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Caso Pedrinho: o menino de 5 anos que morreu em Ribeirão Preto após intensos maus-tratos

Os culpados pelo estado da criança seriam o padrasto e sua mãe, que embora condenados por "tortura", estiveram em liberdade por 8 anos antes de serem detidos

Ingredi Brunato Publicado em 26/09/2020, às 11h00 - Atualizado às 21h00

Imagem ilustrativa de ursinho de pelúcia rasgado para representar maus-tratos a uma criança.
Imagem ilustrativa de ursinho de pelúcia rasgado para representar maus-tratos a uma criança. - Divlgação/ Pixabay

Em 2008, Katia Marques levou seu filho de cinco anos, Pedrinho, para o hospital Santa Lydia, em Ribeirão Preto. Ela disse aos médicos do pronto-socorro que a criança, que estava tendo uma parada cardiorrespiratória, tinha ingerido um produto de limpeza que tira manchas de roupas. Apesar dos esforços dos profissionais de saúde, o menino não sobreviveu. 

O que poderia ser o fim dramático de um acidente doméstico, com uma criança entrando em perigo após um momento de distração dos pais, se revelou uma história muito mais perturbadora após a autópsia do jovem. 

Isso porque Pedrinho tinha hematomas pelo corpo todo: eram 64 no total, cada um em um estágio diferente de cicatrização, mostrando que não foram feitos de uma vez só, mas ao longo de dias. 

O que disseram os médicos 

Teria o menino caído tantas vezes, em momentos diferentes? Segundo o médico legista Marco Aurélio Guimarães, em entrevista ao G1, o garoto apresentaria o quadro da Síndrome da Criança Espancada. 

“Quando uma criança sofre abusos físicos reiterados, em várias datas diferentes, as lesões ficam com aspectos de evolução diferentes. Umas mais vermelhas, outras mais arroxeadas. No caso do Pedrinho, quando uma lesão estava se recuperando, tinha outra começando a evoluir, o que mostrou que ele sofria agressões repetitivas”, explicou o profissional. 

Médico Marco Aurélio. Crédito: Divulgação/ Youtube

 

E os ferimentos no corpo do menino não paravam por aí. Segundo verificado pelos legistas, ele teria ainda uma costela quebrada e duas fraturas no pulso, essas últimas tendo sido sua causa de morte, ao provocar uma embolia pulmonar gordurosa.

Isso porque esse tipo de fratura libera células gordurosas que se misturam com a corrente sanguínea e podem entupir os capilares dos pulmões, causando então uma parada cardiorrespiratória. 

Processo judicial 

Após a autópsia incriminadora, a mãe e o padrasto de Pedrinho,Kátia Marques e Juliano Gunello, se tornaram imediatamente suspeitos. Já o advogado do casal, Luiz Carlos Bento, alegou que foram os paramédicos que quebraram o pulso do menino. 

“Em relação ao laudo, a nossa contestação é a própria falácia dele, porque tem aspectos técnicos absurdos, como o estabelecimento de uma idade de fratura superior a quatro horas para excluir a responsabilidade dos socorristas”, defendeu Luiz. 

O Tribunal de Justiça de São Paulo terminou condenando os guardiões por “maus-tratos seguidos de morte”, mudando depois o crime para “tortura” no ano de 2010. Embora Kátia tenha recebido cerca de nove anos de prisão e Juliano tenha recebido dez (uma diferença que se deu porque o perpetrador das agressões seria o padrasto, enquanto ela era cúmplice), o casal permaneceu respondendo o processo em liberdade por mais oito anos.

“Como se sabe, há uma morosidade incrível para julgamento de recursos especiais junto ao Superior Tribunal de Justiça [STJ]”, comentou o advogado criminalista Heráclito Mossin em entrevista ao G1, se referindo à demora dos processos. 

Foi apenas em 2016 que eles foram presos após uma nova regra do STF permitindo que condenados em segunda instância (que era o caso dos dois) fossem detidos. No dia que Juliano Gunello foi preso, Kátia ficou foragida, situação que se estendeu por um período de onze dias até que os oficiais de polícia a encontrassem e prendessem também. 

Últimas atualizações

A notícia mais recente sobre o caso foi há dois anos, em julho de 2018, numa reportagem do EPTV. A equipe do veículo fez uma visita à mãe de Pedrinho na prisão, e divulgou como era sua rotina. 

Marques estava trabalhava como costureira dentro da prisão, tinha comportamento exemplar e em seis meses ganharia um regime semiaberto, em que poderia sair da prisão para trabalhar, e voltar para a penitenciária após às 18h. “Todos nós somos iguais. Somos reeducandas e estamos aqui para nos ressocializar”, disse a presa na reportagem.  


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