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As cartadas malditas da casa 657, Boulevard: o eterno pesadelo da família Broaddus

Dias antes de se mudarem, correspondências aterrorizantes e ameaças passaram a ser enviadas para a residência, sendo assinadas com "O Vigilante"

Daniela Bazi Publicado em 01/02/2020, às 08h00

Imagem ilustrativa de um vigia
Imagem ilustrativa de um vigia - Getty Images

Em 2014, Derek e Maria Broaddus e seus três filhos compraram a casa que sempre almejaram na 657 Boulevard, em Westfield, Nova Jersey. Entretanto, antes mesmo de realizarem a mudança, o que antes era um sonho acabou se tornando um pesadelo quando, antes mesmo de se mudarem, a família passou a receber cartas aterrorizantes assinadas por alguém que se denominava “O Vigilante”.

A primeira correspondência dizia “Meu avô vigiou a casa nos anos 1920, e meu pai a vigiou em 1960. Agora é a minha vez. Você conhece a história da casa? Você sabe quais mentiras existem dentro das paredes da 657 Boulevard? Você vai encher a casa com o sangue jovem que eu pedi? Melhor para mim”.

Apavorado com o que tinha acabado de receber, Derek reportou o conteúdo para a polícia, que o aconselhou a não contar sobre o ocorrido aos vizinhos pois a partir daquele momento todos se tornaram suspeitos. Entretanto, as correspondências continuavam chegando no local.

Em outra carta, o Vigilante deu detalhes que havia descoberto sobre a família, especialmente sobre as crianças. Nela, foi escrito o nome e o apelido dos filhos em ordem de nascimento, além de questionar sobre uma em particular, que era a "artista da família", pois a havia visto utilizando um cavalete na varanda fechada da casa.

Desde então, o casal decidiu não levar mais os filhos a casa por medo do que poderia acontecer, além de não terem mais certeza de quando se mudariam. Ao perceber a ausência da família, uma nova carta foi enviada, onde estava escrito “Para onde você foi? 657 Boulevard está sentindo sua falta”.

Casa 657 Boulevard / Crédito: Divulgação

 

Com o passar do tempo, a polícia revelou a família que, infelizmente, não havia o que fazer. Derek ficou altamente frustrado pelo descaso com sua família e decidiu iniciar sua própria investigação. Instalou inúmeras câmeras pela residência e passou várias noites escondido no escuro observando se encontrava alguém os vigiando.

Além disso, o homem também criou um mapa com todos os vizinhos da rua, em que analisava possíveis lugares que possam ter visão do cavalete na varanda ou que poderiam escutar Maria gritando por seus filhos. Derek estava ficando incrivelmente obcecado pelo caso.

Um detetive particular foi contratado para analisar alguns dos moradores no qual os Broaddus achavam suspeitos, mas não chegou a nenhuma conclusão significativa. Então, o casal contratou dois ex-agentes do FBI para analisar todas as cartas já enviadas.

Robert Lehan, um dos agentes contratados, concluiu que o escritor poderia ser uma pessoa mais velha e, provavelmente, de baixa renda, por escrever constantemente críticas aos mais ricos em suas correspondências, que poderia estar com ciúmes da família por comprar uma casa no qual nunca poderia pagar.

Apesar de todos os seus esforços e poucas ajudas da polícia, até o final de 2014, ainda não existiam conclusões para o caso e a investigação acabou sendo parada. Sem qualquer rastro ou impressão digital, as autoridades responsáveis revelaram a família que não existiam mais opções. Como uma última forma de esperança, Derek levou as cartas a um padre para que fosse abençoar a casa.

Os sonhos da família Broaddus haviam sido completamente destruídos e todos estavam emocionalmente instáveis. Seis meses após a chegada da primeira carta, o casal decidiu vender a residência mas, devido aos inúmeros rumores, demoraram anos até finalmente conseguirem alugar em 2016 para uma família que disse não se importar com o Vigilante.

Entretanto, após dois anos sem nenhuma pista, as cartas voltaram a ser enviadas ameaçando os Broaddus e a nova família de locatários. “Talvez um acidente de carro. Talvez um incêndio. Talvez algo tão simples como uma doença leve que nunca parece desaparecer, mas que faz você adoecer dia após dia após dia após dia. Talvez a morte misteriosa de um animal de estimação. De repente, os entes queridos morrem. Aviões, carros e bicicletas caem. Ossos quebram”, dizia a correspondência.

Com a repercussão do caso, outras pessoas começaram a enviar cartas para a casa fingindo ser o Vigilante. Até hoje, ninguém descobriu quem seria o autor das cartas, e o caso permanece um grande mistério.

De acordo com o New York Times, a casa foi finalmente vendida no final de 2019, para um casal chamado Andrew e Allison Carr, que se recusaram a comentar sobre o passado da residência. Os direitos da história foram vendidos a plataforma de streaming Netflix em dezembro de 2018 para a produção de conteúdo cinematográfico. 


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