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Carlos Marighella: há 50 anos, morria o inimigo n° 1 da ditadura brasileira

Combatendo o regime Vargas, Marighella virou mito depois de 1964

Alessandro Meiguins Publicado em 04/11/2019, às 11h00

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Reprodução

A enorme folha corrida de Carlos Marighella já seria suficiente para transformá-lo em herói da esquerda. Era um veterano no combate a ditaduras. Membro do PCB desde os 18 anos, preso pela primeira vez em 1932, foi torturado em 1936 e 1939 pela polícia de Vargas. Anistiado em 1945, é eleito deputado federal. Sua participação política por vias legais dura pouco. Cassado em 1948, migra para a clandestinidade, condição em que iria viver até a morte.

Após o golpe de 1964, as ações de Marighella o transformaram em mito. Em 9 de maio, é encurralado em um cinema por agentes do Dops. Mesmo após receber um tiro à queima-roupa no peito, enfrenta os policiais com socos e grita: “Abaixo a ditadura militar fascista”, até ser imobilizado e preso. É solto depois de 80 dias, com um habeas corpus.

Em 1967, inconformado com o imobilismo do PCB, funda a ALN. No final do ano, a repressão descobre suas ações e o transforma no inimigo mais procurado. O Manual do Guerrilheiro Urbano, que escreveu, fica conhecido no exterior. “O guerrilheiro urbano é (...) patriota ardente, é um lutador pela libertação de seu país, um amigo de sua gente e da liberdade.”

Os sonhos de Marighella acabam diante da alameda Casa Branca, em São Paulo, em 4 de novembro de 1969. Emboscado, não tem como reagir e é assassinado. Dois dias depois, sua voz era ouvida no Brasil – o homem estava morto, mas o mito falava da revolução numa transmissão da rádio Havana. “Apesar de sempre citado, Marighella tem uma trajetória desconhecida em muitos pontos”, diz o jornalista Mário Magalhães, que prepara uma biografia.

O assassinato

Em outubro de 1969, torturando presos, o delegado Sérgio Fleury descobre que Carlos Marighella, que usava o codinome de Ernesto, tem ligações com freis de um convento no bairro paulistano de Perdizes, que davam apoio a grupos clandestinos.

Delegado Fleury, assassino de Marighella / Crédito: Reprodução

 

No dia 2 de novembro, os freis Ivo e Fernando são presos no Rio. Levados a um prédio da Marinha, são torturados por Fleury. O delegado descobre que Marighella deve encontrá-los em breve. No dia 4 de novembro, um emissário de Marighella liga para a livraria em que os freis costumam ficar e confirma o encontro, falando em código: “É da parte do Ernesto. Esteja hoje na gráfica!”

Marighella foi ao ponto tradicional de encontro, na Alameda Casa Branca, nos Jardins. Em frente ao número 806, há um Volkswagen estacionado, com os freis Ivo e Fernando dentro. Sem que Marighella ou o olheiro que o antecedeu no local percebessem, havia 29 policiais disfarçados espalhados pelo quarteirão, esperando o guerrilheiro chegar.

Fleury começa a atirar. Outros policiais também disparam, acreditando que acompanhantes de Marighella estivessem reagindo. O guerrilheiro tomba, sem que tivesse tempo de sacar o revólver que carregava na pasta. Com os tiros, morreram também uma investigadora e um dentista que estavam no local.


Saiba mais sobre a trajetória de Carlos Marighella

Marighella, Mário Magalhães, 2012

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