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Caso Ângela Diniz: o triste episódio que abalou o país

A socialite que queria ser livre teve a vida interrompida pela pessoa que mais amava

Paola Churchill Publicado em 17/05/2020, às 09h00

Ângela Diniz era uma das mulheres mais lindas de sua época
Ângela Diniz era uma das mulheres mais lindas de sua época - Wikimedia Commons

Destinada ao sucesso. Assim deveria ter sido a vida de Ângela Diniz . Desde muito pequena, a futura socialite brasileira tinha tudo que queria e sempre surgia impecável em suas aparições públicas na alta sociedade de Belo Horizonte, onde nasceu.

Sua mãe, Maria Diniz, a tratava como se fosse uma linda bonequinha de porcelana. A matriarca da família sempre estava atenta à moda que as parisienses seguiam e tentava reproduzir os modelos para Ângela.

Em seu aniversário de 15 anos, foi realizada uma grande festa em sua cidade natal. Em maio ao agito, ela conheceu o engenheiro Milton Villas Boas, que se tornaria seu futuro marido três anos depois.

A socialite no dia de seu casamento com o engenheiro Milton Villas Boas/Crédito: Divulgação 

 

Parecia que a bela moça tinha tudo que imaginou: uma vida luxuosa e uma linda família, contudo, aquela vida pacata de dona de casa irritava profundamente Ângela, que queria mais.

Após nove anos de união, a mulher pediu o divórcio e estava livre para viver a vida que sempre sonhou. Pouco tempo depois, após ter se mudado para o Rio de Janeiro, a jovem conheceu um homem que roubou seu coração: o empreiteiro Raul Fernando do Amaral Street, o Doca.

Doca era casado quando conheceu a socialite, mas, isso não foi empecilho para que os dois começassem um caso ardente. Três meses depois do affair, o milionário pediu o divórcio para poder viver seu romance sem empecilhos.  

Ângela e Doca formavam o casal queridinho da elite brasileira. Entretanto, se na frente das câmeras parecia que pombinhos viviam a mais linda história de amor, a realidade era bem diferente – envolvendo crises de ciúmes e violência.

Ângela só queria ser livre durante toda sua vida/Crédito: Divulgação 

 

O companheiro odiava como Ângela sempre roubava a atenção por sua beleza e carisma. Assim, os dois passavam por brigas homéricas. Depois de um determinado tempo, a socialite estava cansada de ser maltratada e machucada, mas sempre dava uma segunda chance ao amado.

Tragédia

Na antevéspera do ano novo de 1976, os dois estavam na casa de praia da mulher na Praia dos Ossos, em Búzios. Após a pior briga que os dois tiveram, Diniz expulsou o homem de casa, terminando toda a relação.

Ao cair da noite, o empreiteiro implorou para que o relacionamento não acabasse, disse que queria fazer as coisas darem certo. Compadecida pela situação, Ângela afirmou que eles poderiam voltar a ficar juntos sim, mas teriam um relacionamento aberto.

Doca Street, furioso, esbravejou que se ela não fosse dele, não seria de mais ninguém. Sacou um revólver e descarregou as quatro balas, que resultou na morte imediata de Diniz.

Os empregados escutaram os disparos e correram para ver o que havia ocorrido, No momento que viram o corpo da patroa, não conseguiram parar de chorar. Enquanto isso, Street fugiu agoniado e encontrou refúgio na casa de seus pais, no interior de Minas Gerais.

O julgamento de Doca foi muito acompanhado pela mídia. A família Street não poupou esforços para conseguir o melhor advogado e contrataram um dos mais eficientes: Evandro Lins e Silva.

Doca Street e Ângela Diniz pareciam ser o casal perfeito/Crédito: Divulgação 

 

No tribunal, Evandro pintava Doca como um homem bom que fora enfeitiçado por uma “mulher fatal” que o seduziu e o desvirtuou, que fez por merecer seu infeliz fim.

Ao desenrolar dos episódios, o homem só foi sentenciado a dois anos de prisão, que pode cumprir em liberdade. Na época, foi afirmado que seu crime era “legítima defesa da honra”. 

A morte de Ângela Diniz causou uma enorme comoção nos movimentos contra a violência doméstica, onde fora ressaltado o descaso que o crime teve. Para se ter ideia da força do caso, foi iniciada a campanha que tinha o slogan “Quem ama não mata”.

Os episódios resultaram numa grande pressão para que um novo julgamento fosse feito e o ex-companheiro pagasse pelo crime. Após uma forte mobilização social, o milionário passou por um segundo julgamento e pegou 15 anos de prisão, cumprindo apenas três desses anos. Doca lançou o livro Mea Culpa, em 2006, para contar sua versão dos fatos. Ângela Diniz, no entanto, não teve essa oportunidade. 


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