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Caso Isabella Nardoni: o assassinato que aterrorizou o Brasil

Em 2008, a menina foi atirada do sexto andar do edifício onde o pai morava. Depois de muitas mentiras e reviravoltas, o pai e a madrasta foram presos pelo crime

Pamela Malva Publicado em 08/02/2020, às 10h00

Isabella Nardoni, de 5 anos
Isabella Nardoni, de 5 anos - Wikimedia Commons

Isabella Nardoni vivia entre duas casas: a da mãe, Ana Carolina Cunha, e a do pai, Alexandre Nardoni. Ela estava sempre sorridente, era uma menina amável e querida por todos que a conheciam, desde os avós maternos, até os irmãos por parte de pai.

No dia 29 março de 2008, Isabella, com cinco anos na época, estava passando mais um final de semana na casa do pai, onde sua madrasta, Anna Carolina Jatobá, seus irmãos mais novos e Alexandre moravam. O apartamento ficava no Edifício London, na Zona Norte de São Paulo.

Tudo parecia bem até que, na madrugada daquele mesmo dia, a polícia foi acionada. Na chamada, foi avisado que um roubo teria acontecido e uma menina teria sido jogada de um dos andares do prédio. Isabella foi encontrada estirada no gramado do prédio, desacordada.

Assim que a polícia chegou ao edifício, encontrou Alexandre ao lado do corpo da filha, junto de vizinhos e funcionários do condomínio. A menina foi levada ao hospital infantil, mas morreu no caminho, depois de mais de 30 minutos de tentativas de reanimação.

Isabella com a mãe, Ana Carolina Cunha / Crédito: Divulgação/Youtube

 

De volta ao edifício, os investigadores perguntaram à Alexandre e Anna Carolina o que teria acontecido. Em um primeiro testemunho, o casal alegou que um assaltante teria entrado na casa e jogado Isabella do sexto andar. Os dois não chamaram a polícia em nenhum momento.

A morte da menina foi atestada e o casal foi levado para a delegacia, para mais depoimentos. Durante 24 horas de interrogatório, deram sua versão à polícia. A família teria estacionado o carro na garagem do prédio e Alexandre teria subido com Isabella no colo, para depois voltar e ajudar Anna Carolina Jatobá com os outros dois meninos, que dormiam no veículo.

Segundo eles, quando chegaram ao apartamento, encontraram a porta aberta e a tela de proteção do quarto das crianças cortada. Ao olhar para fora, viram a menina estirada no chão do térreo. A polícia, então perguntou sobre pessoas que teriam motivos para roubar a família e matar Isabella.

Alexandre e Anna Carolina deram cerca de 23 nomes, entre funcionários e conhecidos. Todos foram interrogados, mas nenhum foi considerado como suspeito. Em seguida, a hipótese de que Isabella teria cortado ela mesma a rede foi logo descartada, considerando que os fios eram muitos resistentes para uma menina de cinco anos.

Isabella com o pai, Alexandre Nardoni / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Durante as investigações, incoerências nos testemunhos do casal começaram a aparecer. O casal foi desmentido diversas vezes, por vizinhos e registros telefônicos. Com novos pontos de vista, descobriu-se que o casal tinha brigas constantes, sempre na presença dos filhos.

Mais e mais pistas foram aparecendo: a casa não tinha sinais de arrombamento, o apartamento estava muito bagunçado, não existiam sinais de luta corporal e a polícia encontrou pingos de sangue de Isabella logo na entrada da sala. Além disso, Alexandre e Anna Carolina não perguntaram sobre a menina em qualquer momento.

Resquícios do sangue de Isabella não foram encontrados em mais nenhum lugar no prédio, apenas no carro da família. Durante a autópsia, os legistas determinaram que a pequena foi asfixiada antes mesmo de ser jogada do prédio. Os policiais encontraram, ainda, um corte na testa dela — o que seria a fonte das gotas de sangue.

A partir das pistas e dos depoimentos, os investigadores reconstruíram àquela noite e deduziram o que teria acontecido com Isabella. No final, determinaram que, entre o desligamento do motor do carro e a queda da menina, 12 minutos se passaram — a versão dada por Alexandre e Anna Carolina somava 19 minutos, um período pouco provável.

Isabella com a madrasta, Anna Carolina Jatobá / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Segundo os policiais, a ferida na testa de Isabella foi causada por Anna Carolina ainda dentro do carro. Ao chegar no prédio, Alexandre levou a menina até o apartamento, acompanhado da esposa e dos dois filhos ainda dormindo, e atirou Isabella no chão. A pequena tentou se proteger da queda e fraturou o braço.

Ela ficou alguns minutos acordada, encostada no sofá da sala, até que Anna Carolina Jatobá agarrou Isabella mais uma vez e a asfixiou. Enquanto isso, Alexandre foi até a janela do quarto dos filhos e cortou a rede de proteção com uma tesoura. Ele ergueu a própria filha, já desacordada, e atirou seu corpo pela janela, soltando uma mão de cada vez.

No dia 3 de abril de 2008, depois de uma cobertura incessante da mídia, o casal foi preso preventivamente. No dia 18, Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá são indiciados pelo homicídio de Isabella. Pouco tempo depois, em maio de 2008, o juiz aceita a denúncia do Ministério Público e decreta a prisão preventiva dos dois mais uma vez.

Isabella sorridente em uma das fotos da família / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Logo no início de 2009, o casal foi condenado por homicídio triplamente qualificado e fraude processual. Pelos crimes, Alexandre foi sentenciado a 31 anos de cárcere, enquanto Anna Carolina recebeu 26 anos, ainda que os dois nunca tenham se declarado culpados.

O pai de Isabella Nardoni segue preso em regime fechado até hoje e Anna Carolina, em regime semi-aberto. A madrasta da menina pode sair em datas comemorativas e, atualmente, cumpre sua pena em Tremembé, mesma prisão que Suzane Von Richthofen.


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