, brinquedos do Pato Donald, entre outros itens da sociedade moderna. Junto ao acervo, foram incluídos itens de manejo técnico desses elementos, como leitores de microfilme, projetores e geradores de energia.

Alguns objetos da Cripta / Crédito: Reprodução

 

Devido à forte inspiração que a câmara teve das câmaras egípcias, Jacobs e a equipe decoraram suas paredes com pictogramas e ilustrações que explicam os objetos e seus usos. Cada item foi catalogado, marcado e ilustrado para os futuros conhecedores.

A escolha da época de abertura foi baseada na noção de que o ano de 4241 a.C. é a data fixa mais antiga do mundo, dando a ideia de que a lacuna de 6.177 anos entre o evento e o enterramento da câmara, em 1936, seria parâmetro para a datação do evento. Por isso, Jacobs estabeleceu o ano de 8113 para a abertura da cápsula do tempo.