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Cavalo Louco, o indígena que lutou contra os EUA

Embora tenha morrido cedo, o guerreiro teve uma vida repleta de batalhas contra os soldados norte-americanos

Ingredi Brunato Publicado em 05/01/2021, às 18h18 - Atualizado às 18h19

Fotografia de Cavalo Louco
Fotografia de Cavalo Louco - Wikimedia Commons

A saga do indígena norte-americano Cavalo Louco começou quando foi descoberto ouro nas terras ocupadas pela sua tribo, a dos Sioux. Isso porque imediatamente o exército dos Estados Unidos passou a enviar soldados para começar uma operação mineradora. 

Foi então que se seguiram anos de batalhas e negociações que tomaram toda a vida do líder indígena. Mesmo contando com menos tecnologia de guerra, a tribo ofereceu uma resistência consistente, de forma que só restou aos oficiais militares mudar sua abordagem, buscando satisfazer seus interesses através de vias não conflituosas. 

A saga de Cavalo Louco

Os Sioux tinham a tradição de que seus membros só ganhavam um nome após passar por uma experiência marcante. 

O futuro líder nativo, que tinha pele e cabelos mais claros que da maioria dos seus companheiros, passou a juventude sendo conhecido apenas como “Menino de Cabelos Claros”.

Curiosamente, o pai do jovem Sioux era chamado de Cavalo Louco, e foi apenas após a primeira batalha de seu filho que o nome foi passado para frente, enquanto o mais velho passou a se chamar Verme

Memorial em homenagem a Cavalo Louco / Crédito: Divulgação/ Pixabay 

 

Primeiros conflitos 

Contudo, o sossego acabou em 1866, ano que foi feita a descoberta de ouro no território dos Sioux, o que teve como consequência imediata a construção de diversos fortes na região pelo exército norte-americano. 

No ano seguinte, Cavalo Louco já realizava emboscadas para esses soldados e participando do ataque a um desses fortes, junto a outros companheiros. Não demorou para que o general comandando as atividades locais, William Tecumseh Sherman, fizesse uma expedição. 

Um tratado foi assinado por lideranças indígenas e autoridades militares, todavia, o combatente não estava comprando nada daquilo, e tampouco concordou com os tratados.

Tensões 

Já o general seguinte a enfrentar os Sioux, George Armstrong Custer, não tinha interesse em negociar. Na época, as ferrovias eram estendidas para cada vez mais perto do território nativo, facilitando seu acesso e possibilitando o aumento da exploração da região. 

Em mais de uma excursão, o General Custer violou os tratados anteriores e fez operações surpresa, tentando roubar os cavalos dos guerreiros nativos e tendo até mesmo um confronto direto com Cavalo Louco em uma dessas. 

Mais tarde, o militar estadunidense cairia em desgraça após um conflito liderado pelo indígena. Nele, as forças do general sofreram uma derrota desastrosa nas mãos de cerca de mil nativos. O episódio ficou conhecido como Batalha do Little Big Horn, e foi o último em que Custer lutou - uma vez que morreu nele. No entanto, também era o fim dos Sioux.

O fim

As tensões e lutas continuaram com a vinda da autoridade militar seguinte, o General George Crook, porém a tribo Sioux infelizmente precisou lidar mais perseguições. Foi então que o guerreiro Cavalo Louco, sem maiores condições para seguir com o embate, acabou se rendendo.

Desenho representando Cavalo Louco indo se render / Crédito: Wikimedia Commons

 

O episódio, como era de se esperar, terminou de forma trágica. Preso no Forte Robinson, no Estado de Nebraska, acabou assassinado por um soldado em 5 de setembro 1877. A única pessoa que teve permissão para ir visitá-lo foi seu próprio pai, Verme. O guerreiro tinha apenas 36/37 anos quando faleceu.


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