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O casamento problemático de Charles Darwin com Emma Wedgwood, sua prima de primeiro grau

Darwin casou-se com Emma Darwin, sua prima, mas apesar da feliz relação, as consequências do parentesco foram evidenciadas nos próprios filhos do casal

Gabriel Fagundes Publicado em 24/03/2020, às 10h43

Charles Darwin
Charles Darwin - Getty Images

Quando Charles Darwin ainda tinha 29 anos, o cientista inglês que ficou popularmente conhecido como o "Pai da Evolução", viu-se diante de uma grande dúvida: se ele deveria ou não ter uma esposa. Para isso, resolveu adotar um método extremamente prático para sua tomada de decisão. Listou para si os prós e contras do casamento. No final, verificou que os números diminuíram em favor da esposa, o que significava que naquele momento ele deveria encontrar uma.

Para atender suas exigências, a mulher que ele iria escolher deveria ser alguém com quem se importasse e que também já conhecia. Até aí tudo dentro dos conformes, entretanto, o problema foi que o naturalista gostava era de Emma Wedgwood, de 30 anos, sua prima de primeiro grau. E foi justamente esse casamento incestuoso que definiu sua vida para o bem e para o mal.

Retrato de Charles Darwin / Crédito: Wikimedia Commons

 

De fato, os casamentos entre primos ainda eram bastante comuns na Europa ao longo do século 19 (a rainha Vitória, afinal, se casara com seu primo em primeiro grau) e as famílias Darwin e Wedgwood estavam particularmente interessadas na prática, já que quatro dos irmãos de Emma também se casaram com outros primos. Com ela não poderia ser diferente, pois sempre manteve contato com Charles. Por isso, quando os dois primos íntimos anunciaram seu casamento, suas famílias ficaram encantadas.

No entanto, havia um membro da família que não apoiava a ideia. O meio-primo de Charles, o cientista Francis Galton (que cunhou o termo "eugenia"), que alertou sobre os perigos potenciais do parentesco. E esse seu receio não era injustificado, porque 38 dos 62 descendentes do avô de Charles e Emma não tiveram filhos que sobreviveram a infância. Mesmo assim, a união foi oficializada sem nenhum problema em janeiro de 1839.

A relação de Emma Darwin com Charles

Segundo os relatos da época, o casamento entre Emma Darwin e Charles próspero e harmonioso, mesmo ela sendo bastante religiosa e tendo pertubações pelas dúvidas espirituais de seu marido, que era focado na ciência. O pai de Charles o aconselhou para não citar suas teorias contrárias as noções de sua amada, mas o biólogo não escondeu nada dela.

Uma pintura em aquarela de Emma Darwin por George Richmond em 1840 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Contudo, independetemente dos ideiais distintos, ela ainda concordou em se casar com ele, declarando: "Ele é o homem mais aberto e transparente que eu já vi, e cada palavra expressa seus pensamentos reais". Charles, em troca, escreveu que achava que ela "me humanizaria e logo me ensinaria que há mais felicidade do que construir teorias e acumular fatos em silêncio e solidão".

Apesar de encontrar uma maneira de fazê-lo funcionar, dada a espiritualidade dela e sua blasfêmia, o casal não escapou inteiramente das consequências negativas de sua união incestuosa.

O custo do parentesco 

Os dez filhos de Emma Darwin com Charles estavam frequentemente doentes e três não sobreviveram até a idade adulta. Dos sete que sobreviveram, alguns relatos dizem que três eram inférteis.

Charles deve ter lembrado o aviso anterior de Galton ao escrever: "Quando ouvimos dizer que um homem carrega em sua constituição as sementes de uma doença herdada, há muita verdade literal na expressão".

Emma Darwin com seu filho Leonard / Crédito:  Wikimedia Commons

 

O filho do casal, Charles, faleceu enquanto criança, a filha Henrietta ficou de cama por anos com doenças digestivas, e Horace e Elizabeth sofriam de convulsões frequentes. Parecia que todas as crianças tinham pelo menos alguma doença, levando Charles ao desespero: "Somos uma família miserável e devemos ser exterminados".

Ele descobriu que existem consequências negativas para a criação entre parentes próximos (devido ao aumento da chance de expressão de características recessivas prejudiciais), e estudos subsequentes em humanos certamente deixaram isso claro. Afinal, Charles estava certo em se preocupar, como provou a análise de 2010 de sua árvore genealógica.


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