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Caso Patrícia Acioli: a brutal execução da juíza que investigava milicianos

O crime aconteceu em 2011, revelando a atuação de milícias e grupos de extermínio no estado do Rio de Janeiro

Redação Publicado em 17/04/2021, às 08h49

Patrícia Acioli, juíza que foi morta
Patrícia Acioli, juíza que foi morta - Divulgação / Youtube / tvbrasil

Em agosto de 2011, o assassinato da juíza Patrícia Acioli escandalizou a sociedade brasileira. Na época, a autoridade foi brutalmente assassinada por milicianos da quadrilha do coronel Claudio Luiz de Oliveira.

Conforme noticiou a Veja, a juíza foi alvejada por 21 tiros, enquanto chegava em sua residência, localizada em Niterói. O caso foi amplamente noticiado pela imprensa nacional, revelando crimes cometidos por policiais, sendo a grande maioria do 7º BPM (São Gonçalo).

Os antecedentes

Em 2010, uma série de crimes cometidos por policiais foram descobertos, após uma força tarefa do Ministério Público e da Polícia Civil encontrar diversas irregularidades no 7º BPM, que, até então, atuava no município de São Gonçalo. 

Patrícia Acioli durante uma entrevista / Crédito: Divulgação / Youtube / tvbrasil

 

As investigações revelaram que entre 2004 e 2010, diversos registros de casos foram forjados. Segundo a Veja, de 60 casos analisados, apenas seis eram verídicos. Os demais foram adulterados pelas autoridades.

Acioli, por sua vez, passou a julgar o caso e, logo em seguida, decretou a prisão dos oficiais envolvidos neste esquema. Contudo, a titular da 4ª Vara Criminal da cidade, tornou-se a inimiga número um da quadrilha do coronel Claudio Luiz de Oliveira.

De acordo com a Veja, a juíza tinha certeza de que o comandante do 7º BPM tinha conhecimento dos crimes. A partir disso, ela passou a investigar o coronel Claudio e, na época, chegou a anunciar, ainda, que o prenderia. 

A represália

Pouco tempo depois, como represália, três policiais do 7º BPM foram transferidos para outras unidades. Tal medida foi tomada para deixar Patrícia Acioli ainda mais desprotegida, uma vez que, os oficiais faziam sua segurança pessoal de forma informal. 

Manifestação em 10 de agosto de 2012 / Crédito: Wikimedia Commons

 

A juíza não possuía escolta oficial do Tribunal de Justiça, portanto, o batalhão da cidade disponibilizava segurança particular. Contudo, Marcelo Poubel Araújo, namorado da vítima, foi enviado para a Linha Vermelha; Eduardo Fernando Pasqual de Oliveira, foi encaminhado para o 12º BPM (Niterói); e Rimel Teixeira de Siqueira transferido para o 4º BPM (São Cristóvão). 

Segundo a Veja, a juíza tentou argumentar com o coronel Claudio. No entanto, o oficial foi irredutível e apenas teria dito que seguia ordens superiores. A partir disso, a vítima passou a se sentir perseguida constantemente. Além disso, chegou a relatar que familiares e amigos próximos também haviam se tornado alvos. 

Embora Patrícia tenha comentado sobre as recorrentes ameaças de morte, isso não a impediu de ser executada por dois homens. Em agosto de 2011, foi morta na frente de sua residência, localizada em Niterói. Segundo as investigações da época, a juíza foi alvo de 21 disparos de uma arma de fogo. 

Em abril de 2014, todos os 11 policiais apontados no envolvimento do crime foram condenados pela Justiça. Conforme divulgou a Agência Brasil, o crime foi uma represália pela prisão de policiais envolvidos com milícias e grupos de extermínio no estado do Rio de Janeiro.