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Caso Aarushi Talwar: o crime misterioso que abalou a índia

O episódio, ocorrido no ano de 2008, é cheio de reviravoltas e foi seguido por outro assassinato terrível

Vanessa Centamori Publicado em 30/05/2020, às 09h00

Memorial em homenagem à Aarushi Talwar
Memorial em homenagem à Aarushi Talwar - Divulgação

Uma horrível história de homicídio, em um subúrbio rico na Índia, explodiu nos noticiários do país. No dia 16 de maio de 2008, uma menina de apenas 13 anos de idade, Aarushi Talwar, foi encontrada com a garganta cortada e um ferimento fatal na cabeça, dentro de seu quarto, na casa de sua família de classe média, em Délhi. 

A garota pré-adolescente havia morrido um dia antes da descoberta do corpo, durante a noite do dia 15. Uma faca kukri manchada de sangue foi encontrada ao lado do cadáver. O caso provavelmente não era suicídio — cortes na garganta são raros nessas situações — portanto, tratava-se de um assassinato. 

Investigação inicial

As autoridades locais suspeitaram no começo que o assassino de Aarushi era Hemraj Banjade, de 45 anos. O homem trabalhava na casa da família da menina. Porém uma enorme reviravolta ocorreu quando o principal suspeito foi assassinado também —  e apenas um dia depois da garota. 

Faca kukri, utilizada no corte das gargantas do empregado e da menina de 13 anos / Crédito: Wikimedia Commons 

 

O cadáver do empregado já estava parcialmente decomposto no terraço da casa. E agora os policiais tinham em mãos um duplo homicídio. O caso deu bastante trabalho e não bastaram os esforços. Isso, pois diante da opinião pública indiana os investigadores foram bem criticados — primeiro a polícia local, e depois os detetives federais pertencentes ao Bureau Central de Investigação (CBI).

Entre as atitudes mais contestadas desses órgãos policiais estava o vazamento de mensagens de texto e das redes sociais de Aarushi; além de um e-mail que ela mandou para o pai, no qual a jovem pede desculpas por algo que ele não aprovou. 

Além disso, a imprensa também fez uma cobertura bem invasiva do caso. Uma das versões da mídia dizia até que Aarushi teve um relacionamento promíscuo e ilícito com o empregado da família.

Aarushi com os pais / Crédito: Divulgação 

 

Tais afirmações foram muito criticadas pelo pai da menina, Rajesh Talwar. Em uma entrevista à BBC, ele disse que vivia pela justiça da garota e que "todas as alegações contra ela deveriam terminar" somente quando ele morresse. 

 

Mudança de alvo 

Acontece que as investigações policiais realmente começaram a apontar que existia um envolvimento amoroso entre Aarushi e o funcionário assassinado. Foram encontradas evidências de que ela fizera sexo e que sua vagina tinha sido penetrada, porém, não foi encontrado sêmen. 

A polícia suspeitou que o pai da menina, Rajesh Talwar, encontrou seu criado e sua filha envolvidos em atos comprometedores e matou a jovem e depois Hemraj Banjade por supostamente estuprá-la. O crime teria tido a colaboração da mãe da garota, Nupur Talwar.

Outra teoria dizia era que o próprio pai havia se envolvido em relações extraconjugais. Além de ter sido confrontado por sua filha, ele teria sofrido chantagem do empregado. Portanto, Rajesh Talwar teria um motivo considerável para matar ambos. 

Memorial criado na frente da casa onde a menina morreu / Crédito: Divulgação 

 

Diante dessas acusações, os pais de Aarushi alegaram que o CBI estava tentando incriminá-los injustamente. As autoridades deixaram os dois de lado, inicialmente, e se focaram em outros três suspeitos —  uma assistente e dois empregados dos Talwar.

 

Veredicto 

O julgamento dos pais da indiana morta aos 13 anos começou em 11 de maio de 2013 e terminou com ambos sendo considerados culpados em 25 de novembro de 2013. Segundo a promotoria, o pai de Aarushi realmente a flagrou tendo relações sexuais com Hemraj Banjade no quarto dela. 

Com um taco de golfe, o lado paterno raivoso mirou no homem, mas acabou acertando a própria filha. Quando a mãe, Nupur, que estava dormindo naquela noite, acordou, ela se deparou com a menina e o empregado já no leito de morte. 

"Hemraj caiu ferido da cama", relatou o promotor especial AGL Kaul. "Ambos [os pais dela] verificaram o pulso de Aarushi e a encontraram quase morta, o que os assustou e eles decidiram matar Hemraj para que ninguém descobrisse o incidente."

Com ambas as vítimas mortas, o casal supostamente forjou a tragédia. Embrulhou o corpo do funcionário e levou o cadáver até o terraço. Cortaram com uma faca kukri a garganta do indivíduo, assim como a da própria filha. 

Reviravolta final 

Em 2017, o Tribunal Superior de Allahabad anulou o julgamento do CBI devido à falta de evidências diretas. Segundo os juízes, a falta de testemunhas oculares era um sinal de que não era possível condenar os pais pelo crime. O CBI também falhou em fornecer um motivo forte pelo assassinato, ainda de acordo com os magistrados. 

Quatro anos após a morte de Aarushi Talwar, o casal foi absolvido em 12 de outubro de 2017 e hoje está em liberdade. O assassinato da indiana permanece um enigma mais de 12 anos depois. 


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