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Causas, sintomas e tratamento: Entenda o que é a Febre do Nilo Ocidental

Após a morte do ator Clark Middleton, a enfermidade vem gerando dúvidas. Para entender o assunto, conversamos com o infectologista Herbert Fernandes. Confira!

Penélope Coelho Publicado em 14/10/2020, às 16h44

Fêmea de mosquito Culex
Fêmea de mosquito Culex - Wikimedia Commons

Na última semana, o falecimento do ator Clark Middleton — conhecido por seus papéis em grandes produções como o seriado Twin Peaks, The Blacklist, Law & Order, além dos filmes Kill Bill: Volume 2 (2004), Sin City: A Cidade do Pecado (2005) e Expresso do Amanhã (2013) — gerou diversas dúvidas nas redes sociais, já que o artista faleceu em decorrência da Febre do Nilo Ocidental.

Essa infecção viral teve um aumento de casos no sul da Espanha em meados de setembro, e por ser pouco comentada deixa diversos questionamentos, levando em consideração o momento que o mundo se encontra, em meio à pandemia do novo coronavírus.

Para esclarecer essas dúvidas, o portal Aventuras na História conversou com o médico infectologista Dr. Herbert Fernandes, que trabalha no Hospital Ibiapaba CEBAMS, é mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professor da Faculdade de Medicina de Barbacena, em Minas Gerais. 

Clark Middleton em cena no seriado Twin Peaks / Crédito: Divulgação

 

Origens

Afinal de contas, do que se trata o vírus do Nilo Ocidental?

Ele faz parte da família do vírus da dengue, da zika e também da febre amarela. De acordo com o Dr. Fernandes, a enfermidade recebeu esse nome a partir do local em que foi detectada pela primeira vez em humanos, na região oeste do rio Nilo em Uganda, no ano de 1937.

“Inicialmente não houve associação do vírus com manifestações neurológicas, no entanto, em 1950 após uma epidemia de meningite em Israel, o vírus foi identificado como o causador”, contou o médico. “[O vírus é] comumente causador da encefalite japonesa, pouco comum no Brasil e que pode gerar nenhum sintoma, ou, apenas sintomas leves". 

Transmissão, sintomas e tratamento

O vírus do Nilo Ocidental tem sua transmissão realizada através de mosquitos do gênero Culex, que pode infectar pássaros, humanos e cavalos. Dificilmente sendo transmitido de uma pessoa para outra, somente em ocasiões excepcionais, conforme explicou Fernandes:

“Existem relatos de transmissão entre humanos após transfusão de sangue, transplante de órgãos e amamentação, porém, são situações extremamente raras. Geralmente, é preciso que haja o vetor (mosquito) para que ocorra a transmissão, similar ao que observamos para o vírus da dengue e da febre amarela”, explica o médico.

Os sintomas apresentados por aqueles que são infectados podem ser variados: de acordo com o infectologista, 80% das infecções são assintomáticas. “Cerca de 20% das pessoas infectadas podem apresentar sintomas agudos [...] Em torno de 25 a 50% dos casos sintomáticos, ainda podem apresentar manifestações dermatológicas como vermelhidão nos membros".

O vírus costuma atingir de maneira mais severa pessoas do sexo feminino, contudo, o médico reitera que alguns aspectos como idade, pacientes com câncer, pessoas transplantadas e o fator genético de cada indivíduo pode influenciar na manifestação da enfermidade.

"Menos de 1% dos infectados pelo vírus do Nilo Ocidental apresentam a doença mais grave que é caracterizada pela invasão do vírus no sistema nervoso central, causando meningite, encefalite e paralisia flácida”, conta Herbert.

Até o momento, não existe cura para o vírus do Nilo Ocidental e seu tratamento é realizado de maneira suportiva, ou seja, tratando as consequências causadas pela infecção. Para o médico, a resposta clínica depende de diversos fatores: “Desde o acesso à assistência de saúde, até o tamanho do inoculo viral e condições clínicas de base do hospedeiro”.

Por isso, é possível que o vírus cause o óbito da pessoa infectada. “Principalmente nos casos graves em que há acometimento do sistema nervoso central. Tanto meningite, quanto encefalite e paralisia flácida são manifestações graves que podem levar à morte”.

Vírus do Nilo Ocidental / Crédito: Wikimedia Commons

 

Brasil

Em território nacional o primeiro caso de vírus do Nilo Ocidental foi confirmado em dezembro de 2014, no interior do Piauí. De acordo com o médico, há um risco baixo de epidemia pelo vírus do Nilo Ocidental no Brasil, em decorrência da política de vacinação para enfermidades parecidas no território e pela indução de imunidade cruzada.

Contudo, o doutor reitera a importância de medidas de vigilância epidemiológicas que devem ser implementadas para que não ocorram surtos da doença no país: “O uso de repelentes e programas de controle do mosquito vetor são estratégias preventivas fundamentais no enfrentamento da doença". 

"No entanto, políticas de rastreamento em bancos de sangue também podem ser estratégias utilizadas, como adotado, por exemplo, nos Estados Unidos, após uma epidemia em pacientes transfundidos", continua o doutor, "Sem dúvida, uma vez que existam casos consistentes de circulação deste vírus aqui no Brasil, a pesquisa de rastreamento deverá ser implementada nos bancos de sangue de todo país", afirma o infectologista.

Possível pandemia?

Para o médico, é improvável que o vírus do Nilo Ocidental se transforme em uma pandemia mundial como a do novo coronavírus, que infectou 38.275.349 pessoas em todo o mundo, deixando 1.088.051 vítimas fatais ao redor do globo, até o momento.

Essa improbabilidade acontece porque o vírus em questão não é facilitado por agentes infecciosos que são capazes de que uma transmissão ocorra de pessoa para pessoa, como a transmissão pelo ar, que é o caso da Covid-19.

“A doença causada pelo vírus do Nilo Ocidental depende eminentemente de um vetor para transmissão, o que dificulta a rápida disseminação da doença, pois outros fatores impactam como, por exemplo, habitat do vetor”, finaliza o doutorHerbert Fernandes.


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