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Casamento incestuoso e exclusão da corte espanhola: Maria Teresa, a irmã esquecida de Dom Pedro I

Ofuscada por outros membros da realeza, a Princesa da Beira teve uma vida complicada, cheia de obstáculos e jogos políticos

Pamela Malva Publicado em 08/05/2020, às 08h00

Retrato de Maria Teresa de Bragança, a Princesa da Beira
Retrato de Maria Teresa de Bragança, a Princesa da Beira - Wikimedia Commons

Entre os muitos integrantes da enorme Família Real Brasileira, alguns passaram despercebido nos livros de história. Dom Pedro I, por exemplo, teve oito irmãos, vários amplamente desconhecidos.

Distantes da linha de sucessão ou ofuscados por um ente mais famoso, tais membros reais viveram uma vida burguesa, mas, por vezes, pouco documentada. Ao contrário dos grandes reis, príncipes e imperadores, eles tiveram poucos reconhecimentos.

Foi exatamente este o caso de Maria Teresa de Bragança, a Princesa da Beira. Irmã mais velha de Dom Pedro I, ela manteve a aparência de uma nobre portuguesa que conhecemos dos livros. Por baixo dos panos, todavia, ela passou por bons bocados.

Maria Teresa já adulta / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma herdeira sem coroa

Por volta de 1785, D. João VI de Portugal e Carlota Joaquina da Espanha foram prometidos um ao outro. Herdeiro do trono português, João foi obrigado a casar-se com a princesa, que, à época, tinha apenas dez anos.

Dessa união, tiveram sua primeira filha no Palácio da Ajuda, em Lisboa, em 1793. A primogênita recebeu o nome de Maria Teresa Francisca de Assis Antônia Carlota Joana Josefa Xavier de Paula Micaela Rafaela Isabel Gonzaga de Bragança e Bourbon.

Logo no berço, Maria Teresa recebeu o título de Princesa da Beira. A nomenclatura, entretanto, foi retirada da certidão quando D. Francisco Antônio nasceu, em 1795. Mais tarde, outros sete irmãos foram somados à Família Real, Dom Pedro I inclusive.

Em meados de 1807, com a invasão napoleônica, os nobres portugueses tiveram de se mudar para sua colônia sul-americana: o Brasil. Maria Teresa empacotou suas coisas e zarpou com todos seus irmãos até o novo país.

Casamento de Maria Teresa com Pedro Carlos de Bourbon / Crédito: Wikimedia Commons

 

Obrigações reais

Quando atingiu seus 17 anos, Maria Teresa casou-se com Pedro Carlos de Bourbon, neto de Carlos III de Espanha, em maio de 1810. Do matrimônio arranjado, o casal teve um filho, o pequeno D. Sebastião de Bourbon e Bragança, em 1811.

O relacionamento, entretanto, não durou e foi interrompido pela morte prematura de Pedro Carlos, em 1812. Viúva, a nobre dama envolveu-se com política quando tentou colocar seu irmão mais novo, D. Miguel, no trono português, em meados de 1826.

Em plena Guerra Civil Portuguesa, a conservadora Maria Teresa aliou-se a Antônio Ribeiro Saraiva para conseguir a liberdade de Miguel, que estava exilado na Áustria. O golpe deu certo e o jovem irmão de Dom Pedro I chegou ao trono português.

Nesse meio tempo, o próprio imperador do Brasil casou-se com Maria Leopoldina, em 1812, dando início à mais uma enorme linhagem portuguesa no país sul-americano. No total, o casal arranjado teve sete filhos, incluindo Dom Pedro II.

Maria Teresa com roupas de luto / Crédito: Wikimedia Commons

 

Sem sossego

Em janeiro de 1837, já de volta à Espanha, Maria Teresa viu o que era seu por direito ser arrancado de suas mãos. O reino espanhol tinha excluído a princesa portuguesa da linha de sucessão do trono, bem como seu filho D. Sebastião.

Viúva desde os seus 19 anos, Maria Teresa casou-se com seu tio, Carlos de Bourbon, em Azpeitia, na Espanha, em outubro de 1838. Dessa vez, a nobre, já com 45 anos, não teve filhos, mas cuidou de seus três enteados — que também eram seus primos.

A família foi obrigada a deixar a Espanha durante a Guerra Civil e nunca mais voltaram. Mais tarde, os direitos ao trono espanhol voltaram às mãos de Dom Sebastião, em meados de 1859. Maria Teresa, por sua vez, continuou sem um título sequer.

A nobre irmã de Dom Pedro I morreu em Trieste, na Itália, no dia 17 de janeiro de 1874. Aos 81 anos, ela abandonou um filho, uma longa Família Real e um marido, viúvo pela segunda vez.


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