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Infância interrompida: o trágico caso de Isabella Nardoni

O crime de 2008 voltou à tona depois da misteriosa morte do pequeno Henry Borel, cujas condições também são nebulosas

Pamela Malva Publicado em 08/04/2021, às 19h00 - Atualizado às 21h53

Isabella Nardoni, de 5 anos
Isabella Nardoni, de 5 anos - Wikimedia Commons

No dia 08 de março de 2021, a morte do pequeno Henry Borel paralisou o Brasil. Mais uma vez, o país deparou-se com o fim inexplicável da vida de uma criança brincalhona, tida como gentil e bastante carinhosa — que era a pupila dos olhos do pai, Leniel Borel.

Como em outros casos conhecidos, a exemplo do desaparecimento de Madeleine McCann, as condições da morte do menino seguem um mistério. Dessa forma, teorias se acumulam mais a cada dia, conforme surgem novas pistas nas investigações.

O problema é que, por mais que prisões sejam feitas — como aconteceu com a mãe de Henry, Monique Medeiros, e seu namorado, o vereador Dr. Jairinho — e por mais absurdas que as teorias pareçam, alguns casos nunca são solucionados.

Um deles, que está sendo lembrado com frequência após o trágico falecimento de Henry, que tinha apenas 4 anos, é a misteriosa morte de Isabella Nardoni. Em março de 2008, a suposta queda da menina de 5 anos indignou o país.

Fotografia do pequeno Henry Borel / Crédito: Divulgação/Leniel Borel

 

Relembre o caso

Isabella Nardoni vivia entre duas casas: a da mãe, Ana Carolina Cunha, e do pai. Dona de um sorriso encantador, a menina de 5 anos estava passando mais um final de semana com Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, no dia 29 março de 2008.

Era em um apartamento no Edifício London, na Zona Norte de São Paulo, que o casal vivia com seus outros dois filhos, irmãos mais novos de Isabella por parte de pai. E foi do mesmo prédio que a polícia foi acionada, na madrugada daquele mesmo dia.

No telefonema, os oficiais foram avisados de um suposto roubo, cujo responsável teria atirado uma garota do sexto andar do prédio. Ao chegarem no local, os oficiais encontraram Isabella estirada no gramado e, ao seu lado, Alexandre parecia inconsolável. A menina foi levada ao hospital infantil, mas morreu no caminho.

Isabella com a mãe, Ana Carolina Cunha / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Início das investigações

De volta ao edifício, os investigadores perguntaram à Alexandre e Anna Carolina o que teria acontecido. Em seu primeiro testemunho, o casal, que não chamou a polícia em nenhum momento, confirmou a versão de que um assaltante teria matado Isabella.

Guiados até a delegacia, os dois responsáveis pela menina foram interrogados por cerca de 24 horas. Segundo o casal, ao voltarem de um compromisso, Alexandre teria subido com Isabella no colo, enquanto Anna Carolina esperava na garagem com os dois meninos. Em seguida, o pai teria retornado ao carro, para pegar mais uma das crianças.

Quando chegaram ao apartamento, no entanto, encontraram a porta aberta e a tela de proteção do quarto dos pequenos cortada. Do lado de fora, seis andares abaixo deles, Isabella jazia no gramado. Ainda em depoimento, o casal apontou alguns suspeitos.

De acordo com Alexandre e Anna Carolina, cerca de 23 pessoas, entre funcionários e conhecidos, poderiam ter machucado Isabella. Todos foram interrogados, mas nenhum foi considerado suspeito. Logo em seguida, a hipótese de que a menina teria cortado a rede foi descartada, já que os fios resistentes demais para uma criança de cinco anos.

Isabella com o pai, Alexandre Nardoni / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Mistérios e perguntas

Durante as investigações, os testemunhos do casal começaram a contar com diversas incoerências, enquanto ambos em desmentidos por vizinhos e registros telefônicos. Descobriu-se inclusive, que Alexandre e Anna Carolina tinham brigas constantes.

Mais e mais pistas foram aparecendo: a casa não tinha sinais de arrombamento, o apartamento estava muito bagunçado, não existiam sinais de luta corporal e a polícia encontrou pingos de sangue de Isabella logo na entrada da sala. Ainda mais, Alexandre e Anna Carolina nunca chegaram a perguntar sobre a menina.

Resquícios do sangue de Isabella tamém foram encontrados no carro da família. Durante a autópsia, legistas determinaram que a pequena foi asfixiada antes mesmo de ser jogada pela janela e identificaram um corte em sua testa — a fonte das gotas de sangue.

Isabella com a madrasta, Anna Carolina Jatobá / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Outro caminho

A partir das pistas e dos depoimentos, então, os investigadores reconstruíram o que teria acontecido naquela noite. No final, determinou-se que, entre o desligamento do motor do carro e a queda da menina, 12 minutos se passaram — sendo que a versão dada por Alexandre e Anna Carolina somava 19 minutos, um período pouco provável.

Segundo os policiais, a ferida na testa de Isabella foi causada por Anna Carolina, ainda dentro do carro. Ao chegar no prédio, Alexandre levou a menina até o apartamento, acompanhado da esposa e dos dois filhos ainda dormindo, e atirou Isabella no chão. A pequena tentou se proteger da queda e fraturou o braço.

Ela ficou alguns minutos acordada, encostada no sofá, até que Anna Carolina Jatobá agarrou Isabella mais uma vez e a asfixiou. Enquanto isso, Alexandre foi até a janela do quarto dos filhos e cortou a rede de proteção com uma tesoura. Ele, então, ergueu filha já desacordada e atirou seu corpo pela janela, soltando uma mão de cada vez.

Isabella sorridente em uma das fotos da família / Crédito: Wikimedia Commons

 

Fim da linha

No dia 3 de abril de 2008, depois de uma cobertura incessante da mídia, o casal foi preso preventivamente. No dia 18, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram indiciados pelo homicídio de Isabella. Pouco tempo depois, em maio de 2008, o juiz aceitou a denúncia do Ministério Público e decretou a prisão preventiva dos dois mais uma vez.

Logo no início de 2009, o casal foi condenado por homicídio triplamente qualificado e fraude processual. Pelos crimes, Alexandre foi sentenciado a 31 anos de cárcere, enquanto Anna Carolina recebeu 26 anos, ainda que os dois nunca tenham se declarado culpados por um dos crimes que mais marcou a História recente do Brasil.

O pai de Isabella Nardoni segue preso em regime fechado até hoje e Anna Carolina, em regime semi-aberto. A madrasta da menina pode sair em datas comemorativas e, atualmente, cumpre sua pena em Tremembé, mesma prisão que Suzane Von Richthofen.


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