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Casamentos frustrados e falência: a solidão da socialite Barbara Hutton

Hutton era uma das três mulheres mais ricas do mundo e era cercada de amores, mas no final de sua vida, estava falida e sozinha

Paola Churchill Publicado em 19/05/2020, às 12h59

Barbara Hutton era conhecida por sua coleção de joias
Barbara Hutton era conhecida por sua coleção de joias - Wikimedia Commons

Filha única do casal Franklyn Laws Hutton e Edna Woolworth, Barbara Hutton cresceu em Nova York cercada de luxos e riquezas, já que sua mãe era uma das herdeiras do multimilionário Frank Winfield Woolworth, dono de vários armazéns ao redor dos Estados Unidos.

Nunca faltou nada para a jovem, mesmo durante a Grande Depressão, que quebrou a bolsa de valores do país. O que foi devastador para diversas famílias, para os Woolworth, a crise parecia inexistente.

Em sua festa de 18 anos, no ano de 1930, como manda a tradição da alta sociedade nova-iorquina, Hutton ganhou uma festa de debutante no luxuoso Hotel Ritz-Carlton. Foram mais de mil convidados e foram necessárias quatro orquestras e mais de 200 criados para servir a multidão que festejava a vida da jovem.

Hutton já foi uma das mulheres mais ricas do mundo/Crédito: Wikimedia Commons

 

A vida da jovem parecia ser sensacional, principalmente em 1933, quando herdou aos 21 anos a parte da herança de sua avó, no valor de 50 milhões de dólares, tornando-a uma das três mulheres mais ricas do mundo.

Luxos extremos

Apesar de ser uma milionária, Barbara não tinha controle algum de seus gastos. A socialite gostava de ostentar sua riqueza. Ao longo dos anos, reuniu uma coleção de joias de dar inveja e possuía a mais valiosa coleção de esmeraldas do mundo, pedra preciosa predileta.

Era um ícone na moda, não poupava dinheiro para sempre estar bem vestida e deslumbrante nos eventos que participava. Suas festas eram sempre as mais movimentadas, os convites chegavam a ser disputados a tapa. 

Hutton não era conhecida apenas por suas extravagâncias, mas também pela generosidade com os amigos. Sempre oferecia presentes caros, como carros de marca, joias e até mesmo casas.

Com o passar das décadas, muitas pessoas se aproximavam de Barbara por conta de sua fortuna, principalmente homens, que casavam com ela não por amor, mas por interesse.

Amores frustrados

A jovem sempre quis viver um lindo romance, digno dos contos de fada. Nas tentativas de encontrar um grande amor, casou-se sete vezes. O primeiro matrimônio ocorreu em 1933, com o príncipe russo Alexis Mdivani. A relação não durou nem um ano: o homem alegou nunca ter amado a milionária, e que só estava interessado em seu dinheiro.

Pouco tempo depois, a mulher conheceu seu segundo esposo, o Conde dinamarquês Kurt Reventlow, com quem teve seu único filho, Lance Reventlow. O que começou com um romance épico, acabou com abusos físicos e mentais feitos pelo marido, que tinha até mesmo arquitetado um plano para matá-la e ficar com todo seu dinheiro.

Em 1938, decidiram dar entrada no divórcio. Durante o episódio, a socialite foi aumentando cada vez mais o vício em drogas e álcool para suprir o vazio e a dor que sentia com toda aquela situação.

Vida infeliz

A mulher ficou um tempo sem se relacionar sério com nenhum homem, se sentia traída e infeliz. Até que em 1942, enquanto morava na Califórnia, conheceu o famoso ator Cary Grant. Foi amor à primeira vista e os dois logo se apaixonaram. 

Apesar da mídia sempre especular que Grant só estava atrás do dinheiro da nova-iorquina, o ator foi o único a não pedir um centavo da fortuna dela. O relacionamento só acabou porque a agenda dos dois não batia e eles mal se encontravam.

Seu quarto casamento foi com príncipe Russo Igor Troubetskoy, um homem apaixonado por carros e pela linda mulher, que tentou fazer de tudo para que a amada largasse seu vício em drogas.

Quando percebeu que o amor de Barbara pelas drogas era maior do que o sentimento por ele, Igor decidiu dar um fim na relação. Mais uma vez arrasada e sem rumo, Hutton foi aos braços do diplomata Porfirio Rubirosa.

Esse foi o relacionamento mais curto dela. Durou apenas 53 dias, pois Hutton descobriu que o playboy mantinha um relacionamento amoroso com a atriz Zsa Gabor. Vítima de um destino azarento, seu quinto casamento com o barão Gottfried von Cramm acabou pela mesma razão, em 1959.

Barbara Hutton foi casada com o ator Cary Grant/Crédito: Wikimedia Commons 

 

Barbara voltava pra casa após um dia exaustivo de compras. Subiu as escadas para deixar as coisas no quarto e no momento que abriu a porta se deparou com o barão na cama com outro homem. Os dois até tentaram manter a relação por mais algum tempo, mas não conseguiram levar adiante.

Depressão

A socialite se encontrava em um estado extremamente debilitado e depressivo, por conta de seu abuso em drogas e todos os amores frustrados que viveu. Ela ressentia principalmente que havia desperdiçado a vida ao lado do único filho, Lance.

Hutton foi presa fácil do vigarista Raymond Doan, que escrevia poemas e declarava seu amor diariamente. Apesar de todos os avisos de seus amigos, que acreditavam que o homem só queria seu dinheiro, a bondosa mulher não deu ouvidos a ninguém e seu casou em 1964.

Após perceber as falcatruas de Doan, Barbara entrou com o pedido de divórcio em 1969.

A pobre menina rica

Barbara vivia em um estado depressivo muito forte. Sem ver uma luz no fim do túnel, até mesmo tentou se matar. As coisas pioraram em 1972, quando descobriu que seu único herdeiro havia morrido num acidente de avião perto de Aspen, Colorado.

A milionária se via sozinha e falida, por conta de suas compras luxuosas, viagens caras e depois de ter levado golpe de quase todos os seus maridos. No final de sua vida, teve que vender a sua belíssima coleção de joias para tentar sobreviver.

Em 1979, Barbara Hutton morreu após um ataque cardíaco. Quando o testamento foi revelado, descobriram que a fortuna de 50 milhões de dólares tinha sido torrada e só restavam 3.500 dólares na conta. Barbara Hutton nasceu com tudo do bom e do melhor, mas morreu sozinha e falida.


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