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Caso que assombra o Reino Unido: O desaparecimento de Sarah Evervard

Evervard sumiu quando voltava para casa, no sul de Londres, depois de sair da casa de uma amiga

Fabio Previdelli Publicado em 15/03/2021, às 17h04

Sarah Everard desapareceu no último dia 3 de março
Sarah Everard desapareceu no último dia 3 de março - Divulgação

"Sarah era alegre e popular em nossa comunidade universitária e mantinha um grande grupo de amigos da Durham", foi assim que o vice-reitor da Universidade de Durham Stuart Corbridge descreveu Sarah Everard, formada em Geografia pela instituição.  

Aos 33 anos, Everard desapareceu no último dia 3 de março, quando voltava para sua casa, no sul de Londres. Mais de uma semana depois, seu corpo foi encontrado em uma floresta em Kent, no sudoeste da Inglaterra.  

Flores e cartazes de protesto deixados por manifestantes / Crédito: Getty Images

 

O caso comoveu o país e gerou uma série de revoltas no Reino Unido, culminando com manifestações populares. Até o momento, Wayne Couzens, oficial da Polícia Metropolitana de Londres (MET) foi detido acusado de sequestro e assassinato. Entenda o caso! 

A última aparição 

Daquela noite, segundo revela matéria da BBC, um dos últimos registros que se tem de Sarah são das imagens de uma câmera de segurança, que a mostram voltando para casa sozinha enquanto passava por uma movimentada rua de Clapham, no sul da capital. A mulher tinha acabado de sair da casa de uma amiga.  

Imagens de câmeras de segurança que mostram Sarah / Crédito: Divulgação/ Polícia de Londres

 

Outro registro que se tem da vítima é uma ligação de celular com seu namorado, que foi a última comunicação que Everard fez com alguém antes de ser morta. A polícia ainda não sabe se Sarah conseguiu chegar em casa ou foi abordada antes disso.  

A única coisa que se tem certeza é que, após seu desaparecimento ser informado, os investigadores visitaram mais de 750 casas da região. Além disso, várias gravações de câmeras de segurança espalhadas pela cidade foram revisadas. Os policiais receberam mais de 120 telefonemas de pessoas tentando fornecer pistas sobre o desaparecimento.  

Cartaz informando o desapareciemento de Sarah / Crédito: Getty Images

 

Posteriormente, cartazes com a foto dela foram pendurados nas ruas e compartilhadas nas redes sociais. Os investigadores também chegaram a fazer uma busca em lago perto do parque onde ela foi vista pela última vez. A polícia chegou a fazer um alerta para que mulheres tomassem cuidado ao andarem desacompanhadas pelas ruas da cidade.  

Pista crucial 

Parte do mistério foi parcialmente resolvido no dia 10, quarta-feira da semana passada, quando foi anunciada a descoberta dos restos mortais de uma mulher na área arborizada de Kent. Dois dias depois veio a confirmação: Sarah estava morta.  

A notícia abalou o Reino Unido e também causou raiva nas mulheres, que usaram as redes sociais para exporem ocasiões onde sofreram violência, conforme revela uma matéria publicada pela BBC. Muitas delas revelaram situações de abusos e assédios que viveram nas ruas londrinas — o que as deixam cada vez mais inseguras. 

Mulheres protestando contra a violência que elas sofrem / Crédito: Getty Images

 

Apesar de reconhecer que as mulheres “podem estar preocupadas e com medo”, Cressida Dick, a chefe da Polícia Metropolitana de Londres, afirmou que uma mulher ser sequestrada na rua é um evento “incrivelmente raro”. 

O principal suspeito 

Após confirmada a morte de Sarah, Wayne Couzens, um policial de 48 anos, foi preso pelas autoridades londrinas. Segundo a BBC, o acusado chegou a levado duas vezes até o hospital depois de ser encontrado em sua cela com um ferimento na cabeça.  

Wayne entrou na polícia há quase 3 anos, em setembro de 2018. Mais recentemente, em fevereiro do ano passado, ele foi realocado para a unidade de proteção parlamentar e diplomática, se tornando responsável por patrulhar as áreas próximas a um grupo de embaixadas na capital do país.  

O policial Wayne Couzens / Crédito: Divulgação/ Facebook

 

As autoridades informaram que Couzens não estava trabalhando no momento em que Sarah foi abordada. "A notícia de que um policial foi preso sob suspeita do assassinato de Sarah gerou ondas de choque e raiva no público e em toda a Met", disse a comissária Cressida Dick sobre o apelo emocional que o caso ganhou.  

"Falo por todos os meus colegas quando digo que estamos absolutamente chocados com esta notícia terrível. Nosso trabalho é patrulhar as ruas e proteger as pessoas”, completa em trecho repercutido pela BBC. 

A revolta popular 

A maneira como Dick lidou com a vigília não agradou os londrinos, que pediram para que ela deixasse o cargo. No último sábado, 13, algumas mulheres foram algemadas e presas por protestarem em frente ao Clapham Common, onde Everard foi vista pela última vez.  

Inicialmente, uma vigília oficial estava marcada para o sábado, 13, mas acabou sendo cancelada após os organizadores anunciarem que a polícia não conseguiu “se envolver construtivamente” para que a marcha seguisse as determinações de segurança impostas pela pandemia.  

Assim, as autoridades passaram a considerar qualquer ato ilegal. Mesmo assim, isso não impediu que as pessoas se reunissem. "Minha equipe entendeu que era uma reunião ilegal que representava um risco considerável para a saúde das pessoas", disse Cressida. "Não acho que alguém que não estava na operação possa realmente dizer o que foi certo ou errado. Este é um policiamento terrivelmente difícil de fazer”. 

Protestos feitos nas ruas de Londres / Crédito: Getty Images

 

Gravações que circulam nas redes sociais mostram policias abordando mulheres que estavam protestando perto do coreto. Entre os presentes puderam-se ouvir gritos como “Que vergonha de vocês” e “Deixe-as ir”. Após serem abordados, os manifestantes eram colocados dentro de uma van e encaminhados para a delegacia.  

Alegando “proteger a segurança das pessoas”, a polícia informou que fez quatro prisões durante a vigília. Com a cobrança por respostas, o governo inglês instaurou uma investigação sobre o ocorrido.

Sadiq Khan, prefeito de Londres, reiterou o pedido por investigações e disse que as atitudes dos policiais foram “inaceitáveis”, dizendo que conversou com Cressida e seu vice-comissário, afirmando que "não ficou satisfeito com a explicação que eles deram".


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